Leitura inspirada

A melhor maneira de saber quem realmente foi Ellen White é ler os seus escritos
Foto: Daniel de Oliveira
Foto: Daniel de Oliveira

No fim da tarde de 16 de julho de 1915, os cabos de telégrafo levaram a notícia de que Ellen White, a “mensageira do Senhor”, estava descansando em paz. A mensagem chegou a tempo de ser anunciada no sábado de manhã em muitas igrejas. Devido ao seu estado de saúde, a família e a liderança da Igreja Adventista já haviam planejado onde e como seriam os serviços fúnebres. Por isso, na mesma tarde de seu falecimento, foram impressos os convites para as cerimônias que aconteceriam em três locais diferentes: no jardim de sua casa, na área da baía de São Francisco e, por fim, em Battle Creek, Michigan, onde ela seria sepultada ao lado de seu esposo.

Em Richmond, um subúrbio ao norte de Oakland, a Associação da Califórnia estava celebrando uma reunião campal. Ali se encontravam muitos conhecidos e amigos de Ellen White. Quando souberam de sua morte, pediram que seu corpo fosse levado até o local da programação. Assim, antes que Ellen fosse transportada de trem para Battle Creek, a família e os dirigentes da igreja concordaram em atender ao pedido. Segundo Artur White, autor do livro Mujer de Visión e neto da profetisa, o público convenceu a família com as seguintes palavras: “Se a irmã White estivesse viva e saudável, era aqui que ela gostaria de vir para nos ensinar como viver a vida cristã. Por que não permitir que ela seja trazida aqui e alguém nos diga como ela viveu?”

De fato, contar como ela viveu é a melhor maneira de tornar conhecido o ministério dessa extraordinária mulher. É surpreendente o fato de uma pessoa com apenas três anos de educação formal escrever cerca de cem mil páginas na forma de artigos, cartas e livros. Ela ainda permanece como a autora mais traduzida da história norte-americana e a terceira mais traduzida em todo o mundo, independentemente de gênero.

Após o sepultamento, o pastor William White, um dos filhos de Ellen White, voltou para Elmshaven. Ao ver a estante com os livros da mãe, ele se lembrou de suas palavras: “Aqui estão os meus escritos; quando eu me for, eles testificarão por mim.”

Um século depois, o legado de Ellen White permanece vivo e atual. Milhares de pessoas têm relatado que seu primeiro contato com a mensagem adventista ocorreu por meio da leitura de um de seus livros. No livro Mensagens Escolhidas, ela mesma afirmou: “Tenho escrito muitos livros, e tem-lhes sido dada ampla circulação. De mim mesma eu não poderia haver salientado a verdade contida nesses livros, mas o Senhor tem me dado o auxílio de Seu Santo Espírito. Esses livros, transmitindo as instruções a mim dadas pelo Senhor durante os sessenta anos passados, contêm esclarecimentos do Céu, e resistirão à prova da investigação.”

Portanto, a melhor maneira de saber quem realmente foi Ellen White é ler os seus escritos. Aquele que o fizer será tocado por palavras inspiradas que fortalecem nossa fé e esperança.

Fontes

Artur White, Mujer de Visión (Buenos Aires: Casa Editora Sudamericana, 2003), p. 575-580.

Herbert Douglass, Mensageira do Senhor (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2001), p. 108.

Ellen G. White, Mensagens Escolhidas (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1985), v. 1, p. 35.

Almir Marroni coordena a área de Espírito de Profecia na sede da Igreja Adventista para a América do Sul

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