Evangelho da proximidade

Igreja investe em séries presenciais para tornar mais pessoal o momento da decisão
Em 2014, 105 mil visitantes acompanharam o evangelismo de colheita em 10.118 pontos de pregação. Foto: Pedro Matos
Em 2014, 105 mil visitantes acompanharam o evangelismo de colheita em 10.118 pontos de pregação. Foto: Pedro Matos

Desde que foi organizada em 1863, a Igreja Adventista mantém um costume que não se encontra de forma sistemática em outras denominações: o evangelismo público. A compreensão de que a segunda vinda de Cristo deve ser anunciada a todo povo, língua e nação (Ap 14:6-12) é o pilar central de sua mensagem, atualmente compartilhada em 215 países, e que explica a urgência dos adventistas em usar todos os métodos de evangelização, incluindo a exposição pública.

No Brasil, um país de proporções continentais, não demorou muito para que os adventistas usassem os meios de comunicação para vencer distâncias e encurtar caminhos com o objetivo de chegar a toda a criatura. Na década de 1940, a mensagem que antes era levada de porta em porta por meio de materiais impressos e pessoalmente através dos sermões passou a ser transmitida também pelas ondas do rádio. Já nos anos 50, ela também foi divulgada pela televisão por meio de programas como Fé para Hoje.

Ao compreender que a comunicação é uma ferramenta estratégica para que um maior número de pessoas conheça os ensinamentos bíblicos, a Igreja Adventista empreendeu a aquisição de suas primeiras rádios para, assim, difundir seus conteúdos diariamente. Em 1996, tiveram início as transmissões em um canal próprio de TV, hoje conhecido como Novo Tempo. E foi nesse contexto que outra modalidade evangelística foi introduzida: o evangelismo via satélite.

Com esse recurso, milhares de congregações adventistas, em toda região do país, passaram a acompanhar uma série especial de sermões, de temática única, através dos sinais vindos do espaço. A primeira vez em que isso ocorreu foi em 1996, com a programação gerada a partir do então Instituto Adventista de Ensino, hoje Unasp, campus São Paulo. O modelo perdurou até 2013. Porém, no ano passado, a sede sul-americana da igreja optou por algo diferente: levar um pastor evangelista (há mais de 4 mil em oito países) e evangelistas voluntários para cada um de seus templos e demais locais de reunião. O objetivo era claro: tornar mais pessoal a experiência evangelística. E por quê? Depois de apresentar um sermão na Igreja do Guará, em Brasília, durante o período conhecido como evangelismo público de colheita (22 a 29 de novembro), o pastor Luís Gonçalves esclareceu: “A ideia do evangelismo nesse formato é uma visão de multiplicação. O fato de você estar perto das pessoas faz com que o sermão não acabe no púlpito. Eu já terminei de pregar faz um tempão, mas estou aqui conversando com as pessoas. Essa é a extensão do sermão, coisa que por via satélite eu não posso fazer, já que no fim da mensagem o programa sai do ar. E, com um pregador em cada igreja, é possível orar com os participantes, visitá-los, e tudo isso torna o contato mais pessoal”, sublinha o pastor responsável pelo evangelismo público da igreja em nível sul-americano.

Isso não quer dizer que a denominação precise abolir o uso de transmissões via satélite. Ao contrário, ela tem compreendido a importância do recurso, mas, por outro lado, também entende que, quando alguém precisa dar um passo rumo à decisão ao lado de Cristo, isso precisa ser feito de forma pessoal, presencial e interativa. E isso nunca deixará de gerar resultados significativos.

Jefferson Paradello é assessor de imprensa da sede sul-americana da Igreja Adventista

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