O projeto mais importante

Se você investir em relacionamentos, sua vida será enriquecida emocionalmente
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Perdoar é o maior projeto que você pode idealizar no início de um novo ano. Foto: Lightstock

A cada início de ano, é comum estabelecer novos projetos, que variam de acordo com a idade, os costumes pessoais ou a fase da vida. Os projetos mais conhecidos incluem emagrecer, mudar de emprego ou arranjar namorado(a).

Avaliar o ano anterior pode ser um bom começo, antes de se criar um projeto novo. Aprender com o passado é privilégio dos sábios. Avaliar o superficial é fácil. Mas, quando se trata de avaliar o essencial, hesitamos. E o que é essencial? As pessoas e os relacionamentos. Sejam familiares, de amizade, amorosos ou de trabalho, os relacionamentos são o fator que mais enriquece emocionalmente a vida das pessoas.

Pense agora mesmo em como estão seus relacionamentos após um ano de convívio: Saudáveis ou adoecidos? Para relacionamentos saudáveis, um viva! Para relacionamentos adoecidos, perdão. Perdoar é, sem dúvida, o maior projeto que você pode traçar no início de um novo ano.

Quando uma pessoa experimenta mágoa e rancor de forma profunda, sua vida pode sofrer não apenas impactos emocionais e psicológicos, mas físicos. Os benefícios do perdão incluem a redução da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, diminuição de tensões musculares e estresse. Por outro lado, ­apegar-se ao ressentimento pode produzir dores de cabeça e no peito, insônia, enjoo e perda de apetite. Em casos mais graves, a mágoa pode gerar crises de ansiedade ou de pânico e até mesmo depressão. O impacto pode ser tão grande que a pessoa sente um efeito paralisante na vida.

Se perdoar traz benefícios e evita problemas de saúde, por que é tão difícil fazê-lo? É simples. Perdoar implica assumir um prejuízo para o qual nem sempre estamos preparados. Veja este exemplo banal: se eu pisar no seu pé e pedir perdão, você pode até me perdoar, mas é você quem ficará com a dor. No casamento, na relação entre pais e filhos, nas amizades, alguém, para perdoar, assumirá algum prejuízo a fim de não perder a pessoa.

Perdoar é um processo. Não é um interruptor de liga-desliga. Nesse sentido, o perdão é uma perspectiva para o futuro. Significa que você precisa sentir a dor. Ignorá-la seria uma estupidez total. Negar o contato com uma dor legítima é adiar um sofrimento inevitável, pois cada vez que você se lembrar da situação vai remoer a raiva por dentro. Isso é avassalador!

Outra coisa a considerar é que perdoar não dispensa a prática da justiça. Em alguns casos é preciso manter uma distância saudável de alguém que não é cuidadoso com você nem com seus sentimentos. E isso também é libertador.

Nem sempre são simples as circunstâncias que exigem nosso perdão. Há cônjuges que traem, pais violentos, crianças vítimas de abuso, sócios desonestos, amigos caluniadores e até famílias que perderam entes queridos assassinados. O perdão é sempre uma ação sobrenatural.

Se você carrega mágoas e ressentimentos que o escravizam e deseja definitivamente começar um ano mais leve, com mais saúde e cheio de esperança, decida hoje perdoar, seja quem for, o que for e por onde for.

Identifique como você se sente diante do que a pessoa lhe causou e faça o que for necessário para experimentar a paz que advém do perdão. Converse com alguém confiável e procure ajuda terapêutica, se for preciso. Não fique reprisando mentalmente o que feriu você nem fique esperando que as pessoas consertem as coisas. Assuma a decisão de um novo começo. Esse é um belo projeto, você não acha?

Talita Borges Castelão é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

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