Confiança na promessa

Como evitar o desânimo e as distrações enquanto aguardamos o retorno de Cristo
Por Gerald e Chantal Klingbeil

Confiança-na-promessa-artigo-revista-Semana-de-oração-2015-domingoEm 7 de dezembro de 1988, às 11h41 da manhã, horário local, a região norte da Armênia foi sacudida por um dos piores terremotos da história do país. O abalo de 6,8 graus na Escala Richter destruiu cidades, arrasou casas e tirou a vida de mais de 30 mil pessoas. A história de um pai anônimo, que procurava seu filho em uma escola destruída, tem, desde então, inspirado milhares de pessoas.

Imediatamente após o tremor inicial, o pai correu para a escola. Há muito tempo ele havia feito uma promessa ao filho:
– Não importa o que aconteça, eu sempre estarei aqui para você! – ele dizia ao filho quando o menino ficava com medo.

Ao definir a localização aproximada da sala do garoto, o pai começou a tirar entulho e concreto com as próprias mãos. Outras pessoas chegaram ao local, e, ao perceberem a destruição devastadora, tentaram tirar o homem de lá. No entanto, não puderam distraí-lo. Ele havia feito uma promessa. Os bombeiros e socorristas tentaram impedir o pai, uma vez que ele estava exposto a riscos de explosões que poderiam ser causados por vazamentos de gás.
– Nós vamos cuidar disso – disseram os bombeiros.

Embora as chances de o garoto ter sobrevivo fossem mínimas, o pai continuou cavando e tirando uma pedra de cada vez. Finalmente, depois de 38 horas de escavação, ele ouviu a voz do filho.
– Pai, é você? Eu sabia que você viria, pai! Eu falei para as outras crianças que não se preocupassem, pois você prometeu que viria me buscar.

O homem salvou 14 crianças naquele dia, incluindo seu próprio filho. Ele cumpriu sua promessa.

OUTRA ESPERA

Estamos esperando há muito tempo, desde que os anjos perguntaram aos discípulos: “Por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1:11).

Paulo esperou (Rm 12:11-13; 1Ts 1:10). Pedro esperou (1Pe 1:7-9; 4:7; 2Pe 3:9-14). João esperou (Ap 22:12, 20); e milhões de outros seguidores de Jesus têm esperado deste então. Muitas vezes, aqueles que esperaram o retorno glorioso do Mestre viram-se presos, perseguidos ou ridicularizados. Em outras épocas, a mornidão ameaçou transformar lentamente os vibrantes discípulos em expectadores “comedores de pipoca”, mais interessados nos últimos aparelhos eletrônicos e moda do que na vinda do Senhor. Esperar nem sempre é fácil.

A igreja cristã primitiva nos dá um grande exemplo de como podemos esperar a volta de Jesus. Uma vez que os discípulos pararam de olhar para o céu, eles começaram então a esperar. Enquanto esperavam, eles começaram a orar (At 1:14). Enquanto oravam, começaram a se unir (At 2:1). Então, finalmente aconteceu: a devota espera tornou-se intrepidez, repleta do Espírito Santo. O reavivamento levou os discípulos a focar na missão – foco esse que não pôde ser contido. O testemunho de Pedro, traduzido pelo Espírito Santo para alcançar os corações, gerou uma multidão de conversões. Três mil pessoas foram batizadas naquele dia, e aquilo foi só o começo (v. 41).

A devota comunhão, o cuidado para com as necessidades da nova comunidade e o louvor centralizado em Deus fizeram com que a igreja crescesse, pois “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (v. 47). Homens tímidos, cansados e preocupados foram transformados em audazes e eloquentes pregadores da Palavra; homens agora com o espírito de missão. A perseguição os levou a Samaria, à Ásia Menor, a Roma, aos confins da terra. Eles esperaram, estavam vibrantes com a pregação do Salvador ressurreto em um mundo onde a cruz significava loucura para a maioria das pessoas (1Co 1:18).

Dois fatores fundamentais os impeliram a seguir adiante: Primeiramente, eles haviam estado com Jesus. Falavam de um Salvador que conheciam intimamente. Haviam conhecido pessoalmente o Deus-conosco, e essa experiência os transformou. Em segundo lugar, eles estavam profundamente arraigados às Escrituras e atentos à profecia. O sermão de Pedro no Pentecostes está cheio de citações do Antigo Testamento. Eles haviam compreendido o cronograma de Deus na vinda do Messias (Gl 4:4), e confiaram em seu tempo oportuno para o retorno do Filho.

Há algo que podemos aprender com a igreja primitiva: assim como os discípulos do passado, precisamos conhecer pessoal e intimamente o nosso Salvador. A graça não pode ser comunicada por “ouvir dizer”. Não se ganha a salvação mediante laços de sangue ou formas de associação. O fundamento da espera confiante é um encontro pessoal com o Senhor ressurreto. Confiamos em pessoas que verdadeiramente conhecemos; e para conhecermos Jesus de verdade, precisamos passar tempo com Ele em oração e estudo de sua Palavra.

Outro aspecto importante da nossa espera por Jesus envolve compreender a mensagem profética de Deus para nosso tempo. Desde o fim do cronograma profético em 1844, estamos vivendo no tempo do fim. Daniel 9:24-27 nos ajuda a determinar o início do longo período de tempo de 2.300 tardes e manhãs (ou dias), dado em Daniel 8:14, o que deixou Daniel claramente perturbado. As setenta semanas que foram “cortadas” do período profético maior começaram em 457 A.C., quando o rei medo-persa Artaxerxes I deu a Esdras ampla autoridade para “fazer o que [achasse] melhor com o restante da prata e do ouro” (Ed 7:18, NVI). Isso possibilitou que Esdras finalmente reconstruísse os muros da cidade de Jerusalém, estabelecendo uma clara ligação com Daniel 9:25 e a promulgação do decreto para “restaurar e reconstruir Jerusalém”.

A profecia bíblica é fidedigna. Quando chegou o momento exato, predito pelos profetas, Jesus entrou na história da Terra e a mudou para sempre. Se as “linhas gerais” de Deus de um cronograma profético fazem sentido e são confiáveis, quanto mais nós podemos confiar nEle, que disse: “Eis que venho sem demora!” (Ap 22:12)

O “BREVE” DE DEUS

Os pioneiros adventistas entendiam que o “breve” de Deus era realmente breve. Sua vida, prioridades e esperanças concentravam-se naquele momento mais glorioso da história. Logo Jesus voltaria a fim de levar seus redimidos para o lar. Porém, mais de 170 anos já se passaram desde então.

“Quanto tempo vai levar esse ‘breve’?”, nos perguntamos enquanto aguardamos. Sim, os sinais de sua vinda estão claramente visíveis e aumentando gradativamente (Mt 24): podemos perceber isso cada vez que ligamos nossa TV, visitamos nossas páginas favoritas do Facebook, ou lemos notícias a respeito de guerras, catástrofes naturais, fome, doença, crueldade, desigualdades sociais e falta de fibra moral e valores.

Quando olhamos no espelho, podemos até ver a complacência de Laodiceia. Claramente esse mundo está em crise: moral, econômica, social e ecológica. A vida não pode simplesmente continuar para sempre. Nossos recursos são limitados; nossos problemas parecem insolúveis; nosso egoísmo é sem limites. Contudo, temos essa esperança que somente Cristo nos dá. Da mesma forma que os discípulos, vivemos uma vida de ativo serviço enquanto esperamos a volta de Jesus. Como eles, agarramo-nos à mão do Mestre enquanto esperamos. Como eles, somos encorajados e convencidos pela “mensagem profética” que é “plenamente confiável”, e esta nos guiará como uma luz que brilha em um lugar tenebroso (2Pe 1:19).

Semelhantemente ao que ocorreu no Pentecostes, podemos ver o Espírito de Deus atuando em toda a nossa volta. A mensagem do breve retorno de Cristo está transformando vidas e penetrando vilas, cidades do interior, selvas e topos de montanhas. Nós esperamos e servimos porque esse tem sido o modo de agir dos filhos de Deus desde aquele dia em que os discípulos viram Jesus desaparecer nas nuvens do céu.

A cada oração, o reino de Deus aumenta. Em meio aos sofrimentos e dores deste mundo, mesmo em meio a nossa própria dor, esperamos com paciência e confiança. E, naquele dia, cuja glória excederá a de todos os outros dias, correremos para os braços do nosso majestoso Salvador, e diremos a Ele: “Jesus, sabíamos que tu virias para nos buscar, pois tu nos prometeste!”. [Créditos da imagem: Fotolia]

GERALD KLIMGBEIL, doutor em Literatura, é editor associado da Adventist Review; CHANTAL KLINGBEIL, mestre em Linguística, é diretora associada do Ellen G. White Estate

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