Os chineses ao alcance da TV, do rádio e da web

Como os meios de comunicação têm impulsionado a mensagem adventista num país desafiador para a pregação do evangelho 

Centro de mídia adventista em Hong Kong - foto 4
Apesar de ter apenas quatro pessoas na equipe, centro de mídia de Hong Kong produz dez horas de programação em mandarim por dia. Créditos da imagem: reprodução Adventist Review

O radialista adventista se viu em meio a um dilema. Diante dos protestos que estavam ocorrendo na Praça da Paz Celestial (Tian’anmen para os chineses), em Pequim, qual deveria ser a postura dos funcionários do estúdio de rádio da igreja em Hong Kong: mencionar ou não as manifestações históricas?

“Estávamos enfrentando muita pressão. Deveríamos informar nosso povo sobre o que estava acontecendo?”, conta Billy Liu, ao relembrar o que ocorreu no dia 4 junho de 1989, quando mais de 100 mil estudantes, trabalhadores e intelectuais se uniram em marchas pelas ruas de Pequim.

“Oramos, e decidimos: Não! Nós estamos aqui para pregar o evangelho. O ensinamento de Jesus foi que Seu reino não é deste mundo. Então, entendemos que não deveríamos nos envolver com esses assuntos terrenos”, ele recorda.

Foi prudente a decisão da equipe do programa de rádio Voz da Esperança, cujo estúdio tinha sido estabelecido dois anos antes em um quarto apertado na sede da União-Missão Chinesa, em Hong Kong. Isso ajuda a explicar por que, enquanto outros meios de comunicação cristãos tiveram seus sinais de transmissão bloqueados, as transmissões adventistas continuaram ininterruptamente.

Manter o foco em Jesus e nos princípios bíblicos de vida saudável é uma estratégia que tem feito prosperar o centro de mídia da igreja na China, hoje chamado de Xi-Wang (Esperança, na tradução para o português), responsável pela produção de rádio e TV.

Notavelmente, o podcast do programa Voz da Esperança em mandarim registra cerca de 8 milhões de downloads diariamente na China continental, de acordo com a Rádio Mundial Adventista, que também transmite programas em ondas curtas a partir da ilha de Guam, território americano no oeste do oceano Pacífico.

“Estamos muito contentes com o fato de que o evangelho esteja sendo acessado por tantas pessoas”, afirma Robert Folkenberg Jr., presidente da União-Missão Chinesa.

Billy Liu, atual diretor-executivo do centro de mídia em Hong Kong, na China. Créditos da imagem: reprodução Adventist Review
Billy Liu, atual diretor-executivo do centro de mídia em Hong Kong, na China. Créditos da imagem: reprodução Adventist Review

O centro de mídia tem apenas três funcionários de tempo integral e um que se dedica parcialmente ao projeto. Apesar disso, a equipe produz dez horas de programas em mandarim por dia, incluindo gravações que alguns adventistas chineses fazem em seus próprios escritórios. “A mídia é a maneira de chegarmos às casas das pessoas, espalhando a mensagem”, diz Liu, atual diretor-executivo do centro de mídia chinês.

Grande alcance

O impacto do centro de mídia tem surpreendido os líderes mundiais da igreja. Após recente turnê pelo país, Ella Simmons, vice-presidente da Associação Geral, considerou a operação “impressionante! Eles estão atingindo muito mais pessoas do que eu esperava”, disse em entrevista à Adventist Review.

A Rádio Mundial Adventista tem sido um poderoso instrumento para ampliar o alcance da mensagem. A emissora começou suas transmissões na ilha de Guam em 1987 a partir de uma estação de ondas curtas construída com a ajuda de uma oferta especial arrecadada durante a Assembleia da Associação Geral de 1985 e de outras doações provenientes de várias partes do mundo.

“Essa estação foi construída principalmente para atingir o povo da China”, disse Greg Scott, vice-presidente sênior da Rádio Mundial Adventista, que serviu como diretor do programa em Guam de 1987 a 1995.

Hoje, as transmissões alcançam não apenas a China, mas também todo o continente Asiático, propagando o evangelho para milhões de pessoas em mais de 30 idiomas. A estação transmite 320 horas de programação por semana e tem capacidade para mais do que isso.

Desde 2010, os programas que foram ao ar em todo o mundo pela Rádio Mundial Adventista (AWR, na sigla em inglês) estão disponíveis para download no formato podcast. Atualmente, já são 12 milhões de assinantes que acessam conteúdos produzidos em mais de 100 idiomas.

Alguns conteúdos produzidos pela sede do canal Hope Chanel, nos EUA, são dublados para o mandarim pela equipe do centro de mídia de Hong Kong. Créditos da imagem: reprodução Adventist Review
Alguns conteúdos produzidos pela sede do canal Hope Chanel, nos EUA, são dublados para o mandarim pela equipe do centro de mídia de Hong Kong. Créditos da imagem: reprodução Adventist Review

A TV Esperança na China, que começou a transmitir via satélite em 2011, tem um alcance potencial de 300 milhões de pessoas. Além de programas produzidos localmente, parte do conteúdo gerado pela sede do canal Hope Chanel, nos Estados Unidos, é dublada para o mandarim pelos produtores do centro de mídia de Hong Kong.

Embora o centro de mídia chinês seja pequeno quando comparado com o maior centro de mídia adventista, localizado no Brasil, que já conta com mais de 300 funcionários, o seu público potencial é enorme.

Segundo Billy Liu, a maioria do público chinês que acompanha as transmissões adventistas é composta de cristãos que não são membros da Igreja Adventista. De acordo com dados do governo da China, cerca de 60 milhões de habitantes professam o cristianismo, em meio a uma população de 1,4 bilhão de pessoas. A Igreja Adventista tem cerca de 410 mil membros no país, o que representa menos de um por cento de todos os cristãos.

“Há muito mais a ser feito”, disse Liu em uma entrevista em seu pequeno escritório. Para ele, a mídia consiste na melhor maneira de atingir o povo chinês, uma vez que convidá-los para frequentar uma igreja é um grande desafio. Também não é tarefa simples enviar missionários para trabalhar nessa parte do planeta.

“Eu realmente acredito na mídia. Os meios de comunicação são a maneira pela qual nós podemos ir às casas das pessoas para espalhar a mensagem”, frisa.

As restrições do governo continuam sendo impostas aos meios de comunicação. Além disso, muitas emissoras cristãs têm competido pela audiência no país. Diante disso, Liu ressalta que o grande desafio da igreja é manter o alto padrão de qualidade de suas produções audiovisuais. Na opinião dele, isso poderá ajudar a igreja a pleitear um canal de televisão oficial no futuro. Aliás, esse é o sonho do centro de mídia de Hong Kong para os próximos anos.

Liu acredita que o ingrediente chave para essa conquista é manter o foco em Jesus, assim como o centro de mídia decidiu fazer em 1989.

Cerca de dois meses após a decisão de 1989, o centro de mídia recebeu uma carta de um ouvinte chinês, manifestando sua gratidão pelo fato de que a programação de rádio adventista ainda estava no ar. Ele dizia: “Oramos pela estação e por aqueles que trabalham nela porque precisamos deles e de sua mensagem”.

“É uma espécie de milagre! Deus continua a proteger este pequeno estúdio e o que fazemos”, acredita Liu.

ANDREW MCCHESNEY é editor da Adventist Review (Com tradução de Márcio Tonetti)

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