Oração terapêutica

Pesquisas comprovam o efeito positivo do diálogo com Deus para a saúde

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Por muito tempo, ciência e espiritualidade foram consideradas coisas divergentes. Mas, nas últimas décadas, diversas pesquisas têm comprovado o efeito positivo da fé sobre a saúde. Um autor que se tornou referência mundial no estudo da espiritualidade e sua influência na saúde é o Dr. Harold Koenig. Ele tem 40 livros publicados, mais de 300 artigos científicos e dezenas de capítulos de livros.

As pesquisas têm aumentado e, grupos de estudos são formados para analisar o poder terapêutico da oração. No Brasil, o interesse no assunto ainda é recente, mas vários pesquisadores têm se dedicado à temática. Uma pesquisa liderada pela psicóloga Joelma Ana Espídula, da Universidade de São Paulo (USP), com voluntários do Hospital Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto, demonstrou que a recuperação de pacientes com câncer está diretamente ligada à sua religiosidade.

Roque Marcos Savioli, doutor em cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP, é outro estudioso brasileiro da área e já publicou alguns livros, entre os quais Fronteiras da Ciência e da Fé (Global, 2006). Em suas pesquisas, ele busca ver a relação entre a fé e a recuperação do doente. Além desses dois exemplos citados, há milhares de estudos na literatura médica mostrando os efeitos da religiosidade sobre a saúde. O que para a ciência é novidade, para os cristãos é uma realidade há mais de 2 mil anos. A Bíblia está cheia de promessas sobre o poder da oração e sua eficácia na vida do cristão, como a que se encontra em Tiago 5:16: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”.

Dez dias

A Igreja Adventista acredita no poder da oração e a vivencia na prática. O Ministério da Mulher trabalha com a oração intercessora com grupos de oração nas igrejas, e há três anos foi criado pela sede mundial da igreja um programa específico de intercessão chamado “10 Dias de Oração”. A proposta do projeto é fortalecer a igreja logo no início do ano. Além disso, como explica a responsável pelo Ministério da Mulher na América do Sul, Wiliane Marroni, o programa é uma oportunidade para convidar os amigos para conhecer melhor a igreja. “Queremos que a igreja abra as portas para que a comunidade também receba essas bênçãos”, diz ela.

O programa é sugerido pela igreja mundial, mas cada congregação faz adaptações dentro de sua realidade. Na América do Sul, cada igreja recebe uma revista com conteúdo sugestivo para os sermões do evento. Há também uma página na internet (adventistas.org/10dias) em que são disponibilizadas dez mensagens curtas gravadas pelos pastores Almir Marroni e Bruno Raso, que atuam na sede da Igreja Adventista para a América do Sul, e pelos pastores da TV Novo Tempo. No 10º dia do programa, no encerramento, o sermão é apresentado pelo pastor Erton Köhler, líder dos adventistas sul-americanos. Ele comenta as 10 horas de jejum sugeridas como parte do programa.

Neste ano, o projeto “10 Dias de Oração” ocorre de 19 a 28 de fevereiro, e há um incentivo para que se aumente o número de tendas de oração fora das igrejas. Assim, aqueles que não entrariam num templo podem ser convidados a receber uma oração na tenda. Wiliane reforça que a união dos membros é um dos grandes benefícios do programa. “Com a atividade, fortalecemos a igreja e preparamos os membros para pregar o evangelho a todos”, conclui.

Fé em ação

A vida sempre foi tranquila para Eliane Pupo Ferreira, 37 anos. Casada, mãe de seis filhos, ela mora em um sítio da cidade de Sete Barras (SP). Em agosto de 2013, ela e o esposo começaram a estudar a Bíblia com alguns adventistas do grupo de Barra do Ribeirão da Serra, que pertence ao distrito da cidade.

Em outubro do mesmo ano, ela começou a sentir fortes dores e procurou um médico. Após os exames, veio o diagnóstico: falência renal. O médico a colocou na fila de espera para transplante e disse que ela deveria começar a fazer hemodiálise o mais breve possível. A família foi avisada e os irmãos adventistas também. Foi então que os sete adventistas que estudavam a Bíblia com a família decidiram fazer um programa especial de oração intercessora em favor da cura de Eliane. Durante algumas semanas, eles oraram em seus lares no mesmo horário pela manhã e à noite em favor do milagre.

Nesse período, ao terminar os estudos da Bíblia, Eliane e o esposo decidiram pedir o batismo. Dia a dia, ela foi apresentando uma melhora perceptível e não recorreu ao hospital para fazer hemodiálise. Após alguns meses, com novos exames, mas já se sentindo melhor, ela retornou ao médico. Para seu espanto, o profissional de saúde percebeu que tudo estava bem. Mas ela sabia explicar o que havia acontecido. Ainda assim, o médico pediu outros exames para comprovar o diagnóstico.

Eliane voltará ainda no início deste ano para nova consulta, mas não sente dores e acredita que está curada completamente! “Embora o médico me diga ser preciso comprovar, em meu coração eu sei que fui curada”, afirma. “Acredito no poder da oração e sei que ela é imprescindível. Minha cura se deve às orações intercessoras feitas pelos irmãos em meu favor.” Se a medicina tem um papel indispensável, a oração tem um poder indiscutível. Miguel Lopes, que fez parte do grupo que orou por Eliane, tem certeza de que a oração a curou. “Depois que decidimos orar todos os dias por ela em horários específicos, vimos a mudança na vida dela. A oração intercessora tem poder, e temos prova disso”, destaca. Histórias como a de Eliane são exemplos da relação entre saúde e espiritualidade.

Religiosidade e saúde

Entre os diversos pesquisadores brasileiros que desenvolvem trabalhos nessa linha de estudo, existem cristãos como a doutora Gina Abdala, que leciona no mestrado em Promoção da Saúde do Unasp, campus São Paulo, e no curso de Enfermagem da mesma instituição. Sua tese de doutorado recebeu o título de “Religiosidade e Qualidade de Vida Relacionada à Saúde de Idosos: Estudo Populacional na Cidade de São Paulo”. Foram analisados 911 participantes de 60 anos ou mais. E a conclusão do estudo foi que, apesar da idade, a frequência aos cultos religiosos ajuda as mulheres idosas a ter melhor qualidade de vida física e mental. No caso dos homens, a religiosidade também é benéfica para a saúde mental.

Ainda não há uma equação matemática entre fé e cura, mas muitos estudos estão fortalecendo a evidência nesse sentido 

Com base nas publicações científicas e nos estudos que realiza, a doutora diz que ainda não há uma equação matemática entre fé e cura, mas muitos trabalhos de mestrado e doutorado estão fortalecendo a evidência. “Quando comecei o doutorado em 2010, a quantidade de artigos publicados com os descritores sobre espiritualidade ou religião era de 1,57 artigo por dia na base de dados da Pubmed, uma das mais importantes fontes de publicações médicas dos Estados Unidos. Em 2014, esse número cresceu para 4,6 artigos por dia”, ela comenta.

Nesse país, desde o ano 2000, mais de 60 escolas médicas já ministravam cursos sobre religião, espiritualidade e medicina. E os estudos têm mostrado que, quanto mais as pessoas se envolvem com a religião, melhor é sua saúde. Isso sem falar na melhoria do desempenho acadêmico e profissional.

Hoje há no Unasp, campus São Paulo, um grupo de pesquisa chamado Religiosidade/Espiritualidade na Integralidade da Saúde (REIS). Criado em 2013, é coordenado pela professora e doutora Dyrce Meira e validado pelo CNPq. A doutora Abdala faz parte desse grupo, que busca estudar a percepção dos profissionais de saúde quanto à assistência espiritual para o paciente.

O grupo é formado por quatro professores e 14 alunos de graduação, especialização e mestrado, que se encontram quinzenalmente para realizar pesquisas na área. Alguns materiais técnicos foram produzidos e recentemente desenvolveram um “kit” chamado “Oficinas de Espiritualidade e Saúde” para hipertensos. “Nosso plano é continuar produzindo material que seja útil para a igreja e a comunidade”, diz Gina.

A pesquisadora reforça que a ciência não tem todas as respostas para a relação entre espiritualidade e saúde, mas basta o ser humano passar por um simples momento de sofrimento e dor para que perceba a necessidade de esperança, alívio, conforto e paz. Tudo isso a fé pode oferecer. Ela funciona como um coping (enfrentamento) nas horas mais difíceis. “A ciência e a religião precisam andar juntas”, conclui Gina, lembrando uma afirmação do físico Albert Einstein: “A ciência sem a religião é manca. A religião sem a ciência é cega.” [Foto: Fotolia]

Rosemeire Braga é jornalista

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