Milagres da oração

Conheça histórias de pessoas que sentiram na própria vida o poder da oração e saiba como está sendo a mobilização que une milhares de fiéis sul-americanos em torno do mesmo objetivo 
Campanha incentiva fiéis a dedicar dez dias para a oração.
Campanha incentiva fiéis a dedicar dez dias para a oração.

Era a última quarta-feira do ano de 1985. O jovem Amilton Menezes, então com 21 anos de idade, não via uma solução imediata para o problema: Venceria no dia seguinte o valor que ele pagava a uma emissora de rádio em Tenente Portela (RS) para apresentar o programa A Voz da Mocidade. A questão era que não havia um centavo em caixa! Sendo assim, como ele conseguiria manter o programa no ar? “Naquela tarde, no trajeto de casa ao correio, orei quase em desespero pedindo: “Senhor, manda-me os 200 mil cruzeiros (custo mensal, na época, das transmissões). Sei que ninguém enviou tanto dinheiro de uma só vez, mas para Ti nada é impossível! E que o valor esteja na primeira carta que eu pegar na caixa postal”, expressou num misto de ousadia e fé.

A primeira carta que ele retirou consistia num envelope pequeno. No caminho de volta, hesitante e com as mãos trêmulas, abriu a correspondência e, para sua surpresa, encontrou dentro dela um cheque. “Ao abri-lo, bem devagarinho, a vontade era de rir e chorar ao mesmo tempo de alegria e gratidão ao Pai celestial”, relembra. O cheque, cujo valor era exatamente de 200 mil cruzeiros, tinha sido enviado por uma senhora que colaborava ocasionalmente, mas que até então não havia doado mais do que 30 mil cruzeiros!

Pr. Amilton Menezes: "Meu encontro com Deus começa às 5h da manhã. Na minha vida, a oração é tão indispensável como a respiração". Créditos da imagem: ASN.
Pr. Amilton Menezes: “Meu encontro com Deus começa às 5h da manhã. Na minha vida, a oração é tão indispensável como a respiração”. Créditos da imagem: ASN.

Não foi a única vez que o pastor, jornalista e radialista Amilton Menezes, que por 12 anos atuou como diretor geral da Rede Novo Tempo de Rádio, experimentou o poder da oração em sua vida. Segundo ele, a história de sucesso da Rede Maranatha de Comunicação começou com o projeto evangelístico voluntário a partir do humilde programa radiofônico no interior do Rio Grande do Sul. Hoje a rede veicula cerca de 10 mil programas por mês em emissoras de todo o Brasil! Essa história é permeada por sucessivas respostas de Deus.

Inspirado em George Müller, personagem do século 19 que tinha o hábito de registrar o dia do pedido, bem como a data da resposta, e que deu origem ao livro 50 Mil Orações Atendidas, o pastor Menezes conta que a prática desse homem o motivou a escrever o livro Minha Vida de Oração. Por meio da obra, que consiste numa espécie de agenda de oração, ele procura incentivar os leitores a documentar suas preces. O livro oferece espaço para a pessoa anotar o pedido, a data em que ele foi feito, bem como o momento da resposta recebida de Deus.

Motivado pela experiência pessoal, Menezes também decidiu criar um ministério na internet com o objetivo de incentivar outros a adotar o mesmo hábito. Além do site oroporvoce.com.br, o projeto conta com uma página no Facebook que já registra mais de 33 mil “curtidas”. Por meio do WhatsApp ele distribui ainda milhares de orações em áudio todos os dias. “Este é um projeto que envolve toda a minha família”, conta o pastor Amilton Menezes, que hoje dirige o departamento de Comunicação da sede adventista para a região central do Paraná.

Unidos em oração

No mês em que a Igreja Adventista celebra o Dia Mundial de Oração (27 de fevereiro), uma campanha tem incentivado os fiéis a dedicar dez dias para orar por mais comunhão com Deus, fidelidade a Ele, pureza de coração, modéstia e domínio próprio, bem como pelo uso dos dons na missão e pelos relacionamentos.

“Unir-se em oração é nosso maior privilégio e necessidade. Por isso, a igreja mundial nos convida a buscar unidos e incessantemente a chuva do Espírito Santo e uma vida reavivada e reformada”, o pastor Erton Köhler, presidente da Divisão Sul-Americana, afirmou na revista do projeto.

A iniciativa, que em oito países do continente começou no dia 18 e se estende até 27 de fevereiro, tem mobilizado diariamente milhares de fiéis nos lares, igrejas e instituições adventistas.

Servidores da CPB participam da campanha dos dez dias de oração. Créditos da imagem: Márcio Tonetti
Servidores da CPB participam da campanha dos dez dias de oração. Créditos da imagem: Márcio Tonetti

Na Casa Publicadora Brasileira (CPB), editora localizada em Tatuí (SP), seus mais de 600 servidores participam da iniciativa. “Para os funcionários do turno da manhã, o primeiro momento para as orações tem acontecido durante o culto na capela, às 7h30. Para o grupo da tarde, às 13h. Além disso, às 9 e às 15h eles se dividem por setor. Tem sido uma bênção desfrutar desses momentos na presença de Deus”, conta o pastor Alceu Nunes, capelão da CPB.

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Em um culto realizado na última quarta-feira, dia 24 de fevereiro, o pastor Nunes também proferiu um sermão sobre a “oração de submissão” feita por Jesus no Getsêmani (Mt 26:36-46; Mc 14:32-42; Lc 22:39-46), reforçando o exemplo dado por Cristo para que seus seguidores orassem com intensidade e se submetessem a Ele cada dia. “Para Jesus, a oração não era simplesmente uma rotina religiosa”, ele enfatizou. E exortou:Quando, em comunhão, nos submetemos inteiramente a Deus, obtemos uma vida mais pura; passamos a usar melhor nossos dons; temos um comportamento adequado, condizente com a fé que professamos; nos tornamos mais fiéis a Deus; alcançamos, com equilíbrio e sabedoria, a almejada temperança cristã; e obtemos domínio próprio para enfrentar as tentações”.

A editora Sueli Oliveira, responsável pela revista Nosso Amiguinho, tem aproveitado ao máximo os momentos de oração não apenas no local de trabalho, mas também em casa, com os familiares, e na igreja que frequenta. Acompanhada de seu esposo, Daniel, que atua como fotógrafo na editora, todas as manhãs ela tem se dirigido à Igreja Adventista das Mangueiras para orar e meditar. As reuniões começam às 6h e vão até as 7h.

Sueli Oliveira participa de momentos de oração na comunidade adventista que frequenta, em Tatuí (SP). Créditos da imagem: Daniel Oliveira
Sueli Oliveira (à direita) participa de momentos de oração na comunidade adventista que frequenta, em Tatuí (SP). Créditos da imagem: Daniel Oliveira

Sueli conta que ficou impressionada com o número de pessoas que têm frequentado as reuniões. Mesmo sendo em um horário bastante desafiador para a maioria, o templo vem recebendo um número expressivo de pessoas. Segundo ela, membros da igreja e da comunidade estão participando. “É um momento muito gostoso, que nos faz sair revigorados. Fazemos pedidos, oramos em duplas, refletimos sobre os temas sugeridos na revista dos dez dias de oração, e ainda temos um momento de testemunhos sobre o modo pelo qual Deus tem atuado na vida dos participantes da campanha ao longo desses dias”, relata.

Orações respondidas

Valter Cândido é uma testemunha do poder da oração. Em 2004, no auge da carreira como superintendente de operações e atendimento de um grande banco, ele foi diagnosticado com câncer no rim. A gravidade do caso pedia uma cirurgia emergencial. “Os médicos queriam realizar a cirurgia no mesmo dia em que uma ressonância magnética confirmou a doença”, conta. Porém, Valter fez um pedido que surpreendeu a equipe do hospital: “Estava ciente da gravidade da minha situação, mas pedi que a cirurgia fosse feita depois de uma semana porque primeiro queria pedir à minha igreja que orasse por mim. Assim como fez o rei Ezequias diante de sua enfermidade, como é descrito na Bíblia (Is 38:1-5), eu também clamei a Deus para viver”, lembra Cândido. Na época, os membros da comunidade adventista que frequentava se uniram a ele em uma corrente de oração.

O poder da oração não é coisa da cabeça das pessoas. Como afirmou certa vez Alexis Carrel, que conquistou o prêmio Nobel de Fisiologia, “a oração é uma força tão real como a gravidade terrestre”. E a própria ciência tem comprovado isso. Em participação recente no programa Encontro Com Fátima Bernardes, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou que, como alguns estudos já mostraram, essa prática exerce efeito positivo sobre pacientes em estado grave. “Há trabalhos científicos feitos em UTI, mostrando que pessoas que receberam orações – e nem sabiam que alguém estava orando por elas –, comparadas com um grupo que não recebeu orações, tiveram menos complicações”, afirmou.

Desse modo, segundo ele, um médico pedir que a família ore pelo paciente hoje não é simplesmente uma “atitude humana”, mas uma recomendação com base científica. “Existe a comunhão com Deus e isso impacta no tratamento”, acrescentou (para assistir ao vídeo, clique aqui).

Valter também não tem dúvida de que a oração exerceu influência positiva no seu tratamento. “Deus começou a operar maravilhas através dos médicos já no contexto da cirurgia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Estava previsto que, após o procedimento, eu precisaria ser encaminhado para a UTI. Mas não foi esse o caso. Outra previsão era de que eu perderia muito sangue, o que demandaria uma transfusão. Também não houve absolutamente nenhuma necessidade disso. Nas palavras dos médicos, a cirurgia foi ‘linda e limpa’”, recorda.

Embora a intervenção cirúrgica tenha sido considerada um sucesso, a recomendação de especialistas foi que ele se submetesse a doze sessões de quimioterapia, já que havia a possibilidade de as células cancerígenas terem se espalhado pelo corpo através da corrente sanguínea. “Determinadas vezes, eu tive o sentimento de que não iria suportar o tratamento. No entanto, nessas ocasiões, Deus me levou a tirar os olhos do problema e a olhar para Suas promessas”, relata.

Valter Cândido, gerente do setor de Acabamento da CPB: “Eu clamei e Deus me concedeu uma nova vida”. Créditos da imagem: Márcio Tonetti

Seis meses depois, já com a saúde recuperada, Valter Cândido teve condições de voltar ao trabalho, mas apenas para dizer que tinha novos planos em mente: “Entendi que Deus me deu uma segunda chance para eu viver completamente para Ele. Aliás, certa ocasião ouvi nitidamente uma voz que dizia: ‘Eu lhe darei um dom, mas você não poderá usá-lo em benefício de si mesmo’. No início, não entendi o significado dessa mensagem. Mas, depois de algum tempo, compreendi que esse ‘dom’ era a vida e que a partir de então eu deveria usá-la integralmente para a causa de Deus”, conta.

Uma semana depois de ter deixado o emprego no banco Santander, abrindo mão de um salário de aproximadamente 13 mil reais na época, Valter foi contratado pela CPB. Hoje, com a saúde totalmente recuperada, ele coordena o setor de Acabamento da Casa Publicadora Brasileira. “Deus me deu a bênção de continuar vivendo. E cada dia oro para que Ele me use em Sua obra”, realça.

Histórias dignas de livro

São histórias como esta que a jornalista Betina Pinto pretende registrar em um livro que está sendo escrito por ela e que deve ser concluído em breve. “Eu sempre me senti atraída por esse tema”, afirma a professora do curso de Comunicação Social do Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP).

A ideia surgiu quando ela ainda apresentava o programa Sempre Mulher, que já fez parte da grade de programação da TV Novo Tempo. “Durante os quatro anos em que estive à frente do programa, percebi que o que mais chamava a atenção dos telespectadores eram programas relacionados com a oração. Dicas de como orar e histórias de mulheres de fé, por exemplo, estavam entre as pautas que mais davam audiência”, conta.

A constatação disso a fez começar a buscar contato com essas personagens a fim de obter mais detalhes. “Já escrevi doze histórias e pretendo chegar a vinte. São relatos que envolvem questões financeiras, milagres na área de saúde, ou seja, um leque bem variado de experiências”, informa.

Porém, de acordo com a jornalista, algo em comum permeia todas elas: a determinação das personagens em buscar ajuda e a certeza da providência divina. Gente que levou a sério a promessa bíblica: “E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21:22, ARA).

“Certa vez, li uma frase que dizia: ‘Orar pode ser assustador!’ Realmente, não temos ideia do que Deus pode realizar em nossa vida quando nos colocamos de joelhos dobrados diante dEle e Lhe abrimos inteiramente o coração. Ele fará milagres extraordinários, inimagináveis”, conclui o pastor Amilton Menezes.

Por isso, Marli Peyerl, coordenadora sul-americana da campanha dos “10 Dias de Oração e 10 Horas de Jejum”, assegura: “Creio que muitos milagres vão ocorrer quando o povo de Deus se unir em oração. E esses milagres vão acontecer na vida das pessoas por quem nós vamos interceder e também em nossa vida”.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

ASSISTA À ENTREVISTA COM A COORDENADORA DO PROJETO “10 DIAS DE ORAÇÃO E 10 HORAS DE JEJUM”

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