A bandeira da liberdade

Depois de 20 anos em defesa do direito de crença, John Graz visita o Brasil em sua última viagem internacional à frente da IRLA
Diante de 7 mil pessoas em Manaus, líderes apresentaram as implicações práticas da liberdade religiosa e incentivaram os adventistas a ser embaixadores da causa.  Foto: Tiago Virmes/ASN
Diante de 7 mil pessoas em Manaus, líderes apresentaram as implicações práticas da liberdade religiosa e incentivaram os adventistas a ser embaixadores da causa. Foto: Tiago Virmes/ASN

América do Sul foi o destino de sua última viagem internacional antes de se aposentar e deixar o cargo que exerceu nos últimos 20 anos: o de secretário-geral da Associação Internacional de Liberdade Religiosa (Irla). A dedicação de John Graz a essa causa tem que ver com sua criação e educação formal. O avô dele foi morto num campo de concentração nazista por esconder judeus franceses e ele aprendeu em casa a valorizar a tolerância e defender o direito de crença como um elemento básico da dignidade humana.

De 1995 para cá, Graz já viajou para mais de cem países, participou de fóruns nos cinco continentes, organizou quatro congressos mundiais e criou os festivais de liberdade religiosa. O último deles ocorreu em Manaus, no dia 23 de maio. Nessa última viagem como líder da Irla, Graz foi homenageado no Brasil e no Peru. Mais importante, contudo, que sua biografia, é a causa que defende e o legado que deixa.

MANAUS

O principal compromisso público de John Graz no Brasil foi em Manaus. A capital amazonense sediou pela primeira vez um fórum e um festival sobre o tema organizados pela Igreja Adventista. Na Assembleia Legislativa, no dia 21 de maio, foram apresentados dados, histórias e conceitos para lembrar os participantes de que o livre direito à crença depende de governos, sociedade civil e, obviamente, das instituições religiosas.
No dia seguinte, 22, a comitiva conscientizou os pastores da região. Reunidos na Igreja da Avenida das Torres, os ministros foram instruídos a atuar como embaixadores da liberdade religiosa. O grupo recebeu o livro Embaixador da Igreja, de autoria de John Graz, e disponível no site downloads.adventistas.org.

No sábado à tarde, dia 23, os defensores da causa procuraram mostrar as implicações práticas do tema. “Sem a liberdade religiosa, não haveria nem o direito de um pai educar seus filhos na própria fé”, exemplificou Graz para as 7 mil pessoas que foram ao auditório Canaã no intuito de agradecer a Deus pela liderdade de crença no Brasil. O festival teve direito a música e homenagens. Vários líderes regionais, nacionais e mundiais da Irla foram condecorados com medalhas e certificações.

A agenda de Graz pela América do Sul incluiu também a capital paulista. Lá, ele participou de um simpósio na Assembleia Legislativa, no dia 25 de maio. O evento, organizado pela Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania (Ablirc), reuniu autoridades e líderes de várias religiões. John Graz elogiou a postura do Brasil sobre o tema e disse que iniciativas como essa podem servir como exemplo para outras nações.

John Graz é homenageado no Congresso Nacional do Peru. Foto: ASN
John Graz é homenageado no Congresso Nacional do Peru. Foto: ASN

O exemplo foi seguido pelos vizinhos Peru e Chile. Graz foi homenageado com um diploma e uma medalha no Congresso Nacional do Peru, no dia 28 de maio; e participou de eventos acadêmicos na Universidade Adventista do Chile e na capital Santiago.

BALANÇO DE 20 ANOS

Graz relembrou que, quando assumiu a secretaria-geral da Irla, em 1995, havia indicadores positivos para maior aceitação do conceito de liberdade religiosa. O mundo, então, respirava o pós-comunismo, por exemplo, e a tolerância religiosa começava a ser realidade em algumas nações antes fechadas.

Hoje, no entanto, ele vê certo retrocesso, principalmente ao analisar a intolerância demonstrada por grupos religiosos extremistas e por governos totalitários que punem a conversão religiosa com prisão, tortura e perseguição. Apesar de todas as dificuldades, Graz observou que nos últimos 20 anos a liberdade religiosa apresentou progressos na China, Vietnã e Tunísia (até com alterações constitucionais).

FELIPE LEMOS é assessor de comunicação da sede sul-americana da Igreja Adventista (com colaboração de Alfredo Müller, Augusto
Cavalcanti e Tatiane Virmes)

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