Verdadeiros adoradores

Mais do que uma questão de preferência pessoal, a adoração é uma questão de vida ou morte
Por Gerald e Chantal Klingbeil

Verdadeiros-adoradores-artigo-da-revista-da-Semana-de-Oração-2015-segunda-feiraHá muito tempo a família vinha economizando para fazer a viagem dos sonhos. Ao finalmente entrarem no avião e sentarem-se, eles suspiraram aliviados: “Férias, aí vamos nós” e, em seguida, adormeceram. Acordaram seis horas depois, enquanto o avião taxiava para o portão de desembarque. Mas imagine a surpresa e espanto deles quando viram homens se aglomerando naquele vento gelado, vestidos com sobretudo. A família havia comprado um pacote para os trópicos, mas havia pousado no Alasca!

Você pode imaginar a completa decepção deles ao saber que tinham entrado no avião errado e ninguém tinha percebido? Em vez de uma brisa agradável e do suave balanço das palmeiras, eles enfrentavam um vento gélido e a perspectiva de que nevasse pela manhã.

Talvez não peguemos o voo errado indo parar em um destino completamente diferente, mas podemos perder o evento mais esperado da história. Cansados de tanto esperar, distraídos por inúmeros meios de comunicação e entretenimento, confusos pelas formas contemporâneas de nos aproximarmos de Deus, encontramo-nos em meio a uma guerra por adoração, que ameaça destruir comunidades e igrejas.

A adoração fiel é característica do povo de Deus que vive nos últimos dias. Na verdade, o primeiro anjo de Apocalipse 14, voando no meio do céu e proclamando o evangelho eterno, nos desafia a “temer a Deus e dar-lhe glória, pois é chegada a hora de seu juízo; e adorar aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:7).

A adoração é o tema principal do livro do Apocalipse. O povo de Deus adora o Cordeiro de Deus que está assentado no trono (Ap 4:10; 5:14; 7:11; 11:16). Entretanto, é Satanás, o dragão, quem reivindica e exige a adoração daqueles que vivem sobre a terra (Ap 13:4, 8, 12, 14). Ele sabe que somos comprometidos com quem ou com aquilo que adoramos.

Portanto, a batalha continua a cada dia, em todo o mundo. Algumas pessoas adoram coisas. No passado isso era chamado de idolatria, mas hoje o chamamos de materialismo. Outros adoram pessoas. Em 2010 os professores Paul Froese e Christopher Bader da Universidade de Baylor publicaram o artigo “Os Quatro Deuses da América: o que dizemos sobre Deus, e o que isso diz sobre nós”. Com base em uma pesquisa de concepções religiosas, esses autores sugerem que os americanos possuem quatro concepções distintas de Deus: (1) o Deus autoritário; (2) o Deus benevolente; (3) o Deus crítico; e (4) o Deus distante. Não é preciso dizer que nossa percepção de Deus molda claramente nossa forma de adoração. Se Deus é distante e julgador (ou crítico), as pessoas tendem a adorá-lo de maneira cuidadosa e “liturgicamente correta”. Se Deus é benevolente (e Ele claramente o é) podemos considerá-lo nosso “camarada”.

Às vezes parece que fazemos Deus à nossa própria imagem, em vez de reconhecermos que fomos criados à sua “imagem” e semelhança (Gn 1:27).

ADORAÇÃO E REAVIVAMENTO

Uma breve recapitulação da história de Israel confirma a estreita relação entre a adoração e o reavivamento. A reforma e restauração do templo feita por Ezequias é seguida pela celebração da Páscoa (2Cr 29:30). Quase um século depois, o jovem rei Josias começou um grande e poderoso reavivamento em Israel, purificando Judá e Jerusalém de seus lugares altos, dos postes-ídolos a Astarote e de outras formas de idolatria (2Cr 34 especialmente o verso 18). Josias, posteriormente, restabeleceu a celebração apropriada da Páscoa (2Cr 35, especialmente verso 18).

Quando nosso foco está em Deus, somos renovados, rearranjamos nossas prioridades, lembramo-nos de quem realmente somos (seres criados) e reconhecemos como egoístas as nossas tentativas infelizes de traçar nosso próprio destino. Uma linha reta leva-nos do reavivamento à adoração renovada.

ADORAÇÃO E ESPERA

A adoração não é apenas um assunto teológico nos planos de Deus para o fim dos tempos; a verdadeira adoração, contrária à falsa adoração, aponta para longe de nós mesmos e em direção ao nosso Criador e Redentor. Tiago descreve o elemento concreto e real da adoração: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1:27).

As pessoas que aguardam o glorioso retorno de seu Mestre e Senhor não ficam indolentes em monastérios, igrejas, ou campus de universidades discutindo os detalhes e o cronograma de seu retorno. Elas estão ocupadas e ativas em suas comunidades. Elas servem aos desabrigados, compartilham bênçãos materiais e espirituais com os oprimidos e desanimados, cuidam dos doentes e abraçam os moribundos.

O serviço abnegado nos desafia a abandonar nossa zona de conforto e a imitar a atitude de Jesus, que “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2:7). Podemos perceber esse serviço abnegado quando Jesus lavou os pés de seus discípulos, incluindo aquele que por fim o trairia.

A ADORAÇÃO E O SÁBADO

Pergunte a qualquer adventista sobre adoração, e o sábado com certeza vai entrar na conversa. Os adventistas amam o sábado. Ele nos lembra de nossas origens: um criador poderoso que nos fez à sua imagem e semelhança (Ex 20:8-11). O sábado também nos revela algo a respeito do paraíso perdido e como Deus nos traz de volta para o lar: somos pecadores que necessitam de um Salvador para sermos libertos do Egito” (Dt 5:12-15). A criação e a redenção são assuntos importantes em nossa adoração. E cada sábado é uma oportunidade de “lembrarmos” disso.

Entretanto, o sábado também desempenha um importante papel enquanto aguardamos o retorno do Mestre. Afinal, o poder de Satanás de substituir o sábado pelo domingo culmina no cenário final do livro de Apocalipse, centrado no verdadeiro dia de adoração (Ap 13:11-17; 14:9; o poder do chifre pequeno de Daniel 7:25 em “mudar os tempos e a lei”). Ellen White profetizou: “Os que honram o sábado bíblico serão denunciados como inimigos da lei e da ordem, como que a derribar as restrições morais da sociedade, causando anarquia e corrupção, e atraindo os juízos de Deus sobre a Terra” (O Grande Conflito, p. 592).

O comentário de Ellen White lembra que, mais do que uma questão de preferência pessoal, a adoração é uma questão de vida ou morte. O compromisso de adorarmos como Deus pede precisa ser embasado firmemente na palavra profética e no conhecimento pessoal de um Salvador que é verdadeiramente digno de adoração.

NÃO HÁ O QUE TEMER

O livro de Apocalipse pode ser uma leitura perturbadora. Quando o nosso foco está nas crises, perseguições e na oposição a Deus, podemos nos sentir devastados e amedrontados. Entretanto, a “revelação de Jesus Cristo” (Ap 1:1) não se concentra apenas na crise final; por diversas e diversas vezes destaca-se a alegria final advinda da adoração ao Cordeiro que está assentado no trono.

O capítulo 7 nos dá um bom exemplo disso: João olha e vê uma multidão incontável ao redor do trono. Eles não conseguem ficar quietos; não conseguem ficar parados. Eles gritam: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (v. 10); em seguida adoram aquele que pagou o preço final pela salvação deles. A alegria daquela multidão nos faz lembrar da paz celestial e da eterna bem-aventurança; a adoração deles nos anima a permanecer fiéis e prontos para o serviço; suas canções nos falam de um futuro que ainda nem podemos divisar. Não mais o calor ardente; não mais fome, não mais lágrimas e medos; não mais solidão, pois “Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (v. 17).

Que hoje nos unamos à adoração prestada pelos santos! [Créditos da imagem: Fotolia]

GERALD KLIMGBEIL, doutor em Literatura, é editor associado da Adventist Review; CHANTAL KLINGBEIL, mestre em Linguística, é diretora associada do Ellen G. White Estate

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