Embaixadores da paz

Autoridades da área de liberdade religiosa discutem como as denominações podem ajudar na pacificação de conflitos
Evento reuniu representantes de várias universidades. Entre eles, David Little, professor emérito de Harvard Divinity School; Brian Cox, vice-presidente sênior do Centro Internacional para a Religião e Diplomacia; Cole Durham, presidente do Consórcio Internacional de Direito e Estudos religião baseada em Milão, Itália; T. Jeremy Gunn, professor de relações internacionais na Universidade Al Akhawayn, em Ifrane, Marrocos; e, Amal Idrissi, professor de direito na Universidade de Moulay Ismael em Meknes, Marrocos.
Fórum foi realizado na Faculdade de Direito da Universidade Pepperdine, na Califórnia (EUA). Créditos da imagem: Barry Bussey / IRLA

O papel da religião diante dos conflitos globais da atualidade foi o tema discutido no 17º fórum anual organizado pela Associação Internacional de Liberdade Religiosa (IRLA), entidade ligada à Igreja Adventista do Sétimo Dia. O evento, realizado nos Estados Unidos, reuniu acadêmicos, advogados e representantes de organizações de sete países.

“Precisamos usar a fé ancorada no perdão e na reconciliação”, enfatizou Robert A. Seiple, presidente da IRLA e ex-embaixador dos Estados Unidos. “Necessitamos conhecer a nossa própria fé e, da mesma forma, entender e respeitar a fé do vizinho”, reforçou ele.

Ao refletir sobre o assunto, Seiple citou o caso do genocídio de Ruanda, em 1994, que resultou em cerca de 800 mil mortos. Segundo ele, um dos aspectos mais preocupantes desse triste episódio da história do país africano foi o fato de o genocídio ter ocorrido dentro de uma nação “cristianizada”, onde cerca de 85 por cento da população se declarou cristã.

Apesar do fracasso das igrejas na época em contribuir para a pacificação do conflito, desde então os valores religiosos desempenham um papel vital na reconstrução da estabilidade social. Isso tem feito com que os ruandeses mostrem o poder do perdão, disse Seiple, ao lembrar que muitos perpetradores do genocídio hoje convivem lado a lado com suas vítimas.

Questões cruciais

Cada palestra apresentada no fórum internacional partiu de duas questões fundamentais: “Como podemos viver com nossas diferenças mais profundas?” e “Como a religião pode superar as guerras, a limpeza étnica e os genocídios alimentados por discriminação religiosa?”

Considerando o elevado índice de pessoas que sofrem discriminação, perseguição ou até mesmo o martírio por causa de suas crenças, Ganoune Diop, secretário-geral da IRLA, ressaltou que 5,5 bilhões de pessoas – ou 77 por cento da população mundial – vivem em países com “um nível elevado ou muito elevado de restrições à religião”, de acordo com um estudo do Pew Research Center divulgado neste ano.

Levando em conta as crescentes ameaças à liberdade religiosa, nas últimas duas décadas o evento tem reunido as principais autoridades dessa área ao redor do mundo para analisar as tendências jurídicas e sociológicas ao redor do mundo. Os trabalhos apresentados nos fóruns são publicados anualmente e têm produzido um conjunto significativo de recursos acadêmicos e práticos. As apresentações deste ano serão divulgadas no periódico Fides et Libetas, cuja edição poderá ser acessada em breve no site irla.org ou na página da entidade no Facebook.

A 17ª edição do fórum contou com a participação especial de David Little, professor emérito da Harvard Divinity School; Brian Cox, vice-presidente sênior do International Center for Religion and Diplomacy; Cole Durham, presidente do International Consortium for Law and Religion Studies, com sede em Milão (Itália); T. Jeremy Gunn, professor de relações internacionais na Universidade Al Akhawayn, em Ifrane (Marrocos); e, Amal Idrissi, professor de direito na Universidade de Moulay Ismael, em Meknes (Marrocos).

Para saber +

A IRLA foi estabelecida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1893 e é a mais antiga organização de defesa da liberdade religiosa no mundo. Ela promove a liberdade de crença para todas as pessoas, independentemente da fé, e tem o estatuto de organização não-governamental nas Nações Unidas. Junto com a reunião anual de peritos, a IRLA patrocina festivais de liberdade religiosa regionais e fóruns, além de organizar um congresso mundial a cada cinco anos, que atrai estudiosos, profissionais do direito, funcionários governamentais e defensores dos direitos humanos. [Equipe RA, da Redação / Com informações de Bettina Krause e Barry Bussey, da IRLA, publicada na Adventist Review]

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