Chacina em igreja nos EUA

Liderança da igreja nos EUA presta condolências aos familiares das vítimas da chacina que deixou nove mortos em igreja de comunidade negra

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Atentado à comunidade metodista episcopal  Emanuel, em Charleston, na Carolina do Sul (EUA) deixou nove fiéis afro-americanos mortos. Atirador provocou a chacina durante uma sessão de estudos bíblicos realizada no templo. Foto: reprodução Adventist Review

A liderança da Igreja Adventista nos Estados Unidos expressou oficialmente seus sentimentos às famílias das vítimas da chacina que deixou nove mortos na última quarta-feira, 17, em uma igreja afro-americana em Charleston, na Carolina do Sul. Em nota oficial, o presidente da organização adventista para a América do Norte, Daniel R. Jackson, disse que os adventistas se sentem “tristes pela dor que foi causada às famílias, aos membros da igreja metodista episcopal Emanuel e à comunidade de Charleston” e que continuam unidos em oração para que Deus conforte seus corações.

Ele reforçou que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia não só condena o assassinato de qualquer pessoa, mas também o ódio racial, o que aparentemente motivou o atentado”. “Acreditamos que Deus ama todos os Seus filhos de forma igual, independentemente de raça, sexo, religião ou estilo de vida, e somos chamados a fazer o mesmo”, reiterou. “Como o apóstolo Paulo nos lembra em Gálatas 3:28: ‘Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus’”, acrescentou.

O líder norte-americano lembrou também a necessidade de uma “conversa aberta, honesta e civilizada sobre as realidades da divisão racial que continua a assolar este país”. “Essa conversa deve centrar-se nos direitos e igualdade de todos os membros das nossas comunidades”, sugeriu ele.

Conforme considerou Daniel R. Jackson no comunicado, “devemos orar para que chegue o dia em que todos tratarão uns aos outros sem desconfiança, preconceito e ódio”. “Enquanto ontem à noite em Charleston o ódio tirou a vida de nove pessoas inocentes, sabemos que no final o amor vai vencer”, assegurou o presidente da Divisão Norte-Americana.

Questão histórica

A igreja metodista episcopal Emanuel, palco do atentado, fica a dez quadras do antigo Mercado de Escravos de Charleston, o principal do país na primeira metade do século 19 – estima-se que ele tenha recebido 40% de todos os escravos trazidos da África. Trata-se da primeira igreja criada por e para negros no sul escravocrata americano, em 1816.

“Como os cultos nas demais igrejas eram segregados, líderes negros quiseram uma igreja só deles. Poucos anos depois, as autoridades locais começaram a proibir igrejas afro-americanas – elas reuniam abolicionistas e líderes de revoltas de escravos”, conta o repórter especial da Folha de S.Paulo, Raul Juste Lores, em matéria publicada nesta sexta-feira, 19. Os conflitos registrados na primeira década de criação do templo, que levaram vários de seus líderes a ser presos ou mortos, passaram a exigir que as reuniões fossem secretas.

Os linchamentos e atentados contra esses líderes religiosos se estenderam até mesmo durante boa parte do século 20. A atuação de grupos terroristas pró-supremacia branca, como o Ku Klux Klan, fez com que atentados em igrejas para negros se tornassem comuns no Estado da Carolina do Sul.

Em 1963, o reverendo Martin Luther King, Prêmio Nobel da Paz e ícone da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, chegou a fazer um discurso na “Mãe Emanuel”, como é mais conhecida a igreja onde os nove fiéis foram mortos (inclusive o líder da congregação, Clementa Pinckney, conhecido pelo presidente Barack Obama). [Com informações da Divisão Norte-Americana e da Folha Online]

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