O que Ellen White conhecia do Brasil

Semana de História do Unasp, campus Engenheiro Coelho, traz estudo sobre as relações da profetisa e seus familiares com o país sul-americano
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Elder Hosokawa expõe a relação entre Ellen G. White e seus familiares com o Brasil na 4° Semana de História do Unasp. Créditos da imagem: Dayane Fagundes

No ano em que é lembrado o centenário da morte de Ellen G. White, a 4ª Semana do Curso de História do Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP), realizada nos dias 24 a 27 de agosto, mostrou aspectos pouco conhecidos da história da profetisa. Um dos principais foi a relação da pioneira com o Brasil.

Ao que se sabe, Ellen White não mencionou o país em seus escritos e nunca esteve por aqui. A distância, evidentemente, era um dos impedimentos. Na época, o tempo gasto numa viagem dos Estados Unidos ao Brasil num veleiro era de aproximadamente 60 dias.

No entanto, embora a pioneira não tenha pisado em terras brasileiras, a mensagem pregada por ela acabou chegando por aqui de forma indireta, conforme conta o autor da pesquisa e coordenador do curso, Elder Hosokawa. Além disso, há evidências de que EGW ao menos sabia da existência do Brasil. A principal ponte entre o país e a profetisa foi José Bates. Quando ainda era um marinheiro, Bates fez viagens comerciais pelo continente sul-americano, rota que incluía o litoral brasileiro. “Ellen e Tiago White conheceram Bates em 1846, depois de sua conversão. Tiago convenceu Bates a escrever relatos sobre suas aventuras como marinheiro e a respeito de sua conversão, um material que Ellen teve acesso”, comenta Hosokawa.

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William Ings, que trabalhou como missionário na Inglaterra auxiliando John N. Andrews, enviou literatura da Inglaterra para o mundo por meio de navios. Segundo seus registros, esses materiais evangelísticos chegaram em três portos brasileiros. Créditos da imagem: White Estate
Outro detalhe curioso é o contato que EGW teve com Jenny e William Ings. Esse casal missionário usava os portos ingleses como pontos estratégicos para a evangelização. “Na época, a Inglaterra era o principal centro de comunicação com o mundo,” observa o professor. “Através de seus portos, o país tinha contato com a África, com o extremo Oriente e o restante do planeta”, frisa. Ciente disso, em 1880, Ings começou a distribuir literatura adventista para os capitães dos navios que aportavam na região. A principal delas foi a Stimme der Wahrheit (O Arauto da Verdade), que chegou ao Brasil em 1880.

Mas, conforme constatou o historiador, possivelmente um dos principais contatos de Ellen White com o Brasil tenha acontecido no dia 25 de agosto de 1909, em Council Grove, Kansas (EUA). Nessa pequena cidade, a escritora pregou um sermão embasado em Atos 2 para um grupo de alemães. “Mas ela não falava alemão”, observa Hosokawa. “Por isso, quem provavelmente a traduziu foi o pastor Frederick Spies, que a acompanhava”, explica. Spies foi presidente da Conferência União Brasileira e trabalhou, inclusive, como gerente da Casa Publicadora Brasileira.

O MUNDO DE ELLEN WHITE

Algumas apresentações da Semana de História também abordaram o contexto histórico e social em que a profetisa viveu. Conforme expôs o doutor Fabio Augusto Darius, que também atua como professor do curso, Ellen G. White presenciou momentos de fortes transformações culturais, bem como o início da hegemonia dos Estados Unidos como nação mais forte do planeta – embora tenha morrido antes do fim da I Guerra Mundial.

“Ellen presenciou toda essa série de transformações, escreveu sobre isso e se antecipou em várias questões, principalmente no que se referia à saúde e à educação. Mesmo sendo fruto de sua própria época, em seus escritos a profetisa transcendeu a sua temporalidade”, destaca Darius.

“Ela era uma mulher inovadora, diferente e bem à frente de seu tempo. Ela era mãe, esposa e serva de Deus. Um exemplo para as mulheres atuais”, comentou Janaina Xavier, ao recordar o fato de Ellen ter desempenhado um grande papel na história do adventismo apesar de ter atuado em uma época fortemente marcada pelo machismo.

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Centro White do campus organizou exposição mostrando diferentes aspectos da vida de EGW. Créditos da Imagem: Dayane Fagundes
Conforme explica Elder Hosokawa, a ênfase em assuntos como os que foram abordados durante a 4ª Semana de História do Unasp, são uma tentativa de resgatar a história do adventismo e formar uma nova geração de pesquisadores. Para Robson Dias, aluno do 3° ano do curso, a “gama de opções de estudos relacionados à história da Igreja Adventista é uma grande oportunidade, principalmente para identificar o papel de cada membro dentro do sistema religioso”. Segundo Hosokawa, o objetivo é que os futuros educadores transmitam tal conhecimento para seus alunos e, assim, mantenham viva a memória adventista.

DAYANE FAGUNDES é estudante do 4º ano de Jornalismo do Unasp, campus Engenheiro Coelho

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