Declarações polêmicas

Isaac Newton, o “pai da física”, e o cientista contemporâneo Stephen Hawking ocuparam  a mesma cadeira na Universidade de Cambridge. Mas, diferentemente de seu antecessor, Hawking tem ignorado que ciência e religião são duas lentes dos mesmos óculos

Creditos-da-imagem-Nasa-hs-2006-14-a-xlarge_webTempos atrás, Diane Sawyer, do canal ABC News, perguntou ao célebre físico Stephen Hawking sobre o maior mistério que ele gostaria de resolver. Resposta: “Quero saber por que o Universo existe, por que há algo maior do que o nada.” Hawking ocupou a cátedra Professor Lucasiano de Matemática da Universidade de Cambridge (posição que pertenceu a Sir Isaac Newton, o “pai da física”). Seus livros Uma Breve História do Tempo e O Universo Numa Casca de Noz se tornaram clássicos da literatura científica. Ele também fez aparições breves em produtos da cultura pop, como Os Simpsons e Star Trek.

Ultimamente, Hawking tem ocupado espaço na mídia graças a declarações polêmicas e que poderiam ser classificadas como a falácia (i)lógica non sequitur. Para Sawyer, ele disse: “Eles fizeram [Deus] um ser parecido ao ser humano, com quem se pode ter um relacionamento pessoal. Quando você olha para a vastidão do Universo e para como uma vida humana acidental é insignificante em si mesma, isso parece muito impossível.” (O que uma coisa tem que ver com a outra?)

Quando Sawyer perguntou se havia uma forma de conciliar a religião e a ciência, Hawking disse: “Há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade, e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque funciona.” (Ele parece ignorar o fato de que em ambas, ciência e religião, podemos e devemos utilizar a razão, mas que, infelizmente, igualmente em ambas, há muito de autoridade humana.)

Hawking andou falando, também, que é provável que exista vida extraterrestre, mas uma visita de extraterrestres poderia ser semelhante à chegada de Cristóvão Colombo às Américas. “Se os extraterrestres nos visitarem, o resultado seria muito parecido a quando Colombo desembarcou na América, que não deu muito certo para os nativos americanos”, disse ele. “Só precisamos olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente pode se desenvolver para algo que não gostaríamos de conhecer.” (O físico descarta a fé, mas faz livremente afirmações sem base factual.)

O universo pode criar a si mesmo?

Meses depois, o cientista voltou a ser notícia, dessa vez com uma declaração ainda mais bombástica: “Por haver uma lei como a gravidade, o Universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o Universo existe, pela qual nós existimos. Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o Universo.” (Perguntar não ofende: Como a gravidade pode existir quando não existe nada? Ou eu não entendi nada de minhas aulas de Física, ou mentes brilhantes também cometem falhas como essa…)

É uma mudança considerável de pensamento. Em Uma Breve História do Tempo, Hawking sugeria que a ideia de Deus ou de um ser divino não é necessariamente incompatível com a compreensão científica do Universo. Mas, em outro livro, The Great Design, o físico cita a descoberta feita em 1992 de um planeta que orbita uma estrela fora do Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o Universo não poderia ter surgido do caos. “Isso torna as coincidências de nossas condições planetárias – o único sol, a feliz combinação da distância entre o Sol e a Terra e a massa solar – bem menos importantes, e bem menos convincentes, como evidência de que a Terra foi cuidadosamente projetada apenas para agradar aos seres humanos”, afirma Hawking.

Com todo respeito a Hawking (afinal, devo muito do meu fascínio pela ciência à leitura, na adolescência, de Uma Breve História do Tempo), é uma contradição afirmar, sem base, que Deus não existe e, ao mesmo tempo, elaborar tantas especulações sobre extraterrestres hipotéticos. Hawking ocupou a cadeira que foi de Newton, mas não mantém a mesma postura do grande precursor da ciência que era, também, grande teólogo. Ciência e religião, para o “pai da física”, eram duas lentes dos mesmos óculos.

No site do jornal Diário Catarinense é dito que, “segundo [Hawking], as condições que deram à Terra o ambiente perfeito para a existência da vida humana são muito menos singulares do que se supunha. Ou seja, há muitos outros lugares no Universo com características semelhantes. Hawking vai além: é provável que existam outros universos. Ou seja, se a intenção de Deus era criar o homem, para que outros universos?”

Hipótese por hipótese…

Quem disse que a Terra é o único planeta projetado para acolher vida humana? Hawking parte de uma premissa hipotética não testável para negar a existência de Deus. No entanto, assume que possam existir leis finamente ajustadas (como a da gravidade) sem a necessidade de um Legislador e mesmo sem matéria. Diz ainda que o Universo poderia criar a si próprio a partir do nada, desafiando, assim, a lógica, a ciência e o bom senso. A existência de outros universos também é uma hipótese improvável, mas Hawking a usa para afirmar a não existência de Deus. Quem disse que a intenção de Deus era criar apenas os seres humanos deste planeta? Se vida for encontrada em outras partes do Universo, isso apenas provará que o design inteligente não existe apenas neste planeta, afinal, explicar a origem da vida – aqui ou em qualquer canto do cosmos – continua sendo um grande problema para os naturalistas. Mudar de ideia não é “crime”, mas essa “nova compreensão” de Hawking, em minha opinião, arranha seu tremendo legado intelectual.

Ao contrário do que ele pensa, Deus é pessoal e quer Se relacionar conosco, preenchendo o vazio que somente Ele pode preencher. Espero que o cientista e muitas outras pessoas façam a maior descoberta de sua vida: o Criador do Universo existe e logo vamos conhecê-Lo pessoalmente. [Foto: Nasa]

Michelson Borges é jornalista, editor na Casa Publicadora Brasileira e mantenedor do blog www.criacionismo.com.br

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    Perguntas que eu faria a Hawking:

    Se a vida brota espontaneamente, por que não a encontramos,
    ainda que sob formas diferentes, nos corpos celestiais já explorados? E por que,
    mesmo em nosso planeta, a espécie humana é a única dotada de inteligência e
    criatividade?

    Quando você olha a vastidão do Universo e tudo o que já foi explorado
    tecnologicamente, como você pode considerar a vida humana acidental e
    insignificante? Como acreditar que é fruto do acaso e que não há um sentido no
    fato de estarmos habitando este pequeno mundo?

    Sendo a espécie humana dotada de inteligência, como ela
    poderia ter “criado” Deus? Que método Adão poderia ter usado para conseguir
    enganar seus filhos, escondendo deles
    todos os seus supostos antecedentes, fazê-los acreditar no Éden, em uma Lei
    moral, na queda, e que um dia o próprio Deus viria morrer para resgatá-los?

    Como entender o
    conhecimento científico dos povos antigos que, sem o auxílio da tecnologia, nos
    deixaram tantos legados, sem considerar as revelações de Deus e o Seu
    relacionamento pessoal com a humanidade?

    Hawking acha absurda a ideia de que Deus criou a Terra
    apenas para agradar aos seres humanos, e que a Terra é o único planeta
    habitável. Será que ele não sabe que nós, os crentes, também achamos isso
    absurdo? A Palavra de Deus revela, pelo menos, um outro lugar, onde Deus habita
    com diferentes tipos de seres celestiais e alguns humanos comprados da Terra.