Vagas para professores

Escolas adventistas da Micronésia sofrem com carência de docentes e buscam suprir a demanda com profissionais de outros países
Vagas para professores na Micronésia
Até agora, por falta de educadores, poucas escolas adventistas conseguiram iniciar o ano letivo. Foto: reprodução Adventist Review

Para quem pensa em dedicar um tempo da vida para ser missionário em outro país, a Micronésia está entre os destinos que mais precisam de ajuda na área educacional. A falta de docentes começou a ser sentida pelas escolas adventistas dessa região do Oceano Pacífico desde que governos locais começaram a exigir educadores diplomados ou que já tenham cursado pelo menos dois anos da licenciatura.

Não bastasse o baixo número de professores verificado nos últimos anos, diante das recentes mudanças na legislação as escolas tiveram também que abrir mão de muitos estrangeiros que estavam dispostos a doar pelo menos dez meses para ensinar. Anualmente, as ilhas da região recebem dezenas de estudantes missionários. Porém, desde que a nova lei entrou em vigor, muitos estudantes missionários que antes podiam lecionar nessas escolas agora não se enquadram nos requisitos exigidos pelos governos. Com a queda abrupta no quadro docente, algumas dessas unidades escolares estão correndo o risco até mesmo de fechar as portas temporariamente.

“As escolas estão lutando. Aqueles que foram qualificados para ensinar agora estão sobrecarregados com o trabalho. Alguns estão tendo que ensinar várias classes até que novos missionários cheguem”, afirma Elden Ramirez, diretor do departamento de Ministérios Voluntários da Divisão Norte-Americana, sede adventista que administra o território da Missão Guam-Micronésia.

Pouco antes do início do atual ano letivo, que no caso da Micronésia começa em agosto e termina em junho, a sede adventista para América do Norte fez um apelo urgente tentando atrair novos professores.

Apesar do déficit inicial de docentes, oito escolas adventistas conseguiram iniciar as aulas dentro do prazo estipulado. O maior problema, esclarece Ramirez, envolve principalmente as ilhas de Ebeye, Yap, Chuuk e Kosrae. “Elas concentram as maiores necessidades e podem ser incapazes de começar o seu ano escolar, a menos que os professores cheguem em breve”, informa.

Felizmente, segundo Ramirez, o respeito pela educação adventista no país levou as autoridades a conceder recentemente um prazo para que a rede se adapte às novas regras gradualmente. “Eles reconhecem que as instituições adventistas do sétimo dia têm sido um farol e, por isso, gostariam de mantê-las como parte do sistema de ensino. Sem dúvida, esta é uma resposta às nossas orações”, ressalta.

A Divisão Norte-Americana está em busca de professores com idades entre 18 e 70 anos. “Aposentados com formação na área educacional também são bem-vindos”, reforça Ramirez.

“Nós estamos tentando recrutar o número necessário para preencher as vagas restantes. Há anos em que são necessários até 120 missionários”, acrescenta ele.

A maioria dos professores que têm servido na Micronésia não vem da Divisão Norte-Americana, mas da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, com sede nas Filipinas. Porém, nos últimos anos, a região também passou a receber missionários de outras partes do planeta, inclusive do Brasil. Foi o caso de Giuliana Verano. Através do Serviço Voluntário Adventista, ela serviu como professora de inglês nas Ilhas Marshall no período de dezembro de 2014 a julho de 2015.

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Voluntária brasileira atuou como professora de inglês durante sete meses nas Ilhas Marshall. Foto: arquivo pessoal

Giuliana conta que, além da falta de professores, as escolas da região também enfrentam dificuldades para conseguir novos livros didáticos e para oferecer uma infraestrutura mais adequada.

Ajudar a sanar algumas dessas necessidades trouxe um grande senso de realização para a jovem. Por isso, ela acredita que fez a escolha certa, ao rejeitar um convite da Mega Model Brasil para ser modelo na Europa pouco antes de pegar as malas com destino ao campo missionário. “Independentemente das oportunidades que perdi na agência, como missionária, além de servir a Deus e ao próximo, aprendi lições que não poderiam ser aprendidas de outra forma”, afirma.

Ao lembrar algumas das experiências que vivenciou, ela diz que “ver um aluno de 13 anos aprendendo a ler é algo que não tem dinheiro que pague”. “Às vezes dá vontade de gritar para o mundo ir lá ajudar também!”, comenta.

Para quem deseja servir na Micronésia, o primeiro passo é acessar o site do Serviço Voluntário Adventista, verificar as vagas disponíveis e efetuar o cadastro. Os aprovados precisam bancar a própria passagem, mas, ao chegar ao local, recebem um pequeno salário, alojamento gratuito, além de seguro. Na opinião de Giuliana, cada minuto doado em prol da missão é muito bem empregado. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações de Andrew McChesney, da Adventist Review]

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