Família amish se torna adventista

Casal que foi criado na cultura amish conta como abraçou a fé adventista e revela como está trabalhando na evangelização dessas comunidades nos Estados Unidos

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Andy e Naomi Weaver foram influenciados pela leitura do livro O Desejado de Todas as Nações e deixaram a fé amish para se tornar adventistas. Foto: reprodução do site Advindicate

Eles vivem no século 21, mas como se ainda estivessem no século 18. Usam barbas longas, cartolas e roupas sóbrias. No caso das mulheres, nada de jóias ou qualquer outro enfeite. Ao visitar uma de suas comunidades nos Estados Unidos, a impressão é de estar no cenário de um filme de época. Nesses povoados, energia elétrica, celulares, internet e automóveis são itens totalmente dispensáveis. Trata-se de um povo único, que vive num mundo à parte em meio à nação mais desenvolvida do planeta.

Conhecidos por seus costumes extremamente conservadores, os amish são cristãos anabatistas com ligações com os menonitas. O grupo surgiu em 1525 na Suíça como reação à Reforma Protestante. No século 18, eles fugiram da Europa na esperança de encontrar no Novo Mundo mais liberdade religiosa. Assim, se estabeleceram principalmente nos Estados da Pensilvânia e Ohio (EUA) a partir de 1727, concentrando-se em fazendas, onde até hoje sobrevivem basicamente da agricultura e da pecuária.

Embora os amish tenham a vida centrada na religião e na tradição, eles não têm por princípio a evangelização. O objetivo é manter na fé os da própria casa. Aliás, a família é um de seus valores fundamentais.

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Casal possui sete filhos e vive numa fazenda em West Salem, Ohio, nos Estados Unidos. Foto: reprodução site Advindicate

Andy e Naomi Weaver procedem da linhagem da Velha Ordem Amish. No entanto, através do livro O Desejado de Todas as Nações eles se depararam com novas verdades bíblicas e decidiram abraçar o adventismo. “Um ano depois de ler O Desejado de Todas as Nações, cheguei a um ponto de mudança. Por fora eu era amish, mas meu coração era adventista”, relata Andy. A decisão implicou muitas mudanças na vida do casal e despertou oposição de familiares e amigos.

Contudo, a despeito de todos os desafios enfrentados, Andy e Naomi se mantiveram firmes em suas novas convicções e foram batizados em 2014 na Igreja Adventista do Sétimo. Nesta entrevista, eles revelam detalhes da mudança de perspectiva, explicam como era e como é hoje seu estilo de vida, além de falar a respeito de um ministério que começam a desenvolver com o objetivo de alcançar outros amish: o projeto West Salem Mission, que conta até com uma página no Facebook. Movido por essa forte visão missionária, o casal deve cumprir um importante papel na proclamação da mensagem do advento em meio a um povo que tem crescido nos Estados Unidos. Hoje, estima-se que existam mais de 200 mil amish vivendo nos Estados Unidos e no Canadá.

Contem-nos sobre vocês.

Andy: Venho de uma família com oito filhos, nascidos e criados no norte de Ohio. Sou o mais novo de seis meninos. Minha esposa, Naomi, vem de uma família de dez filhos. Ambos fomos criados como amish. A vida era boa, com muitas memórias agradáveis.
Como se conheceram?

Andy: Embora a Naomi pertença a uma igreja de outro distrito, ambos frequentamos a mesma escola amish. Casamo-nos em 2004. Fomos abençoados com sete filhos. Somos muito felizes juntos.

Como é um dia normal em sua família?

Andy: Eu sou um trabalhador braçal e carpinteiro. Temos uma fazenda de bom tamanho, onde cultivamos vegetais, e eu também faço móveis.

Naomi: Eu cuido das crianças e de uma grande horta, com a ajuda das crianças mais velhas.

Como é vida na cultura amish?

Andy: Há muitas coisas que aprecio a respeito de haver sido criado como amish. Somos felizes por não sabermos tudo o que ocorre no mundo. Algumas pessoas são muito consumidas por saber quem é o presidente e por assuntos políticos e pela televisão. Aprecio as famílias reservadas e a simplicidade na qual fomos criados. Amo cavalos. Nada contra os carros, mas se tiver escolha entre um carro e meu cavalo, prefiro o cavalo [risos]. Eu também aprecio o fato de podermos ajudar uns aos outros na comunidade. Desfrutamos muito das amizades.

Naomi: Gosto do estilo de vida amish. Gosto da comunidade familiar. Com todos os problemas no mundo, nós meio que criamos nosso próprio mundo.

Como vocês conheceram a mensagem adventista?

Andy: Tínhamos um vizinho ateu. Certo dia, ele vendeu sua propriedade e eu o estava ajudando a limpar seu celeiro. Ele disse que um adventista do sétimo dia havia comprado a fazenda. Eu não sabia do que se tratava. Fiquei curioso por conhecê-los. Certo dia, meu irmão mais velho conheceu esses adventistas. Ele ficou feliz por saber que essas pessoas acreditavam nos Dez Mandamentos e na santa ceia do Novo Testamento. Eles lhe deram um folheto sobre Daniel e Apocalipse, do Amazing Facts. Meu irmão e eu lemos o folheto e apreciamos a leitura. Nós o comparamos com a Bíblia; não havia dúvida de que era verdade. Posteriormente, eles nos deram uma cópia do livro O Desejado de Todas as Nações. Eu amava ler e, no início, tive dificuldade para parar a leitura, mas comecei a ficar perturbado. Eu lia o livro, e então o colocava de lado e saia para caminhar ao redor da casa e meditar.
Qual era a sua preocupação?

Andy: Eu estava considerando que iria me custar muito se o aceitasse. Isso é tão forte que exige mudanças em minha vida. Quando menino foi-me ensinado os Dez Mandamentos, e então descobri que estava violando um deles. Entendi que esse livro nos iria levar para outro lugar. Assim, por um tempo, evitei ler o livro. Temia que a mudança pudesse trazer discórdia em minha família.

Naomi: Eu estava ali, ao lado dele. Lemos o livro juntos – algumas vezes o Andy lia para mim. Concordamos que ele dizia a verdade, mas eu também temia o que isso poderia significar para nós.

Por quanto tempo vocês lutaram com Deus quanto à mensagem do advento?

Andy: Por quase um ano. Houve ocasiões quando tive vontade de desistir. Graças a Deus, Ele não permitiu isso. Cheguei a um ponto em que me senti encurralado. Isso também começou a afetar minha vida. Perdi bastante peso. Não tinha paz e estava muito estressado. A Naomi era parte de meu fardo. Preocupava-me quanto a como isso poderia afetá-la e ao nosso casamento.

Naomi: As pessoas começaram a pensar que o Andy estava doente. Eu temia por ele e por nossa família.
Então, o que aconteceu?

Andy: Um ano depois de ler O Desejado de Todas as Nações, cheguei a um ponto de mudança. Por fora eu era amish, mas meu coração era adventista. Meu pai e meu irmão vieram me visitar. Eles me haviam observado atentamente por um ano. Questionaram minha lealdade naquela noite. Meu pai tentou me convencer a não deixar a comunidade amish. Eu tomei minha decisão. Decidi que iria deixar a Igreja Amish. Fui batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia. A paz encheu meu coração.

Houve algum texto bíblico especial para você durante esse período?

Andy: Sim. Marcos 7:7: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. E João 12:35: “Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai”. Esses versos ainda são muito importantes para mim.

Como seus filhos estão se ajustando à mudança de vida?

Andy: Ocorreu uma história engraçada. Nossos filhos frequentavam a escola amish no ano passado. Certo dia, enquanto os alunos estavam recitando os Dez Mandamentos, depois de recitarem o 4º Mandamento, o professor se virou e olhou para nossos filhos, visto que eles estavam pensando a respeito dele de forma diferente.
Como a mudança afetou seu casamento?

Andy: Deus nos protegeu. A experiência pela qual passamos fortaleceu nossa apreciação de um pelo outro. Melhorou nossa família; tornou-a melhor. A oração se tornou real para nós. Reunimo-nos em círculo e oramos juntos. Estudamos a Bíblia juntos.

Naomi: Eu sempre tive esperança. Eu tinha de confiar em Deus e crer que Ele iria agir. Às vezes minha fé era débil, mas Deus nos ajudaria.

Vocês perderam alguns amigos devido à mudança?

Andy: Muitas pessoas que acreditávamos ser amigas, se tornaram inimigas. Eu sei que as circunstâncias mudaram – eles tinham que nos rejeitar. Mas ganhamos novos amigos, muitos. Aprendi que as pessoas com quem você pode se relacionar espiritualmente se tornam amigos melhores.

O que vocês farão agora?

Andy: Sentimos a responsabilidade por alcançar as almas com a mensagem do advento. Sentimos também a responsabilidade pelo povo anabatista. Alguns amish desconfiam de seus líderes. Desejamos ajudá-los a encontrar a esperança e a paz na Bíblia. Vivemos em um mundo em mudança e Jesus está vindo outra vez. Creio que o mundo está começando a ser abalado. Creio que isso está acontecendo na Igreja Adventista também. Algumas pessoas desejam o sangue de Cristo, mas não Sua justiça. Dois grupos estão emergindo no mundo. Para alcançar as pessoas, estamos iniciando um ministério chamado West Salem Mission, no norte de Ohio.

Quais são suas necessidades?

Andy: Primeira, orar pela direção de Deus. Ainda, que Ele nos abra as portas para partilharmos o evangelho eterno com as pessoas. Parte disso requererá transporte e gostaríamos de comprar uma van para quinze passageiros.

Os amish necessitam de muitas coisas que nós temos. O que os adventistas podem aprender da história de sua vida?

Andy: Cada um de nós pode beneficiar-se de um estilo de vida mais saudável e simples. Alguns adventistas também podem se beneficiar da ética do trabalho, do companheirismo espiritual e da família amish. Tudo contribuindo para ajudar mais uns aos outros. Um provérbio amish diz: “Você não conhece as pessoas até que sue com elas”.

Vocês teriam alguma mensagem para deixar para nós?

Andy: Sim. Devemos pregar e viver o evangelho eterno. Todas as pessoas estão chegando a um muro de concreto: elas terão de tomar uma decisão quanto a como irão transpô-lo. A questão é se eu seguirei os mandamentos de Deus ou as tradições de homens. Queremos colocar nossas coroas aos pés de Jesus.

Que Deus nos ajude a aprendermos com nossos erros e com os erros de outras pessoas. Minha experiência me ensinou muito a respeito da paciência de Deus. Às vezes, eu retrocedia e Deus me atraía a Ele com misericórdia e verdade. Não sou uma pessoa especial. O Senhor é. O tempo é breve e as pessoas estarão seguras se o seu coração for correto. [Equipe RA, da redação / Entrevista concedida a Garry Wagoner e publicada originalmente no site Advindicate / com tradução da equipe ASN]

VÍDEO EM INGLÊS TRAZ DEPOIMENTOS DO CASAL

VEJA TAMBÉM ESTA REPORTAGEM ESPECIAL EXIBIDA NA TV NOVO TEMPO SOBRE OS AMISH

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