Ministério inclusivo

Entenda por que a Igreja Adventista está dando nova ênfase às necessidades especiais

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Por décadas, as pessoas que não podiam ver, ouvir, andar ou pensar, como a maioria, foram agrupadas em uma categoria chamada de “pessoas com deficiência”. Embora não fosse um rótulo ruim, duas coisas aconteciam em decorrência desse rótulo. Primeiramente, as pessoas que recebiam essa “identidade” eram lembradas pelo que não conseguiam realizar. Em segundo lugar, o tipo de assistência oferecida limitava-se, muitas vezes, ao que era considerado ser uma necessidade especial. Poucos esforços eram feitos a fim de reunir as contribuições positivas que essas pessoas tinham para oferecer ao ministério e atividades comuns da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

No entanto, essa realidade está prestes a mudar. A Associação Geral, corpo administrativo da Igreja Adventista mundial, formou uma comissão para tratar dessas necessidades em 2011 [em novembro de 2015, a Divisão Sul-Americana também criou um ministério específico para atender esse público. Para saber mais, clique aqui]. O grupo foi chamado de “Comissão das Necessidades Especiais” e foi inserido no departamento de Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Esse departamento prestou certa assistência aos cegos e outras pessoas com limitações físicas.

Essa nova comissão teve um alcance ministerial mais inclusivo. Foi umprimeiro passo importante. Porém, à medida que a igreja se conscientizava das necessidades, ficou evidente que era preciso atuar de maneira mais abrangente. Afinal, muitos haviam sido involuntariamente marginalizados. O trabalho do departamento de Ministério Pessoal e Escola Sabatina já era grande, e, assim, pouca atenção podia ser dada às necessidades especiais dessas pessoas.

Em seus escritos, Ellen White, uma das pioneiras do adventismo, ressaltou a importância de um trabalho voltado para pessoas com necessidades especiais. “Vi que é pela providência de Deus que viúvas e órfãos, cegos, surdos, coxos e pessoas atribuladas por diversos modos foram postas em íntima relação cristã com sua igreja; é para provar seu povo e desenvolver-lhe o caráter. Os anjos de Deus estão observando para ver a maneira pela qual tratamos essas pessoas necessitadas de nossa simpatia, amor e desinteressada generosidade. Essa é a maneira de Deus provar nosso caráter” (Serviço Cristão, p. 191).

Reconhecendo a necessidade de promover esse ministério, a Comissão Administrativa da Associação Geral votou, em setembro de 2015, transferir a coordenação do Ministério das Necessidades Especiais para a supervisão do presidente, a fim de que houvesse uma ênfase global maior. Assim, fui escolhido assistente do presidente para o Ministério das Necessidades Especiais.

Essa nova função atenderá as necessidades dos ministérios dos surdos, cegos, órfãos e dos que possuem limitações físicas ou mentais. O leque de necessidades é amplo. A atenção principal será amplamente direcionada a proporcionar oportunidades para que as pessoas com necessidades especiais se tornem mais envolvidas em toda a missão da igreja. Em alguns casos, a estrutura física de uma igreja ou edifício pode precisar de atenção. A principal ênfase, no entanto, é fazer todo o possível para que essas pessoas possam experimentar a inclusão e não a exclusão no cumprimento da missão da igreja.

Em muitos casos elas são a nossa missão. Estimativas mais recentes do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) indicam que havia mais de 132 milhões de órfãos no mundo em 2007, incluindo 13 milhões de crianças que perderam pai e mãe. Certamente, esses números aumentaram desde então. Esse é um problema que não deve ser subestimado.

As Nações Unidas também informam que cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com deficiências. Isso significa 1/7 da população mundial. Deve-se considerar que todos nós, ou somos ou nos tornaremos incapazes de uma forma ou de outra no decorrer de nossa vida.

Pessoas com necessidades especiais enfrentam muitas barreiras para ser incluídas em aspectos fundamentais da sociedade. Um desses segmentos da sociedade é a igreja e a evangelização dos que possuem alguma espécie de deficiência grave. Quando se trata dos surdos, por exemplo, acredita-se que menos de 2% deles sejam cristãos.

Há muitas maneiras de enxergar a missão da Igreja Adventista. Ao planejarmos nossas estratégias missionárias, não devemos negligenciar a necessidade de alcançar as pessoas que frequentemente são chamadas de deficientes. A deficiência faz parte da condição humana. É crucial que sensibilizemos a igreja para com as necessidades desse ministério.

O presidente da Associação Geral, pastor Ted Wilson, tem enfatizado esse ponto ao observar: “O Ministério das Necessidades Especiais está seguindo as pegadas de Cristo e Seu único método de tratar as pessoas fisicamente, mentalmente, socialmente e espiritualmente. Cristo quer que alcancemos essas pessoas e as envolvamos com a proclamação das três mensagens angélicas, enquanto aguardamos com ansiedade Sua vinda”.

Mas a singularidade de cada um dos cinco grupos – surdos, cegos, órfãos e as pessoas com limitações físicas e mentais – continuará a ser reconhecida. Nós visionamos futuramente a criação de uma Assembleia Adventista de Assessoria Mundial, a fim de dar orientações quanto ao desenvolvimento de planos estratégicos de ministério. Todos esses cinco grupos de pessoas têm tanto para oferecer à igreja mundial quanto para receber dela. [Créditos da imagem: Fotolia]

LARRY R. EVANS é assistente do presidente da Associação Geral para o Ministério de Necessidades Especiais (texto publicado originalmente no site da Adventist Review)

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