Visão mais ampla

Entenda por que Guilherme Miller não se tornou adventista
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Créditos da imagem: Diogo Cavalcanti

Gosto muito de história, especialmente dos homens e mulheres que escreveram os primeiros capítulos do movimento adventista. Há poucas semanas, depois da assembleia da Associação Geral, minha família e eu visitamos alguns lugares que protagonizaram nossa história. Estivemos na última casa em que Ellen White viveu e também na fazenda onde Guilherme Miller estudou as profecias de Daniel e foi chamado para resgatar a mensagem da segunda vinda de Cristo.

A visita à fazenda de Miller deixou marcas especiais. Estivemos na capela construída por ele depois do desapontamento e na “pedra da ascensão” (foto), onde, juntamente com um grupo de pessoas, ele aguardou a volta de Cristo em 22 de outubro de 1844. Trata-se de um lugar inspirador, com uma visão do horizonte que renova a esperança.

Quando visitamos o quarto e o escritório dele, bem como o túmulo em que ele está sepultado, algumas perguntas me vieram à mente. Por que Miller nunca fez parte do grupo que originou a Igreja Adventista do Sétimo Dia? Por que continuou marcando datas para a volta de Cristo? Por que viveu apenas poucos anos depois do desapontamento de 1844?

Ellen White oferece respostas profundas e uma visão mais ampla e esclarecedora sobre o assunto no livro Primeiros Escritos (p. 257, 258). Isso mostra que precisamos ter cuidado com conclusões rápidas, superficiais e precipitadas em qualquer situação. Sempre há uma história por trás da história e precisamos conhecê-la bem. Diz a mensageira:

“Minha atenção foi então chamada para Guilherme Miller. Ele parecia perplexo e estava quebrantado por ansiedade e angústia por seu povo. O grupo que havia estado unido em amor em 1844 estava perdendo seu amor, opondo-se uns aos outros e caindo num frio estado de apostasia. Ao contemplar iso, o sofrimento consumiu-lhe as forças. Vi líderes observando-o, temerosos de que ele aceitasse a mensagem do terceiro anjo e os mandamentos de Deus. E, quando ele se inclinava para a luz do Céu, esses homens elaboravam algum plano para desviar-lhe a mente. Uma influência humana foi exercida para conservá-lo em trevas e reter sua influência entre os que se opunham à verdade. Finalmente, Guilherme Miller levantou a voz contra a luz do Céu. Falhou ao não receber a mensagem que teria explicado plenamente seu desapontamento e lançado luz e glória sobre o passado, o que lhe teria restaurado as energias perdidas, iluminado sua esperança e o levado a glorificar a Deus. Ele se apoiou na sabedoria humana em lugar da sabedoria divina. Mas, enfraquecido por árduos esforços na causa do seu Mestre e pela idade, não foi tão responsabilizado como os que o afastaram da verdade. Esses são responsáveis. O pecado repousa sobre eles.

“Se tivesse sido possível a Guilherme Miller ver a luz da terceira mensagem, muita coisa que lhe parecia escura e misteriosa teria sido explicada. Mas seus irmãos professavam tão profundo amor e interesse que ele achou não dever romper com eles. Seu coração se inclinava para a verdade, e então ele olhava para seus irmãos, que se opunham a ela. Podia afastar-se dos que com ele tinham permanecido lado a lado na proclamação da vinda de Jesus? Ele pensava que certamente não poderiam levá-lo ao extravio.

“Deus permitiu-lhe cair sob o poder de Satanás, o domínio da morte, e escondeu-o na sepultura, afastando-o daqueles que o estavam constantemente desviando da verdade. Moisés errou quando estava prestes a entrar na terra prometida. Assim também, vi que Guilherme Miller errou quando já estava perto de entrar na Canaã celestial, ao permitir que sua influência fosse contra a verdade. Outros o levaram a isso; outros darão conta por isso. Mas os anjos vigiam o precioso pó desse servo de Deus, e ele ressurgirá ao som da última trombeta.”

O assunto é mais amplo do que pode parecer. Miller falhou, mas isso foi resultado da influência de outros, e eles serão responsabilizados. Induzir pessoas ao erro nos faz culpados em seu lugar, e esse princípio continua válido. Sua morte igualmente não foi apenas resultado da idade ou enfermidade, mas de uma ação divina para protegê-lo. Ainda hoje, a morte pode parecer algo acidental ou natural, e procuramos entender seus porquês. Mas Deus tem uma visão mais ampla que só a eternidade revelará. O descanso de seus filhos é uma demonstração de seu amor.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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