Pesquisa aponta principais motivadores do ceticismo religioso

Rejeição da Bíblia, falta de confiança nas igrejas e influência da cultura são apontados como os principais influenciadores do ceticismo religioso no século 21

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Segundo relatório recém-lançado pelo Instituto Barna sobre ceticismo religioso, 25% de todos os americanos adultos que não frequentam a igreja são considerados ateus ou agnósticos.
Um estudo divulgado neste mês pelo Instituto Barna mostrou que o número de céticos vem aumentando mais do que o esperado no contexto americano. De acordo com a empresa de pesquisa que explora as tendências do mundo religioso, as principais razões apontadas para a descrença na existência de Deus são a rejeição da Bíblia, a falta de confiança nas igrejas e a visão de mundo secular reforçada pela cultura.

Em relação ao primeiro indicador, dois terços dos entrevistados consideraram que a Bíblia é simplesmente um livro de histórias conhecidas e conselhos escritos por seres humanos, e cuja autoridade e sabedoria é a mesma de qualquer outro livro de autoajuda.

No entanto, apesar da antipatia ou indiferença com a Bíblia, o levantamento revelou que seis em cada dez céticos possuem pelo menos um exemplar das Escrituras. A maioria leu a Bíblia no passado e vários agnósticos ainda leem o livro pelo menos uma vez por mês. “O fato é que a maioria dos céticos tem alguma experiência com a Bíblia, e a maioria tinha alguma exposição regular a ele durante sua juventude”, afirma o estudo.

O relatório do Instituto Barna concluiu que dois terços dos céticos frequentaram igrejas cristãs no passado – a maioria por um período prolongado de tempo. No entanto, eles consideram a igreja hoje como um espaço que não gera vínculos fortes entre as pessoas, que não é relevante na comunidade e que tem uma visão radical sobre temas como guerra, política, casamento gay e aborto.

Muitas dessas concepções, segundo a investigação, são influenciadas por personalidades com forte exposição na mídia. “Tem surgido um novo extrato de celebridades que fazem apologia à antirreligião, que inclui Bill Maher, Sam Harris, Richard Dawkins, Stephen Hawking, Peter Singer, Woody Allen, Phillip Roth, Julia Sweeney e o falecido Christopher Hitchens”, afirma o estudo.

Mudança de perfil

De acordo com o Instituto Barna, o perfil do cético na atualidade é bem diferente do que era há duas décadas. Um desses indicadores é que eles são mais jovens. Vinte anos atrás, 18% deles tinham menos de 30 anos de idade. Hoje essa proporção representa quase o dobro (34%). Por outro lado, aqueles com 65 anos ou mais caíram pela metade nesse período (representam apenas 7%).

Outra mudança verificada é que esse grupo agrega pessoas com maior nível educacional. “Céticos de hoje tendem a ser mais bem educados do que no passado. Duas décadas atrás, um terço dos céticos eram graduados universitários, mas hoje metade do grupo tem um diploma universitário”, diz o relatório.

Além disso, muitas mulheres também estão engrossando as fileiras do ceticismo. “Em 1993, apenas 16% dos ateus e agnósticos eram mulheres. Em 2013, esse número tinha quase triplicado, passando para 43%. Este enorme aumento não é porque o número de homens céticos diminuiu. Na realidade, o número de homens tem aumentado de forma constante ao longo das duas últimas décadas, mas não tão rapidamente quanto o de mulheres”, conclui o estudo.

Outro fator identificado na pesquisa é que o ceticismo religioso se diversificou étnica e racialmente nos últimos anos. Os americanos brancos ainda são a maioria, mas também cresceu o número de céticos de origem hispânica e asiática. No entanto, embora tenha sido registrado um número crescente de céticos hispânicos, “eles continuam apresentando, junto com os negros, uma probabilidade menor de aceitar a ideia de um mundo sem Deus. Os americanos brancos, que constituem dois terços da população total do país, estão bem acima da média no que se refere à tendência de abraçar o ateísmo e o agnosticismo; eles compõem três quartos do segmento cético”, informa a pesquisa.

O estudo reúne dados de vinte inquéritos. No total, mais de 23 mil adultos foram entrevistados por meio de consultas telefônicas e online. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações do Instituto Barna]

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