Até os confins da Terra

Núcleo de Missões do Unasp prepara e envia 58 universitários para projetos de curta duração na América do Sul, África e Ásia
Em quase um mês de trabalho, estudantes ajudaram a construir uma escola em Nampula, Moçambique. Créditos da imagem: Caroline Stabenow
Em quase um mês de trabalho, estudantes ajudaram a construir uma escola em Nampula, Moçambique. Créditos da imagem: Caroline Stabenow

A tarefa dada por Jesus de ir e pregar até os confins da Terra tem incomodado dezenas de alunos do Unasp, campus Engenheiro Coelho. Em julho, 58 desses universitários puderam demonstrar esse engajamento na missão transcultural, tendo uma experiência singular em quatro realidades bem distintas: Brasil, Índia, Moçambique e Uruguai.

Todos eles são jovens enviados pelo Núcleo de Missões e Crescimento de Igreja (Numci), um departamento da instituição criado em 2007. Apesar de as missões serem de curta duração, os locais escolhidos e as estratégias adotadas foram pensados tendo em vista resultados de longo prazo.

ÍNDIA, MOÇAMBIQUE E URUGUAI

Nessas férias de inverno, a iniciativa mais inusitada foi para a Índia, uma prioridade para o planejamento da missão urbana adventista. O grupo realizou atividades evangelísticas e trabalhos comunitários em Punjab, na fronteira com o Paquistão; e numa vila hindu, sem presença cristã, na cordilheira do Himalaia.

Nessa região estão localizados santuários de grandes religiões mundiais. Ali também está a maior concentração de adeptos do siquismo. Essa religião monoteísta é uma mescla de elementos hinduístas e islâmicos.

Pensando em longo prazo, o Unasp tem concedido bolsas de estudo para adventistas nativos da chamada Janela 10/40. A ideia é apoiar alunos que desejam estudar no campus brasileiro para voltar como missionários para sua terra natal.

Esse é o caso do jovem indiano Hezron Jacob, estudante de Teologia na instituição. Ele acredita que experiências transculturais ampliam a compreensão das necessidades do ser humano. “Aprendemos a olhar com outros olhos para o próximo e isso pode ser muito importante para o crescimento de nossa igreja”, avalia Hezron, um dos líderes da viagem missionária para o norte da Índia.

Com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo, Moçambique é um lugar de muitas carências humanitárias. Por isso, os participantes tiveram que doar bastante energia e disposição com ações na área de saúde e educação. Em quase um mês de trabalho, eles ajudaram a construir uma escola em Nampula, por exemplo. O grupo também reservou tempo para a abordagem evangelística: dialogar com islâmicos, grupo religioso predominante na região.

Na América do Sul, a maior equipe se dedicou ao tradicional trabalho com os ribeirinhos em Manaus, na Amazônia. Os voluntários uniram forças para colaborar na evangelização das comunidades (entre elas uma tribo indígena dos saterés-maués), bem como em ações de educação, saúde e lazer.

No Uruguai, país com a maior porcentagem de ateus e sem religião da América Latina, os estudantes se concentraram no apoio às congregações de Rivera. Eles desenvolveram iniciativas missionárias para fortalecer a fé dos adventistas nativos.

PREPARO

Desde a morte do pastor Berndt Wolter em 2014, um visionário que enxergava na igreja brasileira um potencial adormecido para as missões transculturais, o Numci tem passado por reestruturação. O primeiro passo foi elaborar uma estratégia de trabalho com base em quatro pilares: pesquisa, publicação, capacitação e missão. O segundo foi organizar eventos que pudessem atrair estudantes com essa “veia” missionária. Em março, o congresso de Teologia da faculdade foi dedicado ao tema e, em maio, houve um treinamento de uma semana para 47 participantes.

“O Espírito Santo tem despertado os jovens brasileiros para o envolvimento na missão, e o Numci sente a responsabilidade de capacitá-los para essa tarefa”, analisa o pastor Marcelo Dias, diretor do Numci e professor do Unasp.

GABRIEL STEIN é jornalista e estudante de Teologia no Unasp

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