Liberdade religiosa

Igrejas adventistas não foram alvo de ataques no Níger

Os dois templos existentes no país não foram atacados por manifestantes islâmicos

No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro, o Brasil foi palco de manifestações de representantes de diversos credos em defesa da paz e do respeito. A data foi estabelecida oficialmente no calendário brasileiro em 2007 e, desde então, é lembrada em todo o território nacional. Neste ano, as ações ganharam mais expressividade diante do que vem ocorrendo em países como o Níger, onde extremistas islâmicos destruíram dezenas de igrejas e outros estabelecimentos, numa onda de ataques que já deixou dez mortos desde o dia 16 de janeiro. Segundo noticiou a agência France Presse nesta semana, houve registro de ataques a 45 igrejas, cinco hotéis, 36 bares, um orfanato e uma escola cristã. As manifestações ocorreram em represália à publicação de charges de Maomé pelo jornal francês Charlie Hebdo. O Ministério das Relações Exteriores confirmou na última segunda-feira, 19 de janeiro, que dois templos evangélicos, duas igrejas presbiterianas e uma escola onde trabalham brasileiros foram destruídos em Niamey, capital do Níger. Em meio ao cenário de violência que atingiu igrejas cristãs e não cristãs na semana passada, os dois templos da Igreja Adventista existentes no país não foram alvo dos atentados.

Níger é um país de maioria muçulmana (98% da população). Embora o islamismo seja a religião oficial, constitucionalmente trata-se de um estado laico, que respeita a liberdade religiosa. Estima-se que entre 50 e 150 mil cristãos vivam no país atualmente. No entanto, a perseguição por parte de radicais islâmicos tem feito da região do Níger um território hostil para o cristianismo desde o século 7. Uma das regiões onde a liberdade religiosa é mais afetada é na fronteira com a Nigéria (um dos dez países mais opressores do cristianismo em 2014, de acordo com a “Classificação da Perseguição Religiosa“, pesquisa divulgada anualmente pela organização Portas Abertas). A despeito disso, os cristãos que vivem na República do Níger “têm uma visão crescente de plantação de igrejas e evangelismo”, segundo a entidade, que atua em 50 países em defesa de cristãos perseguidos. Os missionários protestantes foram os primeiros a chegar no Níger.

Igreja Adventista de Niamey, capital do Níger, inaugurada em 2004. Foto: Dioi Cruz / acervo pessoal
Igreja Adventista de Niamey, capital do Níger, inaugurada em 2004. Foto: Dioi Cruz / acervo pessoal

A Igreja Adventista vem atuando de maneira mais significativa nesse país desde a década de 1980, quando o governo autorizou a implantação da Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) e o estabelecimento de um escritório administrativo da organização, conforme explica o pastor Dioi Cruz, que atuou como missionário no Níger durante seis anos (2000-2006). O brasileiro, que hoje é missionário em Johannesburgo, na África do Sul, conta que presenciou poucos casos de manifestações de intolerância contra a igreja ao longo desse período. Um deles foi registrado em 2003, quando o templo de Niamey, pouco tempos antes de sua inauguração oficial, foi ameaçado por pessoas que prometiam incendiar as instalações da igreja adventista. Apesar desses  episódios, o missionário relata que “Deus abençoou a missão de várias formas. Foram batizadas 162 pessoas, e duas igrejas e uma escola foram construídas no período”.

Pastor Dioi Cruz realiza batismo no rio Níger. Foto: acervo pessoal/Dioi Cruz
Pastor Dioi Cruz realiza batismo no rio Níger. Foto: acervo pessoal/Dioi Cruz

O número de adventistas no Níger ainda é de aproximadamente 240 fiéis, numa população de aproximadamente 16,9 milhões de habitantes. Mesmo sendo minoria, a igreja tem sido reconhecida por sua relevância para a sociedade, pois mantém três escolas primárias, além de desenvolver projetos de capacitação profissional, na área de segurança alimentar e saúde pública, entre outras iniciativas voltadas para o desenvolvimento social.

“Oremos pelos cristãos que sofrem com a intolerância religiosa no mundo e para que, por meio desses conflitos sociais, políticos e religiosos, muitos sejam convencidos a buscar a Jesus Cristo, o rei da paz e nosso salvador”, exorta o pastor Dioi Cruz. [Márcio Tonetti, equipe RA]

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