À frente da ciência

Muitos princípios de saúde que foram revelados permaneceram por décadas sem comprovação científica; entretanto, ausência de evidência não significa evidência de ausência
Foto: Fotolia
Foto: Fotolia

Nos últimos 30 anos, o secularismo e o humanismo têm sido propagados como nunca antes pelos meios de comunicação e pelo sistema de educação. Dentro desse cenário, a ciência é tida como infalível e, ao mesmo tempo, a resposta promissora para todos os problemas que a humanidade enfrenta.

Infelizmente, um número crescente de cristãos, incluindo adventistas, vem sucumbindo a essas influências. Não é raro encontrar pessoas que depositam uma fé admirável na ciência e questionam o que está na Bíblia e nos escritos de Ellen White, principalmente no que diz respeito à saúde. Quando leem algo que está na revelação, querem usar a ciência para comprovar ou não o que está escrito. De fato, estão percorrendo o caminho inverso para verificar uma verdade.

Quando analisamos essa problemática no escopo da saúde, os que se apegam à ciência como a última palavra embasam sua confiança em três suposições: (1) que todas as empresas que patrocinam pesquisas de seus produtos o fazem de maneira honesta, seguindo rigorosamente o método científico; (2) que todos os pesquisadores são idôneos e jamais foram influenciados por ganhos financeiros, ambição acadêmica e vaidade pessoal; e (3) que existe uma fiscalização rigorosa sobre esses estudos.

No entanto, a realidade é outra. As pesquisas sobre alimentos e medicamentos passam por uma crise de integridade. Muitas publicações científicas, entre elas a revista da Sociedade Americana de Medicina, reconhecem isso. Manipulação de dados, conclusões forçadas, métodos errados, conflitos de interesses e ocultamento de dados são apontados como os principais problemas.

Com relação a medicamentos, temos um exemplo clássico que ocorreu algum tempo atrás, quando um laboratório multinacional nos Estados Unidos foi condenado a pagar 2 bilhões de dólares para compensar as vítimas dos efeitos colaterais de dois medicamentos: um para depressão, que estava provocando ideação suicida em alguns pacientes, e outro para diabetes, que aumentava os riscos de ataques do coração. Esses problemas foram detectados durante os testes preliminares, mas acabaram sendo ocultados. O caso não é isolado; trata-se de uma tendência.

Outro fato veio à tona recentemente. Em contraste com a revelação, que recomenda no máximo três refeições diárias, há mais de uma década pesquisas sugeriam que comer seis vezes ao dia, com intervalos de três horas, seria ideal para perder peso e melhorar a saúde. Hoje, pesquisas sérias indicam o contrário. A edição de 2014 do Guia Alimentar do Ministério da Saúde do Brasil, por exemplo, deu uma guinada de 180 graus em relação à sua posição anterior, dizendo que três refeições diárias equilibradas são suficientes para uma boa nutrição. Por quê? O governo realizou um estudo e verificou que os 25% dos brasileiros que comem no máximo três refeições são o grupo com menos problemas de peso e de saúde.

Isso não quer dizer que devemos ignorar pesquisas científicas, mas sim prová-las pela revelação. Se a ciência não comprova a revelação em algum ponto, significa apenas que ela ainda tem um caminho a percorrer. Deus, na sua infinita misericórdia, sempre revelou princípios que são necessários para nossa edificação em épocas em que não havia conhecimento disponível para compreendê-los.

Silmar Cristo é médico, consultor e autor de vários livros sobre saúde e qualidade de vida

Check Also

slider-o-mal-do-seculo-bem-estar-RA-maio-2015

O mal do século

Conheça dez passos que poderão ajudar você a lidar com a depressão.

  • Crislaine Barbosa

    Bem, acredito empiricamente que comer tres vezes por dia seja bom não só para o emagrecimento, mas também na melhora da gastrite (que tenho) por fazer o estomago descansar, mas quando fui ler o Guia Alimentar do Ministério da Saúde do Brasil
    está escrito que se deve comer no MINIMO 3x por dia, fazendo dois lanches saudaveis nos intervalos entre as principais refeições (o que contradiz aqui o post :/). Eu sou adventista e estou fazendo essa observação, pois é melhor deixar os fatos mais verídicos para que não venham outros a fazer criticas destrutivas.
    Mas, sabendo que é sim saudavel comer 3x ao dia, essas refeições durante o intervalo podem ser feitas no cado de serem frutas? ou melhor come-las durante as outras refeições?