O desafio da multiplicação

Para chegar aos quatro cantos da Terra, a pregação do evangelho precisa crescer em escala exponencial

O-desafio-da-multiplicacaoFácil de entender, difícil de viver. Assim é o evangelho e assim é o desafio lançado para 672 pastores que atuam nas igrejas, sedes administrativas e instituições adventistas localizadas no Estado de São Paulo. Esse grupo que lidera 235 mil adventistas na região mais populosa e rica do Brasil terá como slogan para os próximos cinco anos de trabalho: “Desafio 1+1” (assista ao vídeo que explica o programa). A tarefa foi dada durante o concílio quinquenal da União Central Brasileira, em Águas de Lindoia, interior paulista, nos dias 1 a 5 de fevereiro.

Para tanto, não basta contar com a força institucional de centenas de pastores, oito sedes administrativas, duas clínicas de saúde, um hospital, uma fábrica de alimentos, uma editora e uma rede de rádio e TV. É preciso ter gente se envolvendo com gente.

Acreditar nesse efeito multiplicador do cristianismo, de ombro a ombro, passa pela compreensão de que cada adventista é um ministro – não no sentido de um profissional remunerado e com formação teológica, mas de alguém que voluntariamente serve ao próximo e testemunha sobre Cristo.
Essa foi a tônica do pastor Domingos Sousa, na abertura do evento. O apelo dele foi para que haja envolvimento individual na salvação de outros. O presidente da União enfatizou que a igreja é igreja quando se reúne para cultuar sob o mesmo teto, mas é igreja também ao longo da semana, quando seus membros se conectam intencionalmente com pessoas a quem desejam abençoar.

RECONSAGRAÇÃO DO MINISTÉRIO

Diante de um desafio missionário tão grande, a igreja tende a responder com consagração e desprendimento na medida em que vê essa atitude em seus líderes imediatos, os pastores. Por isso, em diversas oportunidades o grupo ministerial pôde refletir sobre a própria espiritualidade. “Nenhuma revolução na história aconteceu sem pessoas com visão e disposição de dar a vida por uma causa”, destacou o pastor Erton Köhler, líder dos adventistas sul-americanos, na última manhã do concílio.

Nos devocionais do pastor Alejandro Bullón a tônica foi de não cair na ilusão de buscar status, visibilidade ou poder. “É verdade que alguns de nós temos funções de destaque e falamos para multidões, mas ainda assim somos barro”, lembrou o ministro aposentado, que continua atendendo convites para falar em várias partes do mundo. “O ministério não é seu. Você apenas administra aquilo que Deus lhe confiou. E, quando Cristo voltar, vai cobrar o que lhe confiou”, aconselhou em outra oportunidade.

Os pastores também ouviram o testemunho de um ministro que emagreceu 40 kg depois de participar de um programa de reeducação de hábitos no Cevisa. Além do incentivo para o cuidado com a saúde, no momento final do concílio, dedicado às homenagens, eles foram sensibilizados a dedicar mais tempo para a própria família. “Amigos, voltem para casa e sejam pais, cristãos e pastores de verdade”, disse emocionado o pastor Erton ­Köhler, depois de entrevistar Thaís, uma jovem cadeirante que tem um ministério de pregação. Ela atribui a inspiração do seu trabalho ao pai, pastor Antônio Alencar. O desafio da igreja em São Paulo é contagiar cada membro com o desprendimento demonstrado pela Thaís. [Foto: Elnio Júnior]

WENDEL LIMA é editor associado da Revista Adventista

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