Substância proibida

O principal fator para o uso de drogas não é a influência dos amigos

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Em todas as classes sociais, nas mais diferentes famílias, as drogas têm gerado pânico e prejuízos. As pesquisas confirmam o motivo de tamanha preocupação:

– 23% da população usam substâncias psicoativas no decorrer da vida.

– 10% a 12% dos usuários consomem mais de uma droga ao mesmo tempo.

– 15% no mínimo têm dependência química.

– 15% dos dependentes químicos cometem suicídio (taxa 20 vezes maior que na população).

Obviamente, os pais desejam que os filhos não usem drogas, mas o que fazer para que eles não se interessem por essa fonte de “prazer” tão destrutiva?

É imprescindível já começar desfazendo um mito: o principal fator para o uso de drogas não é a influência dos amigos, embora ela não possa ser negada. Sabia disso? Os jovens não decidem usar drogas simplesmente porque ofereceram para eles; há outros fatores que os tornam vulneráveis para experimentar.

Pesquisas nacionais e internacionais revelam que o convívio familiar tem grande influência na questão do abuso de substâncias ilícitas. Um estreito relacionamento familiar dificulta a entrada das drogas nos lares.

O pai parece ser o principal responsável pela abstinência ou o uso de álcool (não podemos esquecer que o álcool, apesar de ser legalizado, causa muitos prejuízos para os indivíduos). Quanto mais estreito for o relacionamento emocional entre o pai e o filho ou a filha, maior será a abstinência. Por outro lado, o consumo do álcool pelo pai ou a própria ausência deste pode ser um fator desencadeador do uso dessa substância.

O discurso dos pais também é importante. Não é recomendável fazer observações como: “A droga já alastrou mesmo; ninguém segura esses jovens.” Ou: “Não tem muito que o fazer não. É só torcer para seu filho ficar livre.” Tais comentários, que tratam a droga como algo sobre o qual já se perdeu o controle, levam os jovens a pensar que é impossível evitá-las e que os próprios pais já estão cientes disso.

O fato de os pais terem amigos que possam dar bons conselhos e por quem o filho se simpatize também pode ajudar. Quando o filho não quiser ouvir os conselhos do pai, pedir auxílio para essa pessoa pode ser uma estratégia eficaz.

A religiosidade também atua como protetora contra o consumo de drogas. Entre as pessoas que tiveram educação religiosa formal na infância, acreditam que a religião é importante para sua vida, são praticantes das doutrinas que acreditam ser verdadeiras e frequentam a igreja regularmente, a religião influencia significativamente para a abstinência de drogas.

Estudo brasileiro realizado por Z. V. M Sanchez e colaboradores identificou que “a maior diferença entre adolescentes usuários e não usuários de drogas psicotrópicas, de classe socioeconômica baixa, era a sua religiosidade e a de sua família. Observou-se que 81% dos não usuários praticavam a religião professada por vontade própria e admiração e que apenas 13% dos usuários de drogas faziam o mesmo”.

As estratégias preventivas também têm um papel importante. Laços familiares saudáveis e boa prática religiosa são eficazes na recuperação de dependentes químicos.

Felizmente, as atitudes mencionadas podem manter os adolescentes e jovens bem longe desse mal. E, o melhor, não custam dinheiro. Naturalmente, não há garantia de que fazendo tudo certo os filhos estarão imunes ao uso de drogas, mas as chances disso acontecer são muito maiores. Proteja seus filhos!

Rosana Alves é psicóloga e doutora em Ciências

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