A toda tribo

As missões com povos indígenas demandam tempo, contextualização e mais voluntários. A despeito de todos os desafios, a mensagem de Cristo tem alcançado novas etnias.

Os olhares de comunidades indígenas ao redor do mundo estão voltados para o Brasil neste ano. O motivo é que Palmas, capital de Tocantins, vai sediar a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. O evento deve reunir mais de 2 mil atletas de 30 países.

A grande concentração de nativos marcada para setembro é vista pela liderança da igreja na região como uma oportunidade de aproximação com esse público. Por isso, várias ações vêm sendo estruturadas para a data, como a produção de materiais evangelísticos e educativos que serão distribuídos em línguas nativas para atletas e espectadores.

Em questões indígenas, o pioneirismo da região Centro-Oeste do país vai muito além do esporte. Foi na mesma geografia que a Igreja Adventista iniciou na década de 1920 os primeiros esforços para alcançar populações nativas brasileiras. Essa missão transcultural começou com a chegada do pastor norte-americano Alvin Nathan Allen, que trazia na bagagem a experiência adquirida entre nativos do Peru e da Bolívia.

Mas, quase 90 anos depois, como está a presença adventista entre esses povos? O que mudou desde o primeiro contato com os índios carajás? E quais são os principais desafios enfrentados hoje nessa parte do mapa?

Matson Santana e sua esposa, Luana Almeida, fazem parte de uma nova geração de missionários que, conforme expressa Wilson Sarli no livro Uma Viagem no Tempo, lançado pela CPB em 2014, “levantaram o ideal da missão do Araguaia, dando-lhe uma roupagem atual e moderna, mas sem perder de vista os ideais dos pioneiros”. Eles contribuíram não apenas para a renovação da missão nas aldeias da Ilha do Bananal, mas também para que a mensagem do advento chegasse a outras etnias.

MINISTÉRIO INDÍGENA

Foi com essa nova roupagem que surgiu o Ministério Nativo em 2009. “Ele foi criado em resposta à necessidade de expandir o alcance da igreja entre povos nativos. Trata-se da primeira vez em que um ministério específico junto aos povos indígenas é organizado na América do Sul”, explica Matson, que liderou o projeto e hoje atua como missionário no Egito.

Durante cinco anos vivendo no coração do Brasil, a família Santana estabeleceu contato com 12 etnias. A apinajé, no norte do Tocantins, foi uma delas. A aproximadamente 15 km da cidade de Tocantinópolis – município com 22 mil habitantes, situado na divisa com o Pará – fica a aldeia Cocal Grande. O cacique Josué Dias Souza foi um dos primeiros a aceitar o evangelho nessa etnia.

A aldeia Cocal Grande, localizada no Norte do Tocantins, é a maior comunidade adventista na etnia apinajé. Foto: Márcio Tonetti
A aldeia Cocal Grande, localizada no Norte do Tocantins, é a maior comunidade adventista na etnia apinajé. Foto: Márcio Tonetti

Ele nos recebeu na pequena igreja construída com troncos de árvores e coberta com folhas de uma palmeira típica da região. O contato inicial dessa tribo com os adventistas aconteceu de maneira surpreendente. Josué conta que havia saído para caçar num sábado, como é costume nas tribos dessa etnia. Na floresta, ele sentiu o desejo de orar pedindo que Tintum (Deus, na língua dos apinajés) enviasse alguém para ensinar-lhe a Bíblia.

O cacique apinajé Josué Dias Souza compõe hinos na língua nativa. Prática vem sendo incentivada pela Igreja Adventista como uma forma de preservação da cultura nativa. Foto: Márcio Tonetti
O cacique apinajé Josué Dias Souza compõe hinos na língua nativa. Prática vem sendo incentivada pela Igreja Adventista como uma forma de preservação da cultura nativa. Foto: Márcio Tonetti

A relação do cacique com as Escrituras já vinha de algum tempo, pois ele havia começado a traduzir parte do livro sagrado para o idioma local. Mesmo assim, Josué relata que sua compreensão do texto bíblico era bastante limitada, e esse era um dos motivos daquela prece. Ao retornar para a aldeia, ele recebeu uma visita inesperada. “Um homem apareceu na aldeia procurando alguém que falasse e escrevesse bem o português. Ele disse que era pastor e que estava ali para ensinar sobre Jesus e trazer a paz. Entendi como resposta quase imediata de ­Tintum ao meu pedido”, conta o líder, que na época trabalhava como docente na escola local.

Ao longo de cinco anos, 28 apinajés foram batizados. Esse avanço se deve em grande parte ao trabalho voluntário do casal Laudelino e Geni Dantas. Há sete anos, a família se mudou de Catanduva (SP) para Tocantinópolis e percebeu a necessidade de evangelizar esse grupo que, de acordo com eles, até hoje enfrenta muito preconceito na região. “Quando chegamos aqui, começamos a ver os nativos que costumavam vir em grupos para a cidade. Mas era difícil uma aproximação. Pela história de exploração vivida pelos índios, eles tinham muito medo do kupen [homem branco]”, relata Laudelino.

O pastor Miraldo Fag-tanh e o casal Laudelino e Geni Dantas. Igreja Adventista na região Centro-Oeste iniciará mapeamento da atuação de missionários voluntários nas aldeias. Foto: Márcio Tonetti
O pastor Miraldo Fag-tanh e o casal Laudelino e Geni Dantas. Igreja Adventista na região Centro-Oeste iniciará mapeamento da atuação de missionários voluntários nas aldeias. Foto: Márcio Tonetti

Mesmo sem conhecer bem a língua apinajé, o casal de agricultores conseguiu criar vínculos com a comunidade. Com o tempo, o medo deu lugar a uma história de amizade. Uma prova disso é que eles receberam até um nome indígena. Para chegar a tal ponto, Laudelino e Geni não pouparam esforços, apesar das limitações financeiras e das dificuldades de acesso às aldeias da região. Com sol ou chuva, eles realizam visitas semanais a essas comunidades, usando uma Belina ano 1985, veículo que tem sido empregado quase exclusivamente para a causa missionária.

A continuidade da assistência prestada por ambos durante os últimos cinco anos abriu novas portas para a pregação do evangelho. “A gente não tem estudo nem material algum. Mas, graças a Deus, a obra tem avançado. Além disso, também aprendemos com eles e revemos nossos valores”, assegura Laudelino.

O exemplo do casal está levando outros a se envolverem com a missão em território indígena. Tadeu e Norma Oliveira, sobrinhos deles, foram algumas das pessoas influenciadas. Há um ano, eles também saíram do Estado de São Paulo com planos de seguir os passos dos tios. “A gente vinha a ­passeio e gostava de visitar as aldeias com eles. Assim, realizar um ministério entre os nativos acabou se tornando nossa meta antes mesmo que mudássemos de endereço”, afirma Tadeu. “Vinte dias depois da mudança de São Paulo para Tocantinópolis a gente já começou a evangelizar nas tribos”, completa Norma, que ajuda a atender duas comunidades apinajés.

Há um ano, voluntários iniciaram trabalho em duas novas aldeias apinajés. A comunidade Areia Branca foi uma delas. Recentemente, o evangelho também começou a ser pregado na etnia xerente. Foto: Márcio Tonetti
Há um ano, voluntários iniciaram trabalho em duas novas aldeias apinajés. A comunidade Areia Branca foi uma delas. Recentemente, o evangelho também começou a ser pregado na etnia xerente. Foto: Márcio Tonetti

A atuação da igreja nessas localidades já despertou o interesse de outras aldeias em receber o evangelho, segundo informa o líder do Ministério Nativo no Tocantins, pastor Eronildo da Silva. “Outros caciques perceberam a diferença que a aceitação do evangelho está fazendo, como a redução dos índices de alcoolismo, do consumo de drogas e da prostituição, e querem que a igreja atue lá também”, ressalta. Nesse sentido, a aldeia Cocal Grande é uma das principais referências para eles. “Com a ajuda de Deus e do irmão Laudelino muita coisa mudou. Muitos abandonaram a bebida e o hábito de fumar – eu era um dos que sofriam com esses vícios. Também foram reduzidos os casos de brigas e de furtos. Depois que conhecemos a Bíblia, nossa vida melhorou totalmente”, confirma Josué.

ESCASSEZ DE VOLUNTÁRIOS

Leandro Freire, pastor que atende o território que abrange as aldeias apinajés, conta que líderes de outras 30 tribos já se mostraram receptivos para a abertura de novos centros de pregação. Mas ele observa que um dos grandes desafios continua sendo o mesmo que o pioneiro Alvin Nathan Allen registrou, décadas atrás, em seu diário: poucos estão dispostos a ser pastores das “ovelhas perdidas da floresta”. “Nossa maior necessidade é de liderança e de disponibilidade dos irmãos”, reforça Eronildo da Silva.

Historicamente, a missão entre os nativos esteve bastante vinculada ao trabalho de pastores, instrutores bíblicos e da ADRA, bem como a projetos de curta duração desenvolvidos por voluntários de diversas áreas (especialmente da saúde) e instituições educacionais adventistas. Entretanto, a obra a ser feita também depende em grande parte da participação dos membros que residem nas cidades adjacentes. Uma das formas de se despertar essa consciência missionária tem sido a realização de programas que possibilitem maior integração entre as igrejas das aldeias e as de cidades vizinhas. Esse intercâmbio acontece por meio de congressos regionais e visitas recíprocas.

A carência de pessoas disponíveis para ir e fazer discípulos também existe no meio das comunidades nativas. Por isso, a igreja vem tentando encontrar formas de discipular os indígenas. Mas essa é uma tarefa complexa. Na opinião de Miraldo Fag-tanh Oliveira, pastor que se dedica aos nativos na região Centro-Oeste, “a maioria dos modelos usados nas igrejas ‘normais’ precisa ser adaptado para essas realidades e isso exige tempo”. No entanto, como aproveitar em cada cultura elementos que favoreçam esse processo? Ainda não há respostas claras para essas perguntas. E a diversidade cultural brasileira desafia a lógica das missões transculturais, pois, segundo o censo do IBGE de 2010, existem 305 etnias, que, conforme observa Miraldo, reagem de maneiras completamente distintas.

Tewahura, o primeiro missionário carajá. Ele realizou um curso de instrutor bíblico em Brasília e chegou a visitar tribos no Canadá. Foto: Márcio Tonetti
Tewahura, o primeiro missionário carajá. Ele realizou um curso de instrutor bíblico em Brasília e chegou a visitar tribos no Canadá. Foto: Márcio Tonetti

Casos como o de Tewahura Karajá motivam estudos. Ele é considerado o primeiro carajá a atuar como missionário em sua própria terra. “Alguém me chamou para trabalhar como professor e eu não aceitei. Numa outra vez, alguém me chamou para ser enfermeiro e eu também me recusei. Mas, quando Deus me chamou para ser um obreiro dele entre os índios, eu não hesitei”, enfatiza.

A história do homem que fez parte do primeiro grupo de adventistas batizados pelo pastor Calebe Pinho, em 1975, se popularizou por causa do livro Missão Carajás, do pastor e jornalista Paulo Pinheiro. Desde a conversão ao adventismo, a vida de Tewahura foi caraterizada pelo compromisso com a missão. “Todos os sábados, a pé ou de bicicleta, ele atravessava 40 quilômetros por atalhos, dentro da selva, até Santa Isabel do Morro, para pregar o evangelho”, narra o autor.

Tewahura está com 78 anos e continua morando na aldeia Fontoura, que já consistiu no principal núcleo de atuação da igreja e da ADRA às margens do rio Araguaia, na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. Seu desejo é continuar pregando em tribos ainda sem presença adventista, mas a idade avançada já não lhe permite transitar por esses lugares como antigamente. Ciente de suas limitações, ele está preparando o neto dele, Juraci Bituare, de 30 anos, que é um dos colaboradores da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) na tradução das Escrituras para o idioma dos carajás (leia o quadro “Na língua do povo”).

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INCUBADORAS DE MISSIONÁRIOS

Duas frentes de atuação da igreja dão sinais de que podem contribuir para que nasçam novos “Tewahuras”: o clube de desbravadores e a educação adventista. Entre os carajás, existem duas agremiações, totalizando 80 integrantes. Em média, 20 desses juvenis aceitam estudar a Bíblia todos os anos.

Os desbravadores carajás já participaram de camporis regionais, nacionais e até de abrangência internacional, como foi o caso da edição sul-americana, realizada na cidade paulista de Barretos em janeiro de 2014.

Os primeiros batismos entre os carajás levaram mais de 50 anos para acontecer. O desafio hoje é formar novos missionários entre os nativos

José Alberto Barbosa trabalha como instrutor bíblico na região e atende os clubes carajás. Ele conta com o auxílio de jovens como Yriwana, de 18 anos, um dos líderes nativos do clube na aldeia Santa Isabel do Morro. “Temos trabalhado para formar liderança, a fim de que eles sejam os próximos dirigentes, não só do clube, mas da igreja”, afirma Barbosa.

Por vezes, o próprio clube também serve de ponte para programas de estudo em instituições adventistas. Ao longo das últimas décadas, muitos nativos receberam apoio para estudar em internatos da organização. Waxiaki Karajá, que se formou em 2006 no Unasp, foi a primeira da etnia carajá a concluir o curso de Pedagogia em uma instituição adventista. A professora vive na aldeia Santa Isabel e continua firme na igreja. Entre as contribuições que ela tem dado está a tradução das Escrituras e de músicas para o idioma local.

Nos últimos anos, não apenas os internatos estão abrindo portas para os nativos, mas também as escolas de externato. No Colégio Adventista de Gurupi (TO), por exemplo, estão seis estudantes carajás, que receberam bolsa para cursar o ensino médio. “Esperamos contribuir para que eles retornem para suas comunidades dispostos a servir em várias áreas”, afirma o diretor da instituição, Alfeu Machado Reis.

PASTORES LOCAIS

Além de professores, enfermeiros e outros profissionais, a educação adventista também tem devolvido pastores nativos para as sociedades indígenas, o que pode representar um grande passo para se avançar na pregação do evangelho de maneira mais contextualizada (leia o quadro “Chaves para comunicar o evangelho”). O aposentado João Weheriá, que ainda vive na região do Araguaia, abriu esse caminho na década de 1980, tornando-se, em 1993, o primeiro pastor indígena adventista ordenado. Já no primeiro ano como missionário, Weheriá batizou 25 índios.

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Hoje é o pastor Miraldo Fag-tanh, da etnia guarani, quem auxilia as missões. Ele é o único nativo no Brasil que exerce o ministério entre povos indígenas, sendo mantido pelos escritórios administrativos da organização no Centro-Oeste.

O aumento do número de jovens indígenas com formação em Teologia é crescente. Nos últimos anos, a Faculdade Adventista da Amazônia (Faama) tem concentrado a maior parte desses estudantes. Atualmente, um aluno está cursando Teologia na instituição e outro deve retornar no segundo semestre para concluir a graduação. Em 2013, Alex Alfredo Alves, da etnia taurepang (localizada na divisa do Brasil com a Venezuela, região em que tribos indígenas inteiras vêm abraçando a fé adventista desde o início do século 20), concluiu o curso na mesma faculdade.

Para o historiador Ubirajara Prestes Filho, “o principal foco de preparo desses pastores deve partir do Norte do Brasil, uma vez que a maior presença indígena está concentrada ali”. Mas o Nordeste, Sul e Sudeste podem igualmente contribuir com esse processo, uma vez que reúnem uma parcela significativa de povos indígenas.

NOVOS TEMPOS

Como expressou Wilson Sarli, as missões entre indígenas no cenário brasileiro vivem um “novo tempo” e ganham novo fôlego no século 21, o que pode ser notado principalmente na região Centro-Oeste. Outra evidência disso é que, nos últimos anos, o Ministério Nativo também passou a se preocupar com a necessidade de aprofundar estudos em missiologia e refletir sobre a prática missionária entre os índios.

Com 20 mil Km² de extensão (área equivalente à do estado de Sergipe), a Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo. Esse território abriga cerca de quinze aldeias indígenas de cinco etnias. A maior dessas comunidades é a aldeia Santa Isabel, da etnia carajá. Foto: Márcio Tonetti
Com 20 mil Km² de extensão (área equivalente à do estado de Sergipe), a Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo. Esse território abriga cerca de quinze aldeias indígenas de cinco etnias. A maior dessas comunidades é a aldeia Santa Isabel, da etnia carajá. Foto: Márcio Tonetti

Esse olhar analítico deve permitir que a igreja avance no respeito às culturas nativas, evitando, porém, cair no sincretismo. Entender a correta relação do evangelho com a cultura é um dos grandes desafios na atualidade e, ao mesmo tempo, o que pode mudar a imagem negativa atrelada à figura do missionário nos últimos tempos.

Desde o século 19, considerado o “grande século” de envio de missionários, as missões entre os índios e outros grupos minoritários despertaram críticas e ataques de antropólogos que entendiam a evangelização como uma prática imperialista.

A ideia do missionário que leva “civilização” aos índios pode ser vista em filmes como A Missão (1986). Mesmo em épocas mais recentes, essa visão esteve presente na literatura e na historiografia brasileiras. No clássico Casa-Grande e Senzala, por exemplo, Gilberto Freyre afirma que “o missionário tem sido o grande destruidor de culturas não europeias, do século XVI ao atual” e que “sua ação mais dissolve que a do leigo”.
Tal imagem negativa ganhou terreno com a influência americana e europeia exercida sobre as missões mundiais. Suas bases ideológicas motivavam os missionários a sair para outros países – inclusive para a América Latina e Brasil – com atitudes paternalistas. Esse fato criou “problemas de dependência e superficialidade”, conforme comenta Barbara Helen Burns, organizadora do livro Contextualização Missionária: Desafios, Questões, Diretrizes.

Essa concepção, no entanto, mudou a partir da década de 1980, conforme acredita o historiador Ubirajara Prestes Filho. Ele defendeu uma tese, em 2006, no programa de História Social da USP, intitulada “O indígena e a mensagem do segundo advento: missionários adventistas e povos indígenas na primeira metade do século XX”. “A antropologia começou a ver o próprio protagonismo dos índios, não mais percebidos como agentes passivos. Assim, a antropologia hoje está muito mais para a perspectiva da interação cultural e das pontes de comunicação do que para a ideia de ­aculturação. O missionário passa a ser visto não mais como aquele que impõe sua cultura, embora ao longo da história muitas vezes houve a tentativa de se fazer isso”, explica.

No artigo “O evangelho e a aculturação indígena”, o pesquisador Ronaldo Lidório, que tem contribuído para o avanço dos estudos na área de antropologia missionária, argumenta que a raiz do movimento missionário evangélico é preservacionista, e isso tem evitado o fenômeno que ele cita no livro Contextualização Missionária: “templos de cimento para culturas de barro, pianos de cauda para povos de tambores, terno e gravata para os de túnica e turbante, sermões lineares para pensamentos cíclicos, sapatos engraxados para pés descalços.”

No contexto adventista, houve um amadurecimento nesse sentido ao longo de quase um século de missões entre indígenas. Mas os desafios ainda são consideráveis. Afinal, os indígenas adventistas representam apenas 0,62% do número de membros da igreja no país e 1,13% da população nativa brasileira (veja o infográfico O Brasil indígena). Há uma grande obra a ser feita para que o evangelho chegue a toda tribo. E isso demanda tempo e requer contextualização e pessoas disponíveis.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

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  • Brad

    Linda a matéria. Realmente a nossa igreja precisa trabalhar de forma intencional entre os tribos indígenas que ainda temos no mundo todo. Na divisão norte americana existe uma organização adventista que chama Adventist Frontier Missions, que busca alcançar etnias não alcançadas. Na divisão sul americana tem um projeto que se chama Salva-Vidas Amazonas que desenvolve um trabalho entre os ribeirinhos e certas etnias. Eles oferecem um curso de missiologia que aborda temas taís: contextualização, sincretismo, cultura, etc. Todos adventistas podiam beneficiar aprofundando mais na missão que temos e como contextualizar essa missão na área em qual cada atua. Muito obrigado pelo artigo!