Batalha invisível

Simpósio realizado na Andrews University trata sobre as implicações da batalha espiritual no contexto da missão

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Não é necessário um olhar muito profundo para perceber que a sociedade contemporânea, ao mesmo tempo que parece rejeitar a religião na sua forma tradicional, consome estranhamente altas doses de conteúdos que, explicita ou implicitamente, promovem o sobrenatural. Explorado há milhares de anos em diversas sociedades e culturas, o conceito de guerra espiritual (bem x mal) continua atual como nunca e é geralmente apresentado de maneiras distorcidas, se afastando da compreensão cristã sobre o tema.

Com a proposta de debater e especialmente preparar missionários para lidar com os efeitos da batalha invisível que afeta não apenas a igreja, mas a comunidade na qual ela está inserida, o departamento de missão do Seminário de Teologia da Andrews University, localizado no estado de Michigan (EUA), realizou uma conferência sobre “Guerra Espiritual e o oculto nas Escrituras, história e sociedade contemporânea”. As apresentações de trabalhos sobre o tema, seguidas de sessões de perguntas e respostas, começaram na noite de quinta-feira, 24 de setembro, e foram encerradas no fim da tarde de sábado, dia 26.

O primeiro trabalho, apresentado por Jírí Moskala, decano do seminário, tratou de “Mágica e ocultismo no Antigo Testamento: pressuposições, respostas e a atitude de Deus”. Gordon Doss falou sobre o animismo, o oculto e a missão. Já Robert Johnston abordou as práticas de exorcismo no Novo Testamento. Alexa Sharma, que é o nome usado por uma americana em serviço na Índia, testemunhou sobre o real desafio da batalha espiritual no campo missionário. Por sua vez, Michée Badé apresentou uma abordagem prática para a libertação de pessoas sob domínio espiritual e Ranko Stefanovic analisou as atividades demoníacas do fim dos tempos que estão presentes no livro do Apocalipse. Cristian Dumitrescu expôs o histórico da guerra espiritual e das manifestações do oculto ao longo da história da igreja. Bruce Bauer apresentou estudo com conclusões para a seguinte pergunta: devemos nos envolver no diálogo com os demônios? Apesar das justificativas de quem vê utilidade na prática, Bauer concluiu que não. Mark Coleman analisou a perspectiva da escritora Ellen G. White sobre a guerra espiritual e o oculto, e o casal Loren e Ann Hammel tratou de outra questão bastante sensível: doenças mentais e demonização.

A partir do relato bíblico da atuação de Jesus diante do endemoniado geraseno (Mc 5:1-20), Conrad Vine extraiu algumas lições preciosas na manhã do sábado. À tarde, Boubakar Sanou apresentou um estudo sobre dinâmica social e práticas de ocultismo, seguido por Constance Gane que fechou o ciclo de palestras falando da adoração aos demônios no Antigo Testamento. Respondendo a uma pergunta do público, a doutora Gane afirmou que é possível reconhecer as mesmas figuras malignas de milhares de anos em certos games, músicas, esculturas e até em estampas de camisetas. O grande perigo, segundo ela, “é quando reconhecemos esses símbolos e mesmo assim continuamos venerando-os”.

Simpósio-na-Andrews-University-trata-sobre-as-implicações-da-batalha-espiritual-no-contexto-da-missão-foto-1A última atividade dos três dias de conferência foi um painel conduzido por Wagner Kuhn, brasileiro e doutor em Missão que mediou as opiniões de Bruce Moyer, Tom Shepherd e Hyveth Williams. Considerando a realidade sobrenatural e a atuação de espíritos do mal, a doutora Williams foi bastante direta: “Nós sabemos que eles existem. É preciso ser mais tolo que qualquer coisa para não acreditar nisso”. Por outro lado, ela alerta que “alguns acreditam mais no poder dos demônios do que no poder de Jesus e por isso passam mais tempo pregando sobre o poder do mal do que a respeito do poder de Deus”. Bruce Moyer, outro participante do debate, destacou que “a mídia tende a nos dessensibilizar, mas o que nós vemos agora é só o começo. As coisas vão ficar muito piores perto do fim e o problema é que os jovens não ficam com medo, mas sim excitados com tudo isso e nós precisamos ajudá-los a se conectar com Jesus”.

O pastor Jolivê Chaves, que está cursando o programa de PhD em Missão na Andrews, esteve entre as centenas de pessoas que tiveram a oportunidade de acompanhar o evento. Com base em Efésios 6:12, ele afirma que “a igreja precisa investir mais no tema da ‘batalha espiritual’, pois, como Paulo disse, essa é a nossa real e grande batalha”. No entanto, ela acredita que o tema não deveria ficar restrito ao ambiente acadêmico. “Precisamos instruir os pastores e líderes sobre como lidar com esse assunto e como ajudar cada membro a se apoderar do poder libertador de Deus usando as armas espirituais”, reforça.

Além de mediar o debate, Wagner Kuhn, que é um missionário experiente e foi um dos organizadores do evento, também deixou uma mensagem de alerta: “A guerra espiritual se torna mais intensa à medida que nos aproximamos da volta de Jesus. Cada missionário e cada obreiro precisam estar cientes que em diferentes lugares, em diferentes contextos, Satanás também muda suas táticas para enganar e destruir”. Ele finaliza com o que considera ser a única receita capaz de proteger contra as ações do mal: ”Nosso constante apego e estudo das Escrituras e a dependência da proteção e auxílio divinos são indispensáveis aonde quer que estejamos, quer em nosso próprio país, quer no campo missionário”. [Créditos das imagens: Lisandro Staut]

LISANDRO STAUT é jornalista e está cursando mestrado em Teologia na Andrews University

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    Graças a Deus começaram a dar atenção a esse tema. Que o Espírito Santo dirija a mente desses e de outros no estudo desse assunto importante. É certo que muitos na igreja e na sociedade, se encontram presos à amarras espirituais. Os espíritos do mal estão vivos e atuantes em nosso mundo e mantem pessoas encarceradas em prisões sem muros. O estudo bíblico honesto sobre a questão certamente vai dar armas à igreja para sairmos vitoriosos através de Jesus Cristo.