Retrato de um povo

Assembleia mostra a realidade de uma igreja unida na diversidade
As bandeiras e roupas típicas que enfeitaram as reuniões, especialmente no encerramento, simbolizam a dimensão mundial do movimento adventista presente em 216 países. Créditos da imagem: Leonidas Guedes
As bandeiras e roupas típicas que enfeitaram as reuniões, especialmente no encerramento, simbolizam a dimensão mundial do movimento adventista presente em 216 países. Créditos da imagem: Leonidas Guedes

De 2 a 11 de julho, o Sul, o Norte, o Leste e o Oeste se reuniram em San Antonio, Texas, para a 60ª assembleia mundial da Igreja Adventista. Cada delegado representou mais de 7.200 pessoas. Se Deus, com sua lente de resolução infinita, fosse fazer um retrato tridimensional dessa multidão, como ele seria? É difícil dizer. Mas até um limitado observador do Alamodome poderia apresentar uma fotografia panorâmica com uma impressionante riqueza de pixels humanos e divinos. Por falta de espaço, vou destacar apenas três aspectos.

1. A igreja é uma espécie de miniatura da futura assembleia no Céu, com sua intersecção de histórias, encontro de cores e concentração de heroísmo. Além das histórias que brilharam no palco, cada uma das 65 mil pessoas presentes representa uma combinação de ideias e experiências únicas. A assembleia é o melhor lugar para testemunhar a diversidade da igreja e abrir a cabeça para outros pontos de vista.

Figuras de todos os estilos fizeram a festa dos fotógrafos. Mas, em meio à diversidade de visuais e opiniões, notou-se uma saudável unidade. Cristo, que dá sentido às doutrinas e práticas, unifica as diferenças. Enquanto estivermos unidos a ele e respeitando uns aos outros, a unidade será uma realidade.

2. A igreja fica mais bonita na foto quando ri do que quando briga. Mesmo em meio à gravidade dos assuntos sérios, é possível ter bom humor, o que melhora o clima. No sermão do sábado, dia 4, o divertido secretário G. T. Ng ajudou a diminuir a tensão. Michael Ryan, que presidiu a votação mais complexa da agenda, brincou: “Há tanta gente hoje que os tesoureiros estão imaginando se poderiam recolher uma oferta!” Quem tem senso de humor riu.

Num nível mais profundo, houve bonitas manifestações de graça. Para citar um caso, o pastor Robert Folkenberg renunciou à presidência da igreja em 1999. Entretanto, ao ser homenageado no último sábado, o envelhecido líder não pôde ocultar as lágrimas pelo Skype e foi aplaudido calorosamente. No dia em que a igreja deixar de revelar graça, passando apenas a demonstrar poder, ela não mais será igreja. Na foto oficial, a noiva de Cristo não deve sair com uma máscara liberal nem com uma carranca fundamentalista, mas com um sorriso nos lábios e o brilho da imagem dele nos olhos.

3. A igreja cumpre melhor seu papel quando segue o Livro, une o passado e o futuro e se concentra na missão. A assembleia mostrou que, coletivamente, os adventistas ainda são o povo da Bíblia e desejam continuar submissos à sua autoridade. Apesar de o tema da ordenação feminina ser polarizador, tanto os defensores do “sim” como os do “não” procuraram fundamentar sua opinião na Palavra de Deus. Achar que apenas um dos lados foi influenciado por fatores culturais é cegueira sociológica. A maneira de ler os dados bíblicos pode dar a impressão de que o Norte e o Sul têm graus diferentes de compromisso com as Escrituras, mas isso é falso. Adventismo genuíno é a encarnação do evangelho eterno no contexto presente.

Durante toda a assembleia, o legado dos pioneiros e o desafio das novas gerações foram destacados. Esquecer o passado é perder a identidade e comprometer o futuro. Não olhar para o futuro é perder a esperança e anular o passado. Por definição, conforme lembrou um pregador, os adventistas olham para o futuro. Eles não são apenas uma comunidade da memória, mas o povo da escatologia.

A urgência da missão foi enfatizada no próprio tema do congresso: “Levante-se! Resplandeça! Jesus está voltando!” Não causa surpresa que a cada 27 segundos uma pessoa se una à igreja. Nesse espírito, o grand finale não foi um simples desfile das nações, mas uma festa das missões. Afinal, a igreja não pode parar enquanto Jesus não aparecer nas nuvens.

Eu não poderia encerrar sem destacar a grande cobertura feita pela equipe da Revista Adventista no site www.revistaadventista.com.br/gc2015 (que continua disponível), com destaque para os editores Márcio Tonetti e Wendel Lima, o enviado especial Diogo Cavalcanti, a tradutora Cecília Eller e o designer Eduardo Olszewski. A última reportagem da assembleia você confere nesta edição. Boa leitura para você e um abençoado período de trabalho para os eleitos!

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

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