Modelo fora da passarela

Vejas as qualidades da mulher ideal segundo a Bíblia

Modelo-fora-da-passarela-Comportamento-RA-maio-2015-lightstock_153142_max_user_578947Se você tivesse que opinar a respeito da mulher ideal, o que diria? Como a descreveria? Destacaria seus atributos físicos, como as medidas e a cor da pele, dos olhos e do cabelo? Ou valorizaria suas habilidades e qualidades morais? Ou enfatizaria sua posição social, sua educação e seus recursos financeiros?

Na Bíblia, Deus nos deixou uma descrição da mulher ideal. Ela se encontra em Provérbios 31:10-31. É apresentada na forma de uma poesia acróstica com 22 versos, cada um contendo duas linhas poéticas. Para facilitar a memorização do poema, cada verso começa com uma das 22 letras do alfabeto hebraico, na devida ordem. É claro que na tradução isso se perde.

A mulher ali retratada é uma dama de certa posição, que, além de diversas habilidades, possui empregadas a seu serviço e dinheiro para investir. Por essa razão, relativamente poucas mulheres possuem seu padrão de vida e podem realizar o que ela faz. Contudo, nesse relato da mulher ideal existem alguns aspectos que servem de modelo para as demais mulheres, não importando a época nem o lugar em que vivam. Tal descrição tem por objetivo mostrar as qualidades de uma boa esposa, para estímulo das próprias mulheres e para indicar aos homens a classe de esposa que devem buscar.

VIRTUDES

A mulher ideal é uma boa esposa. O texto inicia designando-a como “mulher virtuosa”, embora algumas traduções bíblicas prefiram a expressão “uma esposa excelente”, que reflete, de modo mais abarcante e fiel, o que o autor pretendia dizer. Como esposa exemplar, por meio de palavras e ações, ela faz bem a seu marido, e não o mal (v. 12). Não é implicante, nem crítica, mas fala com sabedoria e bondade (v. 26). Também não o pressiona para gastar mais do que tem, nem esbanja o que possuem. Trata-o com amor, atenção e respeito sempre, e não conforme o humor do momento.
Sua conduta demonstra que em seu lar não há batalha entre os sexos. Seu estilo de vida coopera para que ele seja respeitado, estimado e bem-sucedido na comunidade. De fato, seu marido é um dos mais nobres homens da localidade e se assenta como um dos juízes nas portas da cidade (v. 23). Por tudo isso, ela conquistou a total confiança dele (v. 11).

Além disso, a mulher ideal é uma boa dona de casa. A Bíblia de Jerusalém traz o seguinte título para esse texto: “A perfeita dona de casa”. Embora o tipo de trabalho das mulheres varie de acordo com sua condição na sociedade, cada mulher tem sua atividade. Nos tempos antigos, até uma princesa fazia trabalhos domésticos. A mulher virtuosa não pensa que os afazeres domésticos sejam uma eterna mesmice, um tédio; antes, trabalha com coragem, entusiasmo e persistência. Possui mente bem disposta e mãos diligentes. O lar é sua esfera de ação e sua missão é tornar seu lar feliz. Ela não é preguiçosa (v. 14-16, 27), pois se levanta cedo e trabalha o dia inteiro (v. 15, 18). Além disso, é precavida e confiante (v. 17).

Ela tem muita saúde e força de vontade. É determinada, tem iniciativa (v. 17, 25) e sabe administrar bem seus recursos de maneira a gerar novas riquezas. Com o dinheiro que adquire com seu trabalho, compra um pedaço de terra e nele planta vinhas, o que o torna mais valorizado (v. 16). Isso reflete o costume da época, em que muitas atividades econômicas eram parte das funções da mulher.

A mulher ideal também administra bem sua casa. Distribui a tarefa entre os empregados (v. 15) e não deixa faltar o agasalho (v. 21). Como naqueles tempos não era fácil encontrar roupas prontas para comprar e se tornava muito dispendioso contratar alguém para as confeccionar, esperava-se que a esposa fosse uma boa costureira, preparando tanto as roupas comuns como aquelas usadas em dias especiais. Essa habilidade, ensinada de mãe para filha através das gerações, é uma das qualidades da mulher virtuosa e, por isso, suas roupas são luxuosas, feitas com ótimos tecidos e belas cores, e sua casa é um lugar belo e atrativo, enfeitada com tapetes e cobertas coloridas no chão, nas paredes e nos leitos, como era o costume das famílias ricas nos países do Oriente (v. 21, 22). Ela também não deixa faltar mantimento e, como um navio mercante, faz provisão do que é necessário para sua família (v. 14). Não se preocupa com o dia de amanhã (v. 25) porque tem em mente a satisfação de quem cumpre seu dever. Em sua velhice se alegrará de haver sido diligente na juventude. As coisas boas que ela desfruta foram conseguidas com muito esforço e trabalho duro.

A mulher ideal é espiritual. Ela se relaciona bem com Deus (v. 30) e ama o próximo. Abriga no coração o temor do Senhor, e esse é o segredo de sua vida de êxito. Ter o temor do Senhor significa conhecê-lo (Pv 2:5; 9:10), o que levará a pessoa a admirá-lo por sua grandeza, por seu caráter, pelo que ele é e pelo que tem feito (Sl 33:4-8), a reverenciá-lo (Hb 12:28) e louvá-lo (Sl 22:23; 115:10, 11, 13; Sl 118:3-4). O temor do Senhor é seu valor primordial e o que dá coerência a todas as demais virtudes.

No relato da mulher ideal em Provérbios existem aspectos que servem de modelo para todas as mulheres, não importando a época nem o lugar em que vivam

O relacionamento com os semelhantes também é uma das qualidades da mulher ideal. No relato, nós a vemos cuidando bem de sua família, dos empregados e até dos pobres da comunidade. Essa mulher se preocupa com eles e os socorre em suas necessidades, sendo generosa. Além disso, ela atua como mestra, aconselhando e ensinando sabedoria, não de forma crítica nem áspera, mas com a bondade do Céu (v. 26). Ela vive de bem consigo mesma. Isso pode ser constatado porque, além de valorizar o que é bom e belo, ela é vigorosa no corpo, elegante no vestir-se, digna, animada e bondosa em seu comportamento e devotada e honrada em sua religião. Enfim, cultiva todas as excelências femininas.

A mulher ideal é bem-sucedida. Ela é o deleite de sua família. Seu marido a considera a melhor mulher do mundo, e diz isso a ela, enquanto os filhos não se cansam de ­elogiá-la (v. 28, 29). Não há conflito de gerações em seu lar. Ela tem sucesso na vida e sucesso no lar.

Ela colhe o que semeou (v. 31). Uma das grandes leis da vida é que colhemos o que plantamos. Cada dia, cada momento, através de nossas palavras, de nossas ações, de nosso comportamento, estamos semeando sementes do bem ou do mal e, mais cedo ou mais tarde, haveremos de ­colhê-las. A mulher ideal semeia sempre e somente o bem e, então, é retratada como alguém que colhe o que lhe é devido. É respeitada, apreciada e elogiada pelo marido, pelos filhos, pela comunidade e pelo próprio Deus.

Ao descrever a mulher ideal, o texto nada diz quanto à sua aparência. Não diz se é alta ou baixa, robusta ou esguia, loira ou morena, se os seus olhos são azuis, verdes ou castanhos, porque, embora o aspecto físico possa ter seus encantos, a beleza, a graça e o charme são passageiros e de pouco valor, quando comparados com a beleza moral. Os traços encantadores da aparência passam, mas o verdadeiro valor do caráter perdura.

ESPELHO

Embora muitos provérbios desse livro tenham sido sobre mulheres de vida imoral e mulheres contenciosas (2:16; 3:3-13; 6;24-25; 11:22; 21:9, 19), cuja companhia é indesejável, suas últimas palavras são um elogio às mulheres virtuosas. Esse texto é um verdadeiro espelho para as mulheres cristãs, que seriam ricamente abençoadas se frequentemente olhassem para ele.

Mas por que Provérbios, escrito sobretudo para os homens, termina exaltando a mulher virtuosa? Primeiramente, porque é um livro sobre sabedoria, personificada como uma mulher, uma vez que é um nome feminino e a figura feminina é um excelente exemplo da variedade de aplicações práticas do conhecimento. A sabedoria é mais bem ensinada e vivida no lar, na ação do dia a dia, e não apenas na teoria.

Em segundo lugar, porque a sabedoria ensinada nessa parte da Bíblia se origina no temor do Senhor, que é o tema de Provérbios, e a mulher ideal é um exemplo prático de alguém cuja virtude principal é justamente esse temor (v. 30) e que, por isso, revela as qualidades exaltadas por todo o livro.

E, finalmente, porque, de todas as pessoas com quem o homem se relaciona, quem pode contribuir mais para que sua vida reflita as orientações de Provérbios e se torne sábio é a mulher temente a Deus.

Esse poema vai de encontro à literatura do mundo antigo, que costumava ver a mulher simplesmente como algo decorativo, com charme e beleza, mas sem substância, e ­constitui-se um modelo para aqueles que desejam desenvolver uma vida de sabedoria. A descrição da mulher virtuosa encerra com chave de ouro as instruções precedentes, dedicadas ao homem, e nos ensina que Deus quer que cada mulher de sua igreja tenha seu temor no coração e dê prioridade às qualidades que o Céu aprova. [Foto: Lightstock]

EMILSON DOS REIS é diretor da Faculdade Adventista de Teologia no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP)

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