A partícula sem Deus

Descobertas científicas revelam o quão pouco conhecemos do Universo e reafirmam o fato de que não surgimos do acaso

Foto: Fotolia
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O mundo científico ficou agitado há dois anos, quando o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN) anunciou, em Genebra, na Suíça, a descoberta de uma partícula totalmente nova, identificada como bóson de Higgs. Tratava-se de uma entidade subatômica, cuja procura durava quase 50 anos, e que também ficou conhecida como Partícula de Deus.

Uma matéria sobre o bóson, publicada à época num site brasileiro de divulgação científica, terminava assim: “Sejamos gratos aos cientistas que descobriram mais uma parte misteriosa da natureza sem a qual nada do que conhecemos hoje existiria, nem sequer nós mesmos.” Assim, atribuía-se a criação do Universo a uma partícula, não ao Criador de todas as partículas. O site agradecia apenas aos cientistas e à partícula. Por isso, o certo seria chamá-la, do ponto de vista dessas pessoas, de Partícula Sem Deus.

A importância do bóson de Higgs, segundo os físicos, está em sua capacidade de conferir massa às demais partículas. É mais ou menos como uma pessoa que nada em uma piscina e sai dela molhada. As partículas, ao atravessar o “mar de bósons de Higgs”, saem dele com massa. Como isso acontece? Aí você terá que perguntar a um físico… De qualquer forma, a despeito das interpretações filosóficas, as pesquisas realizadas no LHC (Grande Colisor de Hádrons) têm sido muito importantes para entender o mundo das partículas subatômicas.

O press release sobre a descoberta procurava, no entanto, arrefecer um pouco os ânimos: “O próximo passo será determinar a natureza precisa da partícula e seu significado para nosso entendimento do Universo. […] Toda a matéria que podemos ver parece não ser mais de 4% do total. Uma versão mais exótica da partícula de Higgs pode ser uma ponte para entender os 96% do Universo que permanecem obscuros.”

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O fato de conhecermos tão pouco da matéria do Universo e da realidade que nos rodeia deveria inspirar humildade nos cientistas. Curiosamente, as chances de que o Universo (com suas leis e constantes finamente ajustadas) tenha “surgido” por acaso e de que a vida tenha “aparecido” a partir de matéria inorgânica são menores do que uma em um milhão. Mas os cientistas evolucionistas encaram essa improbabilidade como fato!

Resumo da ópera: uma vez que se conhece tão pouco sobre o Universo, não deveria ser excluída a possibilidade de design inteligente na criação do cosmos. Se os números e as evidências factuais não nos falam contrariamente a essa conclusão, o naturalismo se trata unicamente de uma filosofia adotada por qualquer outro motivo que não o que seria oferecido pela ciência experimental.

Entender as partículas – e tudo o que nos rodeia – é uma aventura e tanto do conhecimento e é algo que deve sempre ser estimulado e promovido. Mas por que negar, baseado em opiniões e vontades, a existência do Criador das partículas e do Universo?

Michelson Borges é jornalista, editor na Casa Publicadora Brasileira e mantenedor do site www.criacionismo.com.br

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