O lugar do dom profético

Simpósio teológico reafirma a relevância dos escritos de Ellen White para a igreja hoje
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Evento bienal com 565 participantes de toda a América do Sul refletiu sobre a vida e ministério da profetisa. Foto: Vivian Vergílio

A cada dois anos é assim. Vindos de várias regiões do Brasil e de sete países vizinhos sul-americanos, teólogos, editores e líderes se reúnem por alguns dias para apresentar pesquisas, trocar ideias e experiências e fomentar a reflexão sobre a mensagem adventista. Nos dias 30 de abril a 4 de maio, o ponto de encontro dos 565 participantes do 11º Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano foi o Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP). Eles encararam uma maratona diária de dez horas de palestras plenárias e subplenárias sobre a vida, o ministério e os escritos de Ellen White.
O tema foi escolhido em função do centenário da morte da cofundadora da Igreja Adventista.

Na abertura do evento, líderes sul-americanos da igreja e organizadores do simpósio destacaram a importância do encontro e do tema. “O objetivo é trazer para nossos dias a importância do que Ellen White escreveu”, resumiu o propósito do evento o Dr. Jean Zukowski, professor de história do adventismo no Unasp e presidente da comissão organizadora. “Às vezes temos a ideia de que os profetas não eram humanos. Eles também tinham suas lutas. A diferença deles, talvez, foi a intensidade com que se entregaram a Deus, permitindo que ele os usasse a despeito de seus defeitos”, acrescentou o professor.

Para desmistificar essa visão, o Dr. Jim Nix aproveitou a palestra de abertura para pintar um retrato bem pessoal da pioneira. O diretor do White Estate, entidade que preserva e divulga os escritos da profetisa, falou sobre as duas características mais marcantes de Ellen White: seu profundo amor pela Bíblia e por Cristo. Nix a descreveu como uma avó amada pelos netos, vizinha prestativa e líder disposta ao sacrífico pessoal e financeiro pela missão.

Líderes, teólogos e editores consagram o livro Ellen White: Mulher de Visão. Foto: Vivian Vergílio
Líderes, teólogos e editores consagram o livro Ellen White: Mulher de Visão. Foto: Vivian Vergílio

Algumas plenárias mostraram que ainda há muito o que se estudar sobre o pensamento de Ellen White em relação a temas práticos e recorrentes, como política, recreação e música. Além de sistematizar o que ela escreveu sobre determinado tópico, o pesquisador sério deve levar em conta o contexto histórico de sua época. Fatos importantes da história norte-americana do século 19, como a guerra civil dos Estados Unidos, não podem ser ignorados. “A leitura também deve considerar a moldura do grande conflito. Os cinco livros da Série Conflito podem nos ajudar a entender isso”, defendeu o Dr. Jud Lake, professor da Southern Adventist University (EUA), ao identificar o pano de fundo dos escritos de Ellen White.

DECLARAÇÃO DE CONSENSO

Como em todo evento dessa natureza, uma declaração de consenso foi votada. O documento (disponível aqui) confirma a confiança na legitimidade do ministério de Ellen White e destaca que seus escritos têm a mesma autoridade que tiveram no período formativo da igreja. Por reconhecer a Bíblia como “única regra de fé e prática”, o grupo de teólogos acredita no ensino bíblico sobre a continuidade dos dons espirituais e enxerga em Ellen White a manifestação contemporânea do dom profético.

Quanto às questões práticas, a declaração sugere que o texto de Ellen White seja interpretado buscando seu significado natural e considerando seu contexto histórico e literário. Reafirma também que a administração da igreja, sua metodologia missionária e a orientação sobre o estilo de vida de seus fiéis deve tomar como base a Bíblia e os escritos de Ellen White. O documento conclui com o compromisso do grupo de estudar e incentivar o estudo das orientações da profetisa.

Os simpósios bienais têm fomentado a produção acadêmica num subcontinente mais conhecido por seu pragmatismo do que por sua reflexão teológica. As edições anteriores já debateram temas como teologia e metodologia da missão, a pessoa e obra do Espírito Santo e profecias, palestras que foram publicadas em forma de livro.

O próximo encontro, marcado para 2017, na Argentina, vai tratar do livro de Romanos, numa referência aos 500 anos da Reforma Protestante.

WENDEL LIMA é editor associado da Revista Adventista

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