Ensino superior

Conheça a história do Unasp, que chega aos 100 anos nesta quarta-feira, 6 de maio, como a maior instituição educacional da Igreja Adventista no mundo
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A forma pela qual o centro universitário desempenha sua missão na maior metrópole brasileira mostra o alcance e os limites da educação adventista na atualidade. Foto: Acervo Unasp

Todo começo é difícil. No caso do Unasp, centro universitário localizado em São Paulo, mais ainda. Uma das razões era o nível muito elevado das expectativas. Desde o primeiro texto escrito por Ellen White, em 1873, no qual ela estabeleceu os pilares do que devia ser a educação adventista (esse texto corresponde ao primeiro capítulo do livro Conselhos Sobre Educação), até culminar com a publicação do livro Educação, em 1903, foi criado um projeto complexo: líderes cristãos exemplares, o melhor ambiente natural, currículo integral, equilibrando a cultura intelectual com a educação moral, o estudo combinado com atividades ao ar livre e o aprendizado de ofícios manuais. Sem dúvida, um plano bem sofisticado.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi introduzida no Brasil por meio da literatura, no fim do século 19. E o sonho de ter uma escola dentro do modelo proposto começou a tomar forma quando um grupo de visionários se reuniu na casa de Augusto Olm, em Brusque (SC), no dia 15 de outubro de 1897. Em todo o Brasil, nesse ano, havia apenas 200 adventistas – raros, dispersos e pobres, mas querendo nada menos do que o melhor, em termos de educação, para seus filhos e a comunidade.

As primeiras duas tentativas não deram certo. Entre 1897 e 1903, funcionou com muita dificuldade uma escola em Gaspar Alto, então distrito de Brusque. Esse colégio não prosperou. De 1903 a 1910, as atenções e esforços foram concentrados em Taquari, interior do Rio Grande do Sul, mas esse colégio também não sobreviveu.

INTREPIDEZ E PROVIDÊNCIA

Somente cinco anos depois, em 1915, ocorreria a próxima tentativa. Uma rápida e decisiva sucessão de passos coordenados não deixa dúvida de que a providência divina estava conduzindo a intrepidez humana. Em fevereiro de 1915, a senhora Isadora Spies, esposa do pastor F. W. Spies, que liderava os adventistas em todo o território brasileiro, pediu em uma assembleia de ministros que exercessem fé e estabelecessem uma nova escola. “Necessitamos avançar com fé. Creio que chegou o tempo em que devemos avançar e estabelecer nosso sistema de escolas”, incentivou a pioneira. “Deus proporcionará os recursos necessários para o projeto. Não vacilemos, mas prossigamos pela fé. O trabalho é do Senhor!”

Nessa ocasião, foi nomeada uma comissão de nove membros para estudar a criação de tal escola. No mês de abril desse ano, Pantaleão Teisen, recém-convertido ao adventismo, neto dos primeiros imigrantes alemães, aceitou vender, por 20 contos de réis, a propriedade que sua esposa havia recebido como herança. No dia 28 desse mês, foi passada a escritura no cartório de Santo Amaro. No dia 6 de maio, Boehm e mais seis jovens pioneiros tomaram posse do terreno. No dia 4 de julho, ocorreu a aula inaugural para 12 alunos, aos quais se juntaram mais sete posteriormente. E no dia 2 de agosto foi iniciada a construção do primeiro edifício definitivo da escola (o prédio que atualmente abriga a administração geral do Unasp, campus São Paulo).

Fazenda do colégio ficava a 23 km do centro de São Paulo. Foto: Acervo Unasp
Fazenda do colégio ficava a 23 km do centro de São Paulo. Foto: Acervo Unasp
A propriedade adquirida no Capão Redondo, distante pouco mais de 20 quilômetros do centro de São Paulo, foi assim descrita na época: “O terreno é constituído de matas, pastagens e terras de cultura. O ambiente puro e oxigenado de suas colinas e florestas ativa sensivelmente os pulmões. […] A excelente água potável, fornecida por três regatos cristalinos que banham essas terras, deve ser considerada mais um fator de saúde e prevenção de doenças infecciosas. A bela perspectiva que daí se desfruta e a singular quietude da natureza exercem uma influência benéfica sobre o espírito que, aliado ao estudo da Palavra de Deus e à contemplação das obras divinas, irresistivelmente é atraído para o seu Criador.” Como não desejar fundar uma escola num local como esse?

CRIATIVIDADE E MUITO TRABALHO

Quem conheceu John Lipke e John Boehm, considerados os dois fundadores do colégio, afirmava: Lipke era um homem de escritório, um visionário, enquanto Boehm era prático, incansável realizador, capaz de executar as mais diferentes tarefas, ou seja, o homem certo para transformar a mata em colégio.

Boehm, nascido na Rússia, mas criado numa fazenda no Kansas, Estados Unidos, veio para o Brasil como missionário em 1913, e aqui trabalhou durante 40 anos, até se aposentar. Mas no colégio ficou apenas três anos. Nesse tempo, dirigia todos os trabalhos durante a semana e as atividades religiosas no sábado. Augusta, a esposa, preparava a alimentação, era preceptora, enfermeira e conselheira. Boehm canalizou água para o consumo, fez açudes para obter energia elétrica, implantou uma olaria e uma marcenaria, construiu e mobiliou diversos prédios, fez estradas, iniciou a agricultura, instalou toda a rede elétrica e esticou uma linha telefônica até Santo Amaro.

Quando Thomas Steen assumiu a direção geral em 1918, a escola já estava com mais de cem alunos. Steen, um especialista em educação, permaneceu no cargo por nove anos, um recorde que só foi quebrado muitas décadas depois pelo professor Nevil Gorski, que administrou o Unasp durante 17 anos, com duas gestões em épocas diferentes.

Até o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, o Colégio Adventista foi dirigido por missionários americanos. Nesse tempo, foi iniciada a pecuária leiteira (que tantas glórias trouxe ao colégio até a década de 1970), e surgiram o ensino de música, a formação dos primeiros corais e a apresentação de primorosas cantatas sacras, e também as classes de saúde e enfermagem, além do curso de Teologia, que formou os pastores e líderes da organização adventista brasileira, e ainda os primeiros missionários enviados à África e Europa.

A partir do início da década de 1940, o Colégio Adventista (como era chamado) passou a ser dirigido por ex-alunos. O primeiro deles foi Domingos Peixoto da Silva, que se formou na primeira turma, em 1922. Com ele começou uma nova onda de criatividade: curso inédito de enfermeiros-padioleiros, planos para ter uma escola de enfermagem, reestruturação dos currículos, boas relações com os políticos e autoridades, e lançamento da marca Superbom para a indústria de produtos saudáveis.

NOMES DIFERENTES, MESMO IDEAL

A maior parte das pessoas que se relacionaram com essa escola até o fim do século 20 ainda se refere a ela como CAB (Colégio Adventista Brasileiro, a partir de 1941) ou IAE (Instituto Adventista de Ensino, a partir de 1961, até a criação do Unasp, em 1999). A escola é a mesma; ela apenas foi mudando de nome, na medida em que ampliou o leque de oferta de cursos, mas procurou manter os elevados ideais da educação adventista.

Um testemunho espontâneo sobre a qualidade do processo educativo dessa escola foi dado por ninguém menos que a inspetora seccional do ensino secundário, em 1961, professora Genny Villas-Boas Faria: “O IAE é mais que uma experiência pedagógica. A coeducação orientada sabiamente por meio de apurados princípios de moral, ao lado do trabalho como prática educativa […], constitui processos altamente significativos que ultrapassam o conceito comum de escola, situando o Instituto Adventista de Ensino como instituição social que educa para a realidade da vida.”

Na década de 1960 e nos primeiros anos da década de 1970, ocorreram avanços significativos tanto na infraestrutura do IAE quanto na abertura de cursos superiores oficializados. Esse período começou com a conclusão do prédio do atual dormitório feminino, a construção da maior parte do atual dormitório masculino e o início da construção da igreja. Nesse meio-tempo, em 1965, houve muita comemoração pelo cinquentenário da escola.

Mas os maiores presentes para o IAE nesse período foram as autorizações para o funcionamento da Faculdade de Enfermagem (1969) e da Faculdade de Educação (1973), os primeiros cursos superiores oficializados. Na época, criou-se a expectativa de que logo viriam as outras faculdades e, finalmente, se concretizaria o sonho da universidade adventista brasileira. Isso foi o que alguns pioneiros começaram a acalentar na década de 1940. A dura realidade é que, após a Faculdade de Educação, passaram-se 15 longos anos até ser autorizado o próximo curso universitário.

UMA DECISÃO FUNDAMENTAL

O característico portão na década de 1950: entrada para o mundo do saber. Foto: Acervo Unasp
O característico portão na década de 1950: entrada para o mundo do saber. Foto: Acervo Unasp
Com 50 anos de existência, a escola rural já estava abraçada e começava a ser sufocada pela metrópole. O Capão Redondo não era mais um destino turístico. Manter a escola com as características originais – matas, pastagens e terras de cultura, o ambiente puro, calmo, oxigenado, bucólico, seguro, distante da correria e da violência – tinha se tornado absolutamente impossível.

A saída única e lógica seria vender o terreno, abandonar o caos da cidade grande e partir para o interior. Certamente, no início da década de 1980, existiriam ainda muitas áreas rurais em condições semelhantes ao que era o Capão Redondo em 1915. E, em uma dessas, o IAE poderia renascer, retomar os ideais dos pioneiros e chegar a ser uma universidade.

Quando chegaram as pressões imobiliárias e o primeiro decreto de desapropriação, ficou evidente que uma decisão fundamental tinha que ser tomada, rápida e corajosamente. Outras instituições adventistas estavam abandonando as grandes cidades nessa época. E, no caso do IAE, houve mais um fator: quando ocorreu a desapropriação definitiva de 80% da área, e foi feito o pagamento à vista e com valores justos por parte do governo, e ainda veio o achado imediato de uma propriedade ideal para adquirir, no interior de São Paulo, tudo parecia indicar o fim do velho IAE, no Capão Redondo.

E havia mais um argumento apontando nessa direção: seria muito mais fácil e cômodo iniciar uma nova escola no interior, com prédios modernos e funcionais, e tudo planejado de acordo com o melhor figurino da educação adventista para bem atender os alunos, os professores e a comunidade da região. Porém, quando isso começou a ser executado, atendendo pelo sugestivo nome de novo IAE, na Fazenda Lagoa Bonita, com área plana, fértil, cinco vezes maior do que a área original total do antigo IAE, um raio de inspiração chegou até a liderança adventista.

A saída mais cômoda não era justa para com os milhares de famílias que haviam educado os filhos, através de gerações, no IAE e gostariam de continuar contando com o colégio. E a comunidade ao redor deixaria de contar com as parcerias, os serviços e o testemunho, tão apreciado, dessa escola cristã? Naquele tempo, ainda não se falava, como hoje, na necessidade de manter centros de influência junto a todos os núcleos urbanos, principalmente nas metrópoles. Mas ficou claro que o IAE tem uma missão na zona sul de São Paulo. Saindo totalmente da capital, como iria cumprir sua missão?

Assim, a maior cidade da América Latina, onde vive a maior comunidade adventista do mundo, manteve um campus da maior de todas as escolas adventistas para atender suas necessidades.

CENTRO UNIVERSITÁRIO

Nos prédios do campus São Paulo são oferecidos hoje 11 cursos universitários. Foto: Acervo Unasp
Nos prédios do campus São Paulo são oferecidos hoje 17 cursos universitários. Foto: Acervo Unasp
Aquela pitoresca escola rural que começou com 12 alunos, em 1915, e comemorou seu cinquentenário, em 1965, com 1.100 alunos iniciou o século 21 como um centro universitário, com mais de 3.200 alunos. Naquela ocasião, o Unasp se compunha do campus São Paulo (no Capão Redondo) mais o campus Engenheiro Coelho (na região de Limeira, SP). O decreto oficializando a criação do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) foi assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 9 de setembro de 1999. Pela atual lei brasileira que regula as entidades de ensino, centro universitário é uma instituição com autonomia para criar, organizar e extinguir cursos superiores em sua sede. Isso significa que falta apenas um degrau para chegar ao sonhado status de universidade.

Desde que foi integrado o campus de Hortolândia (também conhecido como Iasp, na região de Campinas, SP), o Unasp se tornou um centro universitário tricampi e tem, atualmente, mais de 17 mil alunos matriculados. Portanto, é a maior escola adventista do mundo.

As três unidades oferecem cursos em todos os níveis, sendo mais de 30 carreiras universitárias, dezenas de opções de cursos de pós-graduação ou extensão universitária e ainda um mestrado (stricto sensu). E esse processo de crescimento continua: no momento, já há um quarto campus funcionando, o virtual, para oferecer cursos através da internet.

Cada campus tem sua personalidade e características, diversificando assim o leque de opções tanto em termos de cursos e programas de ensino quanto de condições de vida, trabalho, internato e acesso. Cada estudante ou pai de aluno pode escolher o que mais lhe convém e ainda ter a certeza de contar com o melhor da educação adventista.

SERVIÇOS E PARCERIAS

O campus São Paulo, o original, centenário, tem ensino básico reconhecido como excelente, o que lhe garante ótima demanda, e a maior escola de ensino médio da rede adventista. As vagas do internato são todas direcionadas para alunos do curso superior. Oferece boa variedade de cursos de faculdade, com perspectiva de ampliar ainda mais essas opções, nos próximos anos, e também abrir unidades em outros bairros da cidade de São Paulo.

Quando se pensou que o antigo IAE deveria fechar, porque estava estrangulado pela metrópole e seria mais barato e mais cômodo recomeçar, longe, no interior, a missão social falou mais alto, e o Unasp passou a cultivar, com muito mais amplitude, a vocação de servir, de permanecer onde está a grande massa humana carente. Portanto, é natural que os serviços à comunidade e as parcerias relacionadas com os cursos superiores na área de saúde sejam as características que distinguem o campus São Paulo.

Um desses braços fortes e amigos da comunidade é a Policlínica Universitária Dr. Gideon de Oliveira, através da qual os alunos levam o conhecimento adquirido em sala de aula até a comunidade. A policlínica oferece os seguintes atendimentos: hidroterapia, ortopedia, neurologia, massoterapia, ginástica laboral, hidroginástica, pilates, RPG, apoio emocional e psicológico e saúde natural. Também faz exames papanicolau, de mamas, eletrocardiograma, glicemia, tipagem sanguínea e teste de esforço, entre outros. Os alunos que participam do atendimento atuam de forma voluntária e podem colaborar desde o início de sua faculdade.

O verde do Unasp colore o Capão Redondo, um dos bairros mais cinzentos e populosos da capital. Foto: Acervo Unasp
O verde do Unasp colore o Capão Redondo, um dos bairros mais cinzentos e populosos da capital. Foto: Acervo Unasp
Desde 2002, o campus São Paulo administra o Programa Saúde da Família (PSF) no distrito do Capão Redondo, atendendo a uma população de mais de 300 mil pessoas, através de 75 Equipes de Saúde da Família (ESF), distribuídas em 12 Unidades Básicas de Saúde (UBS), a maioria delas localizadas no entorno do Unasp. A quantidade de procedimentos (quase 6 milhões) realizados pelo PSF Unasp no ano de 2014 dá uma ideia de quanto é ampla e significativa a atuação do centro universitário por meio dessa parceria com o poder público.

Outra atividade conduzida por alunos e professores de forma pontual, variando os locais a cada ano, é a Feira da Saúde. Centenas de alunos realizam diversos tipos de ações em benefício dos moradores de uma região. As pessoas são atendidas com orientações sobre diabetes, controle de peso, controle da pressão arterial, avaliação física, massagem antiestresse, exame oftalmológico, corte de cabelo e palestras com psicólogos. Em algumas edições, uma veterinária realiza, gratuitamente, a castração de cães e gatos, e estudantes do curso de Ciências Biológicas ensinam como construir uma horta vertical.

Desde 2001, o Unasp sedia um Telecentro Comunitário no qual funciona um projeto de alfabetização digital para deficientes visuais, que já beneficiou mais de 200 pessoas. Outros projetos do professor Roberto Wataya contemplam os idosos e os surdos. Com esses projetos de inclusão social, dezenas de pessoas estão aprendendo novas formas de comunicação e sendo capacitadas para o mercado de trabalho, ou pelo menos estão sendo retiradas do isolamento e da falta de perspectivas por meio do domínio dos recursos da tecnologia digital.

Integrando a música com a ação social, o maestro Silmar Correa promove um evento anual chamado “O Amor é Capaz”. O objetivo é incentivar o amor ao próximo através de ações de solidariedade e atitudes simples. Todas as iniciativas e gestos de amor são apresentados durante um musical que celebra o que esse sentimento pode realizar. A experiência tem demonstrado que, a partir das sugestões apresentadas, muitos começam a se mobilizar, e a música passa a unir as pessoas, juntando os atos de amor. Isso não tem fronteiras nem barreiras.

Ainda na área da música, que desde 1915 honra e promove pela sua excelência essa escola, são inúmeros e diversificados os projetos atualmente conduzidos pela Acarte e seus professores. O Munasp, por exemplo, é um festival internacional de música, que dura uma semana, em seis cidades brasileiras, a cada ano, no início das férias escolares. É considerado um dos mais importantes eventos musicais, o qual abre oportunidades para crianças e adolescentes, entre 10 e 17 anos, estudantes de música.

Estar inserido na maior metrópole significa que as oportunidades e os desafios serão sempre superlativos. Hoje, os números, o ambiente fraterno dessa escola, o respeito e a admiração que merece da parte das autoridades, pais e comunidade atestam que o campus São Paulo está cumprindo sua missão. Em 2014 foram 6.193 alunos matriculados.

Nesse campus, depois da desapropriação, não restou espaço nem permaneceram condições para a prática da agricultura, pecuária leiteira, atividades manuais ou industriais, a ser executadas pelos alunos e professores. Mas permanece o ideal da educação adventista, que vai muito além do ensino; nesse caso, devidamente contextualizado para o mundo urbano, preparando os alunos, sendo uma inspiração e praticando a missão da igreja.

SAIBA MAIS

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MÁRCIO DIAS GUARDA, pastor e jornalista, é o autor do livro oficial dos cem anos do Unasp

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