Vem pra rua

Ajude a mudar a sociedade usando métodos diferentes
Não é tempo de alimentar a frustração, mas de espalhar esperança. Foto: Orlando Kissner
Não é tempo de alimentar a frustração, mas de espalhar esperança. Foto: Orlando Kissner

Os últimos meses têm sido agitados por protestos no Brasil. Alguns pacíficos e até festivos, outros cheios de ódio e violência. Alguns levantando bandeiras contra o governo, outros contra a política em geral. Uns questionando os rumos da economia, outros lutando pelo resgate de valores fundamentais. São diferentes expressões para demonstrar insatisfação com o rumo das coisas.

É interessante observar como esses movimentos se levantam. Alguns são dirigidos por líderes carismáticos que defendem causas populares, enquanto outros têm sua base nos movimentos sociais. Em certos casos, eles surgem pelas mãos de gente comum, usando especialmente as redes sociais. Foi assim na Primavera Árabe, poucos anos atrás, e também recentemente em nosso país. A convocação que se espalhou foi: “Vem pra rua!” Nas redes sociais, a hashtag #VemPraRua chamava as pessoas para sair do comodismo e expressar seus sentimentos. Resultado: multidões foram mobilizadas.

Não vou discutir a legitimidade desse movimento, pois somos cidadãos com liberdade de expressão. Temos o direito de concordar ou discordar a respeito da forma pela qual as coisas são feitas e o país é conduzido. O que precisa ser considerado é nossa visão bíblica sobre as transformações. Não cremos em mudanças promovidas por revolução social ou luta de classes, mas pela atuação do Espírito Santo. Isso não nos torna alienados, pois também buscamos uma sociedade mais justa e honesta. Apenas nossos métodos para ­alcançá-la são diferentes. Nossos valores são espirituais, atuam no coração, transformam a vida e impactam a sociedade.

É necessário ir além da simples observação dessas multidões e seus protestos. O momento é próprio para uma reflexão. Será que o envolvimento nessas atividades é nossa prioridade como adventistas? Esse é o tipo de movimento que deveria nos levar às ruas? Estamos vendo a mesma paixão, criatividade, mobilização e entusiasmo no cumprimento da nossa missão?

Precisamos de uma convocação interna: Vem pra rua! É tempo de nos levantarmos, repetirmos o Impacto Esperança e termos uma multidão buscando mais do que transformação social. Devemos almejar uma renovação espiritual. Afinal, nós também estamos descontentes com os rumos do mundo, mas vemos as coisas pela ótica da profecia e conhecemos as respostas bíblicas.

Por que protestar se podemos testemunhar? Há tantas coisas que já estamos fazendo através de projetos na comunidade, dos meios de comunicação, de movimentos nas redes sociais e das atividades de saúde, para mencionar algumas. No entanto, essas iniciativas se tornam irrelevantes quando feitas de forma isolada. Precisamos do exército na rua não para mudar o sistema, mas para transformar vidas!

Esta é nossa oportunidade para sair da zona de conforto e assumir claramente a posição de ser menos consumidores dentro da igreja e mais missionários fora dela. Afinal, a igreja começa quando o culto termina. Precisamos alertar a sociedade de que há uma vida melhor. Não podemos nos acomodar, pois “o tempo é breve e nossas forças têm que ser organizadas para produzir uma obra maior” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 27).

Você já pensou no que pode ser feito por milhões de pessoas nas ruas entregando livros missionários? Esse é o desafio para o sábado 30 de maio, dia do Impacto Esperança, quando queremos alcançar a marca de 130 milhões de livros missionários distribuídos desde o início do movimento. Será mais uma “santa revolução”. No domingo 31, vamos às ruas outra vez para o projeto Viva com Esperança, realizando diferentes ações de saúde e qualidade de vida na comunidade. Não vamos sair para protestar, mas para servir.

As ruas precisam ver essa multidão em ação. Contudo, a expectativa de Deus é ainda maior: “Não é somente pregando a verdade, ou distribuindo literatura, que seremos testemunhas de Deus. Lembremo-nos de que uma vida semelhante à de Cristo é o mais poderoso argumento que pode ser apresentado em favor do cristianismo” (ibid.). Não podemos esperar mais. A hora é agora. Vem pra rua!

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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