Levante-se e brilhe

Presidente da igreja revela planos para os próximos anos
Por Bill Knott
Créditos da imagem: Leonidas Guedes
Créditos da imagem: Leonidas Guedes
No dia 3 de julho, cerca de 90% dos 2.400 delegados presentes naquele momento na assembleia mundial da Igreja Adventista votaram conceder mais um mandato de cinco anos ao pastor Ted N. C. Wilson como líder máximo da denominação. Quando entraram no palco, ele e a esposa, Nancy, foram entusiasticamente aplaudidos. “É com humildade e respeito sereno que nos colocamos diante de vocês e de Deus, e aceitamos essa responsabilidade”, ele disse.

Depois, nos bastidores do Alamodome, ele confessou que teve o mesmo sentimento de cinco anos atrás: “É um grande peso. Mas estou alegre porque podemos nos apoiar em Deus. É seu poder. Sua força. Sua igreja.”

Esta entrevista foi feita pelo editor da Revista Adventista em inglês logo após a reeleição de Wilson e adaptada pela versão brasileira do periódico. Nela, o presidente fala sobre os desafios da função, os planos para o novo período e como encarar as decisões recentes.

O senhor acabou de ser reeleito presidente mundial da Igreja Adventista por mais cinco anos. Qual é a sensação?

É um convite extremamente desafiador para o qual a pessoa se sente despreparada. Quando você olha para os olhos e rostos dos delegados e membros da igreja, percebe que a tarefa é muito maior do que sua própria habilidade. Ninguém pode lidar com ela, exceto pela ajuda direta do Senhor. É uma experiência que causa um grande senso de humildade.

Em um momento como este, há três coisas que você pode fazer: encolher e se sentir totalmente inadequado, a ponto de se tornar imobilizado, o que Deus não quer; empolgar-se demais por ter sido eleito e se tornar muito confiante, o que o Senhor também não deseja; ou usar os talentos que Deus deu, mas dependendo inteiramente dele. Então, sinto o peso da função e a levo ao pé da cruz.

É preciso contar com a sabedoria divina…

Eu me encontro na mesma postura de Salomão no início de sua administração. Só o Senhor é suficiente para levar os fardos dessa função. Durante os últimos cinco anos, tenho visto como Deus interveio em muitas ocasiões, como orquestrou coisas muito além do que eu teria imaginado ou poderia ter feito. Há uma mão sobrenatural nesta igreja, e o Senhor não vai deixá-la. Tenho em meu escritório uma pequena placa em que há uma frase do livro Profetas e Reis, página 31: “Quando o que leva um fardo opressivo deseja sabedoria mais do que riqueza, poder ou fama, não ficará desapontado. Tal pessoa aprenderá do grande Mestre não somente o que fazer, mas como fazê-lo de maneira a alcançar a divina aprovação.”

O senhor manteve uma agenda incrível de viagens nos últimos cinco anos. Como consegue encontrar energia para fazer isso por mais um mandato?

Acho que não vou viajar tanto. Se depender de minha esposa, não iremos. A realidade e a razão impuseram certos limites. Vai ser de vital importância gastar mais tempo em reflexão espiritual para entender como o Senhor deseja que a igreja continue. Correr aqui e ali pode parecer progresso, mas hoje a tecnologia permite estar em contato constante, em qualquer lugar. Aprendi a fazer pleno uso de e-mail e mensagens de texto. Mas você tem razão: há um limite para o corpo.

Existe a probabilidade de que membros ou grupos fiquem decepcionados com alguma das decisões da assembleia. O que o senhor diria para eles?

Independentemente da decisão, a igreja ainda é a menina dos olhos de Deus. Mesmo que as decisões não sejam do gosto de alguém, não há outro lugar para ir. Esta é a igreja remanescente. Não leio em nenhum lugar na Bíblia nem nos escritos de Ellen White que haverá um remanescente do remanescente. Assim, apelo para que todos fiquem firmes. Há momentos em que você pode continuar discordando de uma decisão por um longo período, mas Ellen White nos exorta que, quando a sessão da Associação Geral toma uma decisão, precisamos nos humilhar e acatar. Se não formos cuidadosos, o desapontamento e o desânimo podem se transformar em amargura. Os propósitos de Deus para a igreja são sempre maiores do que qualquer decisão individual.

Nos últimos anos, o senhor esteve envolvido no lançamento de uma série de grandes iniciativas, como “Reavivamento e Reforma”, “A Grande Esperança” e “Evangelismo para as Grandes Cidades”. Devemos esperar novas iniciativas desse tipo ou a ênfase será nas existentes?

As iniciativas que nos deram um fundamento sólido para o último quinquênio continuarão. Mas há três áreas que eu espero que caracterizem o que vamos fazer nos próximos cinco anos. A primeira é uma ênfase em Cristo e sua justiça, o centro das três mensagens angélicas. Essa mensagem conduz as pessoas para a verdadeira adoração a Deus, a fim de perceber a beleza da sua justiça e da graça que nos cobre.

A segunda área é a fidelidade. Vivemos em uma cultura muito existencial que sugere que nenhuma lealdade pode ser permanente. Mas Deus nos chama para aumentar a fidelidade a ele e à sua Palavra. Falaremos sobre fidelidade nas relações pessoais, na verdade bíblica, no estudo da Palavra, na oração e no estudo do Espírito de Profecia, entre outras coisas.

A terceira área é o envolvimento total dos membros no evangelismo e no testemunho. Queremos toda a igreja envolvida, e não apenas um grupo profissional pago. Ellen White fez esta declaração maravilhosa em Obreiros Evangélicos, página 352: “A obra de Deus na Terra nunca poderá ser terminada a não ser que os homens e as mulheres que constituem a igreja se envolvam no trabalho e unam seus esforços aos dos pastores e oficiais da igreja.”

Qual é o papel dos ministérios de apoio na mobilização de cada membro?

Ao longo dos últimos anos, tentamos ampliar a compreensão sobre o que seja realmente um ministério de apoio. Esses ministérios são exatamente o que afirmam ser: apoiadores. Se não estão apoiando, não são parte da missão da igreja. Eles são constituídos por pessoas não pagas pela igreja, mas que encontram maneiras para se sustentar e estão envolvidas na missão de compartilhar as três mensagens angélicas e anunciar que Cristo virá em breve.

Uma pergunta habitual a um líder recém-eleito: qual é o maior problema que a igreja enfrenta?

Existem duas questões, na verdade. Uma é a enorme tentativa por parte da sociedade, e eu acredito que pelo diabo, de neutralizar a Bíblia e o conhecimento dela. Muitos adventistas podem saber coisas sobre a Bíblia, mas não a conhecem bem. É por isso que estamos lançando o projeto “Crede em Seus Profetas” e “Unidos na Oração”. Imersos na verdade bíblica e nos inspirados conselhos de Ellen White, os membros vão encontrar uma profunda experiência espiritual.

A segunda grande questão é que muitos adventistas parecem não compreender o papel profético da nossa igreja. Pertencemos a um movimento profético, com uma mensagem profética, em uma missão profética. E, se os membros não entenderem isso, eles não verão a história da liderança milagrosa de Deus no movimento e como ele continuará a nos dirigir nos dias tumultuosos à frente.

O que o senhor diria para os adventistas que estão em lugares difíceis, onde não podem praticar ou compartilhar abertamente sua fé?

Em qualquer situação, devemos demonstrar os frutos do Espírito. Essas lindas características irão, automaticamente, fazer de você uma testemunha, e as pessoas notarão a diferença. A igreja está se movendo rapidamente em áreas onde há potencial para grande oposição de outras religiões e alguns governos. Espero que os membros saibam que há uma multidão que se lembra deles em suas orações. Onde quer que você esteja, saiba que é parte de uma família universal e que os anjos de Deus estão com você. Quando vejo o que está acontecendo ao redor do mundo, sinto que o fim está próximo. Que privilégio é fazer parte do movimento adventista neste momento da história! Por isso, destaco o tema da assembleia: “Levante-se! Resplandeça! Jesus está voltando!”

Para saber +

CARREIRA NA LIDERANÇA

Jeito tranquilo, fala suave, cristão exemplar, o pastor Ted N. C. Wilson vem de uma família de líderes da igreja. Seu avô foi pastor e administrador. O pai, Neal C. Wilson, foi presidente da Associação Geral de 1979 a 1990. Mais conservador do que o pai e típico adventista tradicional, Ted Wilson dá grande ênfase à Bíblia e aos escritos de Ellen White.

Nascido em 10 de maio de 1950, em Takoma Park (EUA), ele passou parte da infância no Egito. Além de um mestrado em divindade pela Universidade Andrews e outro em saúde pública pela Universidade de Loma Linda, tem um doutorado em educação religiosa pela Universidade de Nova York. Fala inglês, francês e um pouco de russo.

Ele começou a carreira pastoral em 1974. Entre outras funções, foi presidente da Divisão Euro-Asiática, presidente da editora Review and Herald e vice-presidente da igreja mundial, até ser eleito presidente da denominação em 2010 e reeleito em 2015.

É casado com Nancy Louise Vollmer Wilson, e o casal tem três filhas (duas casadas com pastores) e nove netos.

[Tradução: Willian Vieira]

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