Evangelismo no Rio de Janeiro recebe reforço na Páscoa

Foto: Francis Matos
Batismo na Igreja de Madureira, na zona norte. Durante a Semana Santa foram batizadas 765 pessoas no Rio de Janeiro
Na Semana Santa, cidade recebeu a ajuda de 58 oradores que trabalham em instituições adventistas

No ano em que o Rio de Janeiro completa 450 anos, as principais comemorações pela data ocorreram em março. E foi no fim desse mês festivo que a Igreja Adventista contribuiu para tornar a cidade ainda mais maravilhosa. Dos dias 28 de março a 4 de abril, membros e pastores investiram tempo e recursos numa intensa e abrangente programação de Semana Santa. Em 2015, as igrejas e os pregadores locais receberam o reforço de 58 oradores que trabalham na emissora de TV (Novo Tempo), editora (CPB) e nas sedes regional (Useb) e sul-americana (DSA) da denominação.

Como estratégia de evangelização, a liderança adventista optou por reunir membros e visitantes em 2.720 pequenos grupos nos cinco primeiros dias da programação. No restante da semana, os sermões sobre a paixão de Cristo foram pregados em 420 igrejas. Além disso, ao longo da semana, seis caravanas evangelísticas lideradas pelo pastor Luís Gonçalves atraíram 5 mil pessoas em Angra dos Reis, Paraty, Itaguaí, Volta Redonda, Rezende e na Baixada Fluminense.

Programa com pastor Ivan Saraiva e quarteto Arautos do Rei atraiu 2 mil pessoas na cidade Comendador Levy Gasparian, na região serrana. Foto: Leonidas Guedes
Programa com pastor Ivan Saraiva e quarteto Arautos do Rei atraiu 2 mil pessoas na cidade Comendador Levy Gasparian, na região serrana. Foto: Leonidas Guedes

Por sua vez, no município de Comendador Levy Gasparian, na região serrana, uma caravana evangelística com o pastor Ivan Saraiva e o quarteto Arautos do Rei reuniu 2 mil pessoas. No sábado, dia 4, os ginásios do Olaria e do Miécimo da Silva, na capital, receberam 10 mil pessoas para celebrar os resultados da semana e testemunhar mais batismos.

Cantata e caravana
No bairro Colégio, pelo segundo ano consecutivo, o coral Advento montou um palco na rua da igreja para apresentar uma cantata à comunidade. Na sexta, dia 3, os vizinhos do templo se acomodaram em cadeiras para ver a encenação sobre a morte de Cristo. Maria das Graças Martins dos Santos foi uma delas. “Fiquei comovida com a imagem de Jesus sendo crucificado, e fiquei pensando que aquilo foi pela gente”, disse. Os nomes dos visitantes foram anotados a fim de que recebam estudos bíblicos. O pastor Maurício Lima, presidente da União Sudeste Brasileira, foi o orador do programa dirigido pela igreja local.

Na ilha de Paquetá, em plena baía de Guanabara, os primeiros passos para o estabelecimento de uma igreja adventista foram dados na Semana Santa. Cerca de 30 pessoas frequentaram as reuniões num salão alugado. Um casal de instrutores bíblicos mudou-se para lá a fim de apoiar os esforços dos sete adventistas que vivem na ilha com 5,5 mil habitantes. Na ilha em que transitam apenas carroças e bicicletas, muitos moradores têm acesso à TV Novo Tempo via Sky.

Apelo para a decisão
O período também foi dedicado ao treinamento. Na quinta, dia 2, o pastor Luís Gonçalves, evangelista da sede sul-americana, ministrou uma aula sobre como fazer apelos na pregação. “O sermão evangelístico é diferente de uma palestra. A palestra informa, o sermão transforma”, diferenciou. “Enquanto você não pregar com a esperança de que as pessoas tomarão a decisão naquele dia, poucas coisas ocorrerão”, completou.

Evangelista experiente, pastor Luís Gonçalves orientou demais ministros sobre como fazer apelos nos sermões. “O apelo deve ser sincero, claro e urgente”, pontuou. Foto: Kátia Nunes
Evangelista experiente, pastor Luís Gonçalves orientou demais ministros sobre como fazer apelos nos sermões. “O apelo deve ser sincero, claro e urgente”, pontuou. Foto: Kátia Nunes

Luís falou com a experiência de quem tem influenciado milhares ao batismo. Na noite anterior ao treinamento, ele testemunhou a decisão de quase 60 visitantes que acompanhavam seu sermão na Igreja de Madureira, na zona norte do Rio. Oito internautas que assistiam ao culto por meio do site da igreja também responderam positivamente ao apelo. Segundo o evangelista, o apelo precisa ser sincero, claro e urgente. O momento de capacitação foi encerrado com o batismo surpresa de três pessoas.

Participação da CPB
Uma novidade da programação da Semana Santa deste ano foi a participação de oito pastores que atuam como editores na Casa Publicadora Brasileira (CPB). “Essa experiência foi uma oportunidade de atuar de forma mais direta em outra frente de trabalho. Escrever e editar é muito importante, mas evangelizar pessoalmente no púlpito permite uma percepção imediata do resultado da mensagem. Testemunhar vidas sendo tocadas pelo Espírito Santo não tem preço”, avaliou o pastor Vinícius Mendes, editor de livros na CPB. Ele pregou na Igreja de Mallet, onde sete pessoas tomaram a decisão pelo batismo.

CPB enviou oito editores para pregar nas igrejas cariocas durante a Páscoa. Pastores da TV Novo Tempo e das sedes adventistas também participaram do evangelismo. Foto: Kátia Nunes
CPB enviou oito editores para pregar nas igrejas cariocas durante a Páscoa. Pastores da TV Novo Tempo e das sedes adventistas também participaram do evangelismo. Foto: Kátia Nunes

O pastor Wellington Barbosa também vê outra vantagem na parceria entre a editora e a igreja. “Estar presente na vida da igreja mostra para os membros que a missão da CPB é ser uma parceira ativa e importante no processo de evangelização e discipulado. Além disso, ajuda a fortalecer a marca e a presença da instituição junto ao seu público”, pondera o editor de livros que pregou na Igreja de Piqueróbi. Lá, ele batizou três pessoas.

Continuidade
Ao fazer o balanço do evangelismo de Semana Santa, o pastor Everon Donato, coordenador do programa em nível sul-americano, destacou a dedicação de pastores e membros para que o planejamento fosse cumprido. “Tínhamos a expectativa de ter um movimento massivo e isso ocorreu. Quando a igreja se une, as coisas começam a acontecer de maneira diferenciada”, ressaltou.

Everon estima que na Páscoa deste ano a igreja trabalhou em 83 mil pontos de pregação em toda a América do Sul, o que representaria crescimento de 10% em relação ao ano passado. Ele acredita que o evangelismo por meio dos pequenos grupos é um caminho sem volta porque atende a necessidade humana por relacionamentos significativos.

“E o que nós queremos é que essas pessoas se tornem discípulas verdadeiras de Jesus. A missão não termina por aqui. As igrejas precisam continuar com as classes bíblicas, pequenos grupos e com o ciclo do discipulado, a fim de que essas pessoas entendam seu papel no reino de Deus e deem frutos para a glória dele”, concluiu.

Quanto à continuidade do calendário missionário da igreja, Everon informou que a TV Novo Tempo preparou uma nova série sobre o livro do Apocalipse que será apresentada ao longo de 18 semanas no programa Bíblia Fácil. A ideia é que as igrejas utilizem esses estudos bíblicos apresentados pelo pastor Arilton Oliveira nas classes bíblicas locais.

Contexto desafiador
Conhecido internacionalmente como o cartão-postal do Brasil, O Rio de Janeiro sofre de longa data com problemas notórios, como a violência e o trânsito. Segundo pesquisa da empresa TomTom, que analisou 146 metrópoles do globo por meio de dados levantados por GPS, o Rio tem o terceiro trânsito mais congestionado do mundo, perdendo apenas para Istambul (Turquia) e Cidade do México (México).

Porém, o que chama mais a atenção dos adventistas são as peculiaridades religiosas e os desafios evangelísticos da capital fluminense. Os dados do último Censo confirmam que no Rio de Janeiro reina a pluralidade religiosa. Lá, os católicos representam 51% da população, bem menos do que a média nacional (65%). Por sua vez, esse declínio do catolicismo abre espaço para outras confissões. A presença de espíritas no Rio é quase o triplo da estimativa nacional, o mesmo acontece com os adeptos de religiões de matriz africana e com os que se declaram ateus e agnósticos. Toda essa configuração desafia a missão adventista. Apesar de 20 mil membros viverem no Rio de Janeiro, essa é a capital brasileira com menor proporção de adventistas por habitante. [Wendel Lima, equipe RA / Com informações de Dina Karla Miranda e Francis Matos]

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