Quantidade e qualidade

Equilibrar uma profunda visão espiritual e um forte compromisso com a missão torna a igreja mais sólida

quantidade-e-qualidade-secao-bussola-RA-novembro-de-2015Alguns meses atrás, participei de um seminário com o historiador George Knight e fiquei intrigado com suas palavras. Fazendo uma análise de nossa situação atual, ele foi contundente: “Como líderes e membros temos muitos problemas, mas como igreja temos apenas um problema: Jesus ainda não voltou.” Fiquei me perguntando: “Onde estamos falhando?”

Esse tipo de questão costuma provocar debates tensos entre aqueles que defendem uma ênfase exclusiva na missão para que Jesus volte em nossa geração e os que acreditam que nosso foco deve estar em preparar uma igreja sem mácula para o encontro com o Senhor. Afinal, devemos investir no crescimento ou concentrar as energias na manutenção? Nossa ênfase deve estar na missão ou na condição?

Apesar dos fortes defensores de cada posição, o ideal é integrar os dois pontos de vista. Se queremos realmente ver Cristo voltar em nossos dias, precisamos crescer em quantidade e qualidade, ou seja, muito e bem. Não podemos alimentar uma visão unilateral nem acreditar que crescer pouco é crescer bem ou crescer muito é crescer mal. Ao mesmo tempo em que fomos chamados para ser o remanescente dos últimos dias, também fomos escolhidos para levar ao mundo uma mensagem de graça, verdade e esperança (Mt 24:14; 28:18-20). Nossa condição deve levar-nos ao cumprimento da missão, pois “uma igreja que trabalha é uma igreja viva” (Ellen White, Medicina e Salvação, p. 332).

Nossa busca deve ser por uma igreja que cresça em número, mas também em profundidade, compromisso, conhecimento da Palavra e fidelidade. E que esteja mais forte e preparada para receber o Espírito Santo, cumprir a missão com poder e então ver Cristo voltar. Como diz Ellen White, referindo-se aos dias pouco antes da segunda vinda de Jesus: “Muitos se converterão em um dia; pois a mensagem avançará com poder” (E Recebereis Poder, p. 126).

Na busca pela quantidade com qualidade, nosso primeiro cuidado tem sido com os candidatos ao batismo. Nosso curso bíblico atual possui 27 lições, com a maior abrangência dos últimos anos. Além disso, temos excelentes evangelistas na Novo Tempo apresentando doutrina, profecia, estilo de vida, fidelidade, salvação e graça com profundidade. Nossas campanhas de evangelismo público são mais curtas não porque tenhamos diminuído a apresentação da mensagem bíblica, mas porque trabalhamos com a colheita do trabalho pessoal, classes bíblicas e pequenos grupos. Dessa forma, os recém-conversos não se tornam órfãos de um grande pregador, mas filhos na fé da própria igreja local.

No outro extremo, enfrentamos o drama da apostasia. Ele tem sido motivo de orações, reuniões, preocupação e ação. Uma recente pesquisa realizada pela igreja mundial aprofundou nossa visão dessa realidade ao mostrar que 28% dos entrevistados disseram não ter uma razão relevante para abandonar a fé, mas foram apenas se distanciando da igreja, 25% saíram porque sentiram falta de compaixão por um coração ferido, 19% saíram porque cometeram uma falha moral, 18% saíram porque não se encaixaram na vida da igreja, 14% acharam que a igreja estava muito preocupada com questões irrelevantes e 13% saíram porque tiveram algum conflito dentro da congregação. Nos meses anteriores, esses ex-adventistas passaram por situações desafiadoras, em que esperavam um apoio mais direto: 15% tiveram uma doença grave, 11% mudaram para outra cidade, 10% casaram ou passaram por divórcio e 10% enfrentaram morte na família.

Você observou como a maioria das perdas acontece como resultado da condição espiritual ou do ambiente de relacionamentos da igreja local? Melhorar o preparo dos interessados, não batizá-los de forma apressada e integrá-los à vida da igreja são ações fundamentais. Porém, se o ambiente não for favorável, nada disso dará resultado. Até um candidato batizado de forma imprudente poderá permanecer em uma igreja receptiva, mas dificilmente alguém bem preparado continuará em uma igreja fria e superficial.

Não vamos resolver o problema da apostasia diminuindo a ênfase no crescimento. O equilíbrio entre quantidade e qualidade nos servirá de lembrança de que o objetivo da igreja não é apenas ter um templo cheio, mas ver o Céu cheio. [Créditos da imagem: Fotolia]

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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