Simpósio sul-americano reflete sobre a vida e ministério de Ellen White

Palestras vão analisar a relevância dos escritos da pioneira adventista

James Nix, diretor do White Estate, traduzido pelo teólogo Milton Torres. Foto: Wendel Lima
James Nix (esq.), diretor do White Estate, traduzido pelo pastor Milton Torres. Foto: Wendel Lima
Eles vieram de várias partes do Brasil, de sete países vizinhos e de outras regiões distantes do mundo, como os Estados Unidos. Reunidos no Unasp, campus Engenheiro Coelho, desde ontem à noite, 565 participantes do 11º Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano vão ficar na instituição até segunda, dia 4 de maio. Dispostos a viajar longas distâncias e a encarar uma maratona diária de mais de dez horas de palestras plenárias e paralelas, esse grupo está interessado em refletir sobre a relevância do legado profético de Ellen White, co-fundadora da Igreja Adventista, falecida há cem anos.

Na abertura do evento, ontem, dia 30 de abril, líderes sul-americanos e os organizadores do simpósio destacaram a importância do encontro e do tema deste ano. O pastor Almir Marroni, um dos vice-presidentes da igreja para a América do Sul, orou pedindo a Deus que o mesmo Espírito Santo que inspirou os profetas bíblicos e Ellen White, iluminasse a mente dos participantes para que eles entendessem a mensagem divina para hoje.

Numa mensagem em vídeo dirigida aos congressistas, o pastor Erton Köhler, presidente da igreja para a América do Sul, destacou que os seminários adventistas são estratégicos para a denominação. Köhler disse que os professores de teologia têm a responsabilidade de colaborar para a preservação da doutrina e para a formação da nova geração de pastores, o que consequentemente influenciará muito o futuro da igreja.

“O objetivo é trazer para nossos dias a importância do que ela escreveu”, resumiu o propósito do evento, o Dr. Jean Zukowski, professor de história do adventismo no Unasp e presidente da comissão organizadora. Zukowski ressaltou que as apresentações do simpósio não vão apenas enfatizar a mensagem dos escritos de Ellen White, mas detalhes da vida dela, mostrando como a pioneira procurava viver as orientações que recebeu de Deus.

“Quando lemos a Bíblia e os escritos de Ellen White, às vezes temos a ideia de que esses profetas não eram humanos, não eram como nós. Os profetas também tinham suas lutas. A diferença deles, talvez, foi a intensidade com que se entregaram a Deus, permitindo que ele os usasse a despeito de seus defeitos”, pontuou.

A personalidade da pioneira

Na tentativa de familiarizar os leitores do século 21 com a vida da pioneira falecida em 1915, o Dr. James Nix, diretor do White Estate, abriu o evento com uma plenária sobre a biografia da profetisa. Nix, que trabalha na entidade que preserva e divulga os escritos de Ellen White, discorreu sobre algumas curiosidades da vida dela, como a cor, a comida e o texto bíblico preferidos. Porém, a maior parte da palestra foi dedicada a falar de detalhes mais relevantes da personalidade dela, como seu profundo amor pela Bíblia e por Cristo.

Nix revelou também que Ellen White priorizava o auxílio ao próximo, seja costurando meias para missionários que trabalhariam no frio do norte da Europa, ou fazendo um empréstimo com taxa de 8% de juros para ajudar alguém a estudar. No período em que morou na Califórnia, nos seus últimos 15 anos de vida, Ellen White costumava pedir para que a cozinheira fizesse comida a mais, a fim de que a família sempre estivesse pronta para receber visitas.

A relação da pioneira com os netos foi outro destaque da palestra. O especialista em história da igreja revelou que os netos tinham grande prazer em participar dos cultos na casa da avó e de fazer piqueniques com ela aos sábados. Nix destacou que nos cultos familiares, Ellen White incentivava os netos a orar, a fim de que vencessem a timidez diante dos adultos. E quando recebia cartas de missionários, falando sobre o avanço do evangelho no exterior, ela fazia questão de ler as correspondências diante da família para que os netos tivessem a percepção de que faziam parte de um movimento mundial e não apenas de uma igreja local.

No término de sua palestra, Nix desafiou o grupo a enxergar os escritos de Ellen White como mensagens atuais e individuais de Deus para seu povo. Segurando um envelope usado por ela, o pesquisador perguntou ao auditório se os participantes estariam dispostos a obedecer às cartas de Deus enviadas por meio da profetisa.

Novidades

Por falar em cartas, no dia 16 de julho, quando se completam cem anos da morte de Ellen White, o site do White Estate vai disponibilizar manuscritos dela que ainda não foram publicados. Segundo o Dr. Alberto Timm, diretor associado do White Estate, a entidade deve também organizar ainda este ano alguns congressos ao redor do mundo, sendo o principal deles previsto para outubro, na Universidade Andrews (EUA).

Entre os livros que estão sendo lançados no simpósio, Ellen White: Mulher de Visão é a novidade da CPB. Escrito por um dos netos dela, Arthur White, a obra é a biografia mais completa sobre a pioneira. A resenha do livro você confere na edição impressa da Revista Adventista de maio. A CPB enviou um grupo de editores para o evento. Alguns deles estão trabalhando na cobertura do simpósio, por meio do site e perfil da revista no Twitter, enquanto outros apresentarão pesquisas sobre Ellen White.

Realizados a cada dois anos, os simpósios bíblico-teológicos sul-americanos têm fomentado a reflexão e produção teológica, além de proporcionar intercâmbio entre os professores que lecionam nos seminários da América do Sul. As edições anteriores já debateram temas como teologia e metodologia da missão, a pessoa e obra do Espírito Santo e escatologia (estudo profético). As palestras de cada evento costumam ser publicadas na versão de artigos reunidos num livro. Para acompanhar as palestras plenárias, acesse o site: www.igrejaunasp.org.br. Para mais informações sobre os temas em discussão, acesse: www.unasp-ec.com/simposiodeteologia2015.

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