Eu conheço minhas raízes

Curso que ensina crianças e adolescentes sobre a origem e trajetória da Igreja Adventista completa dez anos
Pastor José Santos e a esposa, Solange, apresentam a apostila do projeto para uma classe de desbravadores na Igreja do Tingui, em Curitiba (PR). Foto: arquivo USB
Pastor José Santos e a esposa, Solange, apresentam a apostila do projeto para uma classe de desbravadores na Igreja do Tingui, em Curitiba (PR). Foto: arquivo USB

Deyvid Dias era um adolescente de 15 anos, recém-batizado, que não sabia quase nada sobre o surgimento da denominação da qual passou a fazer parte. Foi nesse contexto que ele começou a participar do projeto “Eu Conheço Minha História”. A experiência marcou sua vida de tal maneira que Deyvid decidiu se tornar pastor. “Vi que minha igreja tem uma história. Ela não ‘surgiu do nada’, mas ‘nasceu no coração’ de Deus e tomou a proporção que tem hoje”, conta Deyvid, que hoje é pastor em Minas Gerais.

Há dez anos o curso “Eu Conheço Minha História” ajuda a reforçar a identidade da igreja, ensina sobre o surgimento e o propósito da mensagem adventista e inspira meninos e meninas ao compromisso com Cristo. As aulas são ministradas por professores voluntários, que precisam ser devidamente treinados. Orientados por uma apostila e vídeos disponíveis no Portal Adventista (para acessar os materiais, clique aqui), esses instrutores usam a criatividade para contar a história com dinamismo. Isso inclui dramatizar os relatos trajados com as roupas da época do início do adventismo e utilizar até a mascote Guigo.

Em nove aulas, os alunos aprendem sobre trajetória do povo de Deus, começando por Israel, passando pela história do cristianismo e do movimento milerita e terminando com a chegada do adventismo ao Brasil. Conforme observa Graciela Hein, diretora dos Ministérios da Criança e do Adolescente da sede sul-americana da Igreja Adventista, ao tomar como exemplo os pioneiros, o projeto tem ajudado os juvenis a conhecer a identidade da igreja e a crescer no relacionamento com Deus e na fidelidade a ele.

BAR MITZVAH

Deyvid fez parte da turma inicial do projeto, realizado pela primeira vez em 2005, na Igreja do Boqueirão, em Curitiba (PR). A ideia foi a resposta para uma necessidade local. “As líderes do ministério infantil me procuraram dizendo que as crianças não tinham interesse por religião”, relata Solange Santos, idealizadora do projeto junto com o marido, José Santos, que era o pastor daquela igreja.

O casal pastoral viu nesse pedido a oportunidade de cumprir um compromisso assumido quando estudavam na Universidade Andrews (EUA). Em 2000, o pastor Santos assistiu a uma aula sobre a apostasia crescente entre os jovens adventistas. “Fizemos um pacto na classe para tentar mudar essa situação.” O propósito deles foi reforçado depois que testemunharam o bar mitzvah, rito de passagem judaico que marca a transição dos meninos de 13 anos para a vida adulta. Nessa cerimônia, a origem do povo judeu é resgatada e o garoto lê um trecho da Torá.

Em princípio quando chegaram ao Brasil, trabalhariam com as crianças de 10 a 12 anos; porém, o interesse dos adolescentes os fez incluir participantes de até 15 anos. “Essa é a fase do descobrimento. Eles querem saber a razão das coisas e não aceitam que alguém decida por eles. Esse projeto trouxe respostas”, esclarece o pastor.

No ano seguinte ao da implantação, o projeto foi apresentado em várias instâncias administrativas da igreja e adotado pela denominação em nível sul-americano. Em 2006, a apostila foi aperfeiçoada pelo então pastor associado da Igreja do Boqueirão, Wellington Barbosa. “O material proporciona meios para que os juvenis entendam a origem bíblica de sua igreja, encontrem subsídios para se enraizar em sua cultura denominacional e busquem se comprometer com a missão profética do adventismo”, destaca Wellington, que hoje é editor de livros na CPB.

Apesar de não poder garantir uma relação de causa e efeito, os criadores do projeto chamam a atenção para o resultado da iniciativa: dos 45 participantes da primeira turma, apenas três não permanecem na igreja, e os outros servem a denominação como funcionários ou voluntários.

GUSTAVO CIDRAL é assessor de comunicação da União Sul-Brasileira

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