Enfermeiros com visão missionária

Instituto Adventista Paranaense celebrou os dez anos de abertura do curso de Enfermagem renovando o compromisso de preparar profissionais para o campo missionário
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Durante da 10ª Semana de Enfermagem do Instituto Adventista Paranaense, estudantes renovaram o compromisso de promover o cuidado físico, mental e espiritual. Foto: Carolina Perez

Antes mesmo de Renata Melo pensar em ser enfermeira, a mãe dela, dona Lucineide Chiquetti, já sonhava em ver a filha com o diploma universitário. Para isso, Lucineide trocou a agricultura pela limpeza domiciliar, dobrou a carga de trabalho e, durante quatro anos, ajudou o marido, que continuava na agricultura, a sustentar a família e garantir os estudos de Renata.

O exemplo da mãe impulsionou a filha a lutar por esse sonho que agora era compartilhado. A coordenadora do curso entre 2005 e 2012, Elieth Lessa Fonseca, conta que a estudante era muito aplicada. Dava aulas particulares de bioquímica e bioestatística para alguns colegas e ainda vendia cosméticos. “A Renata é muito inteligente. Ela teria capacidade de ter cursado Enfermagem em uma universidade federal, mas a mãe viu nesta instituição vantagens que não tinha encontrado em outros ambientes escolares”, relata.

A mãe temia que o ambiente universitário – com festas, bebidas e más companhias -desviasse o foco e a atenção da filha. Mesmo não sendo adventista, percebeu que no Instituto Adventista Paranaense (IAP) Renata não apenas se tornaria uma profissional de excelência, mas teria a oportunidade de se desenvolver também nos aspectos social e espiritual, características valorizadas pela família de tradição católica.

Dez anos depois

Este ano é uma data significativa não só para Renata, que foi promovida recentemente ao cargo de responsável técnica da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Transamazônico de Altamira (PA), mas para os estudantes que fizeram parte da primeira turma do curso de Enfermagem do IAP, que completa dez anos de existência em 2015.

Elieth Lessa Fonseca foi a primeira coordenadora do curso, que foi aberto em 2005, durante a gestão de Flávio Pasini, diretor geral da instituição entre 2004 e 2009. Segundo ela, a iniciativa nasceu com o objetivo de “formar enfermeiros missionários”.

Uma década depois, o atual coordenador do curso, Diego Alexandre Silva, que fez parte da primeira turma, afirma que o objetivo principal não mudou: “Aprimoramos a grade curricular, mas continuamos buscando preparar enfermeiros para missão”, assegura.

Doutorando em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Silva reconhece a importância do preparo acadêmico, mas compreende que existem aptidões superiores que um enfermeiro cristão precisa desenvolver. “Durante esses dez anos buscamos imprimir no coração desses jovens o desejo de servir a Jesus. Se nem todos conseguirem trabalhar em nossas instituições de saúde, esperamos que todos levem no coração o desejo de servir como enfermeiros cristãos que vão abreviar a volta de Jesus”, ressalta.

Por isso, uma das marcas do curso passou a ser a realização de ações e viagens missionárias com o intuito de fixar na mente dos acadêmicos a importância do cuidado integral do paciente. Entre os dias 18 e 25 de abril deste ano, por exemplo, 22 alunos do terceiro ano de enfermagem realizam estágios nas diversas áreas atendidas pelo Hospital Adventista do Pênfigo (HAP), localizado em Campo Grande (MS).

Celebração

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A médica Daniela Tiemi Kanno, uma das convidadas para o evento que celebrou os dez anos de abertura do curso de Enfermagem da instituição, falou sobre a visão missionária na área da saúde. Foto: Carolina Perez
A comemoração dos dez anos do curso de Enfermagem do IAP, nos dias 12 e 15 de maio, reuniu acadêmicos e profissionais de saúde adventistas de diversos estados, que foram convidados para palestrar na 10ª Semana de Enfermagem. O enfermeiro Jean Paulo de Oliveira, especialista em nefrologia, viajou mais de 2 mil quilômetros de Belém até Ivatuba, no interior do Paraná, a fim de celebrar uma história da qual também faz parte. Responsável técnico em nefrologia e coordenador da comissão de transplante de tecido ósseo no Hospital Adventista de Belém, Oliveira apresentou histórias que mostram a importância da obra médico-missionária. Segundo ele, no hospital adventista do Pará, uma paciente com sérios problemas cardíacos ficou impressionada com a forma como foi tratada na instituição. Um dos aspectos que mais chamaram a atenção dela foi a postura dos médicos e enfermeiros que têm o hábito de orar pelos pacientes. Isso contribuiu para que ela desejasse estudar a Bíblia e, em 2013, fosse batizada. “A oração tem poder. Ela é muito importante, não importa o quadro clínico do seu paciente”, aconselhou.

Não apenas medicar os doentes, mas promover a saúde integral se tornou o foco do casal de médicos Luiz Fernando Sella e Daniela Tiemi Kanno, autores do livro Universo Paralelo, publicado pela Casa Publicadora Brasileira. Eles compartilharam experiências com os participantes do evento, reforçando a necessidade de formação de profissionais de saúde para o campo missionário

A coordenadora do curso de Enfermagem do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Maristela Santini Martins, que também foi convidada para palestrar, ressaltou que esse precisa continuar sendo o papel das instituições educacionais adventistas: “O verdadeiro objetivo da educação é restaurar a imagem de Deus tanto no aluno quanto naqueles com quem ele entrar em contato. Esse é o diferencial que os nossos estudantes de enfermagem não encontram lá fora”, frisa. [Reportagem: Carolina Perez]

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