A Bíblia e o fim das esquerdas

O estadista e profeta Daniel previu a luta entre esquerda e direita no tempo do fim
Vanderlei Dorneles
Imagem - O Fim das esquerdas - interna
Ilustração: Eduardo Olszewski

A atual sucessão de governos na América do Sul revela o esgotamento das políticas de esquerda. Isso ocorre em paralelo a uma retomada da economia americana. Os Estados Unidos e o bloco europeu parecem reafirmar suas posições de liderança e hegemonia no mundo.

O que isso tem a ver com as profecias bíblicas?

De fato, o chamado chavismo perdeu espaço na Venezuela nas eleições legislativas de 2015, e a hegemonia de 16 anos da ideologia de Hugo Chávez está ameaçada. Na Argentina, o longo período de 12 anos dos Kirchner (Nestor, depois Cristina) chegou ao fim com a vitória do liberal Mauricio Macri. Na Bolívia, o socialista Evo Morales não poderá disputar um terceiro mandato; foi a decisão do referendo de fevereiro deste ano.

No início dos anos 2000, a ascensão de Lula, Chávez e Kirchner, respectivamente, no Brasil, Venezuela e Argentina, provocou uma onda das políticas sociais de esquerda na América do Sul. Na força dessa onda, em 2005 o Uruguai elegeu Tabaré Vázquez; em 2006 a Bolívia elegeu Morales e o Chile, Michelle Bachelet. Essa onda alimentou o ideal de políticas sociais igualitárias e paternalistas na população sul-americana, uma das sociedades mais desiguais do planeta.

Ao final de quase 15 anos, os elos dessa corrente têm se enfraquecido e quebrado um após o outro. No Brasil, a maior potência econômica da região, o governo de Dilma Rousseff está seriamente ameaçado pelos mesmos motivos dos demais: evidências de corrupção e falência das políticas populistas.

O enfraquecimento das esquerdas na América do Sul faz parte do processo de desorganização da ideologia socialista como um todo em curso desde a queda do Muro de Berlim, em 1989. A falência do maior estado sócio-político construído sobre essa ideologia, a União Soviética, fragilizou o discurso revolucionário ao redor do mundo. Além disso, o regime comunista em Cuba e na Coreia do Norte só tem fortalecido a mentalidade capitalista devido às agruras sociais e econômicas evidentes nesses países.

O comunismo chinês sustentou elevados índices de crescimento econômico nos últimos anos, mas somente graças à abertura para a economia de mercado em curso ali desde os anos 1970. No entanto, apesar de representar uma salvaguarda para a ideologia socialista, o milagre chinês começa a apresentar sinais de esgotamento. Nos dois últimos anos, a China tem enfrentado crescente fuga de capitais, queda da bolsa, desvalorização da moeda e do mercado imobiliário e evidências de corrupção. Este período da economia chinesa tem sido avaliado como o fim de um ciclo.

O enfraquecimento dessas economias coincide com a retomada do crescimento dos Estados Unidos. Muita coisa não vai bem nas economias modernas, mas o que se assiste nestes tempos pode ser considerado como um esgotamento quase final das ideologias de esquerda e um fortalecimento da economia de mercado em nível global.

Uso aqui a expressão “esquerda” em referência às políticas voltadas para o estado intervencionista e controlador da liberdade geral, e “economia de mercado” para aquelas fundadas na ideia da suficiência do mercado em regular a si mesmo. Em geral, as políticas de esquerda defendem a igualdade, e as de direita, a liberdade. No livro Destra e Sinistra, o filósofo italiano Norberto Bobbio diz que a esquerda procura eliminar as desigualdades sociais com medidas protecionistas, já a direita entende que essas desigualdades são naturais e que a sociedade se autorregula.

Outro aspecto das ideologias de esquerda é a negação da dimensão religiosa da sociedade. Por sua vez, a direita se adapta ao discurso religioso e o utiliza como parte de suas estratégias de poder.

Essa tensão entre uma esquerda que nega Deus e uma direita que pretende usar o nome de Deus foi prevista por Daniel, profeta e também estadista. As visões relatadas nos capítulos 2, 7 e 8, de seu livro, têm o foco no “tempo do fim”, quando o poder perseguidor dos “santos” emerge mais uma vez, mas só para ser destruído com a chegada do reino de Deus. O profeta diz que o reino de Deus “esmiuçará e consumirá todos estes reinos” humanos (Dn 2:44), e que “o domínio, e a majestade dos reinos” serão dados aos “santos do Altíssimo” (7:27; ver 8:9-12).

Mas, onde está a esquerda e a direita na profecia?

As profecias apocalípticas se desdobram em quadros paralelos, os quais acrescentam novos detalhes ao tema já abordado. Tratando do mesmo “tempo do fim”, a visão de Daniel 11 descreve um conflito prolongado entre o chamado “rei do Norte” e o “rei do Sul” (v. 40-45), no qual o Norte prevalece sobre o Sul, pouco antes de investir contra o “glorioso monte santo”, ou seja, os mesmos “santos” das visões de Daniel 7 e 8. As expressões “monte santo” e “monte Sião” frequentemente indicam o santuário e o povo de Deus (Ez 20:40; 28:14; Dn 9:16, 20).

O perseguidor dos “santos”, de acordo com Daniel 7 e 8, é o “chifre pequeno”, símbolo do papado. Ele muda a lei de Deus, persegue os que permanecem fiéis às Escrituras e pretende tomar o lugar de Deus na Terra (Dn 7:8, 21, 25; 8:9-12). Entretanto, antes de perseguir os santos, no tempo do fim, o “chifre pequeno”, que é o mesmo “rei do Norte” (Dn 11:31, 36, 37), terá de suprimir o “rei do Sul”. Mas, no clímax da investida contra o “monte santo”, o tal “rei do Norte” será derrotado (11:45; ver 8:25). Os “rumores do Oriente” que o perturbam são as claras evidências da chegada do reino de Deus com a volta de Cristo (11:44; 8:13, 22).

Da perspectiva de Israel, o Norte era a posição de Babilônia e o Sul, a do Egito. Na Bíblia, frequentemente o Norte representa aquele que deseja estar em lugar de Deus. Lúcifer desejava subir ao “céu”, exaltar seu trono “nas extremidades do Norte” e ser “semelhante ao Altíssimo” (Is 14:13, 14). Babilônia é referida como o poder do “Norte” que derrama “o mal sobre todos os habitantes da terra” (Jr 1:13-16; 6:22, 23). O rei de Babilônia teve a arrogância de desafiar a Deus (Dn 3:15; 4:24, 25). Daniel afirma que o “chifre pequeno” provém do Norte (Dn 8:9). No Apocalipse, o poder que se levanta contra os fiéis de Deus no tempo do fim é retratado como “besta” ou “Babilônia” (Ap 13:1, 7; 14:8; 17:5; 18:2, 10, 21).

Se o “rei do Norte” é o mesmo “chifre pequeno”, que é o papado em sua investida contra os “santos”, quem é o “rei do Sul” que será suprimido antes da perseguição aos “santos do Altíssimo”?

Jacques Doukhan, em seu livro Secrets of Daniel, comentando Daniel 11, diz que o Sul simboliza, na tradição bíblica, “o poder humano sem Deus”. O Sul aponta para o Egito (Dn 11:43), especialmente para o orgulhoso faraó: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor” (Êx 5:2). Uma aliança de Israel com o Egito seria um deslocamento da fé, uma troca de Deus pela humanidade, ou seja, a fé na humanidade substituindo a fé em Deus. Isaías diz: “Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, … mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor! … Pois os egípcios são homens e não deuses” (Is 31:1-3).

Assim, no conflito protagonizado pelo Norte e o Sul, nessa visão de Daniel 11, “o Norte representa o poder religioso” que pretende ocupar o lugar de Deus, o poder do estado perseguidor dos “santos”; e o “Sul representa os esforços humanos que rejeitam Deus e têm fé apenas na humanidade”, ou seja, os poderes seculares fundados nas ideologias ateísticas e materialistas (Secrets of Daniel, p. 173). Nesse caso, as ideologias de esquerda e seus estados socialistas são aqui retratados com a figura do Egito e do Sul.

Assim, Daniel previu um conflito prolongado, no tempo do fim, entre o poder político-religioso e o poder ateísta e materialista. Ele visualizou a resistência do poder materialista, mas profetizou que este último terminaria sendo suplantado.

O Apocalipse não dá esses detalhes do conflito providos pelo estadista Daniel. João visualizou o momento posterior em que todos os que “habitam sobre a terra” (Ap 13:14) e os “reis do mundo inteiro” serão envolvidos pelo poder da Babilônia, no Armagedom (16:14, 16).

Essa profecia de Daniel 11 é extremamente significativa diante da nova configuração geopolítica do mundo desde a queda do muro de Berlim. Os poderes políticos capitalistas, unidos ao poder religioso cristão desviado da verdade bíblica, conseguiram desorganizar o estado comunista e materialista europeu no fim da Guerra Fria. Nos anos 1990, o poder americano despontou como a única potência global, deixando em seu rastro as ideologias de esquerda em completa confusão. O Norte se sobrepôs ao Sul.

No desfecho desse conflito que resultou na queda do comunismo no Leste europeu, os Estados Unidos tiveram um decisivo aliado: o papa João Paulo II, que conseguiu restaurar a influência religiosa do Vaticano no mundo. Isso é o que contam os jornalistas Carl Bernstein e Marco Politi, no livro Sua Santidade: João Paulo II e a História Oculta do Nosso Tempo (Objetiva, 1996).

Nesta década, a segunda etapa de desorganização das ideologias e dos regimes de esquerda, incluindo os da América do Sul, aponta para o crescente poder do “rei do Norte”. Segundo a profecia, sua agenda prevê investidas iminentes contra o “monte santo de Deus”. Esta será a última batalha do “rei do Norte”, na qual, porém, será completamente derrotado. O Apocalipse prevê a dramática queda da confederação da Babilônia, que é o mesmo “rei do Norte” (Ap 18:1-8).

Daniel garante que Deus se levantará em defesa de seu povo, e o fim chegará para o opressor, e “não haverá quem o socorra” (Dn 11:45).

VANDERLEI DORNELES, pastor e jornalista, é doutor em Ciências pela Escola de Comunicação e Artes (USP), onde defendeu tese sobre os aspectos mitológicos da cultura norte-americana. Autor dos livros O Último Império e Pelo Sangue do Cordeiro, entre outros, atua como redator-chefe associado na CPB

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  • Jônatas Pantoja

    Acho que o texto força um pouco as coisas. Tomo como exemplo este trecho, que parece ser a chave da leitura imposta pelo autor: “…e o ‘Sul representa os esforços humanos que rejeitam Deus e têm fé apenas na humanidade’, ou seja, os poderes seculares fundados nas ideologias ateísticas e materialistas (Secrets of Daniel, p. 173)”. Alguns pontos merecem ser observados, vejamos: 1) Da forma como a citação está inserida o leitor pode subentender que na página 173 do livro citado está tanto a informação de que o sul representa a “fé na humanidade” como a de que isto simbolizaria as ideologias ateísta e materialista, o que não é correto. Na p. 173 de Secrets of Daniel há apenas informação de que o sul representa a “fé na humanidade”. Esta afirmação é, no livro, reiterada de diversas maneiras, sem,contudo, dar margem para o sentido apresentado no artigo acima. 2) Assim, a interpretação de “fé na humanidade”, como referência aos “poderes seculares fundados nas ideologias ateísticas e materialistas”, se sustenta apenas na opinião do autor do artigo. 3) Por outro lado, com um olhar mais ampliado, as citações bíblicas apresentadas em definição ao “reino do Sul” não permitem fazer aproximação/comparação com o socialismo; falta apresentar as especificidades que sustentem ser o “Sul” símbolo profético das esquerdas contemporâneas. 4) Mas, pode-se ainda questionar: O fato do Sul representar a fé nos “esforços humanos” não autoriza, por si só, se pensar nos governos de esquerda?. A resposta é não. Porque os termos “esforços humanos” e “fé na humanidade”, tomados isoladamente, permitem conceber uma generalidade de coisas, que não especificamente o socialismo.

    • Clerison Alencar

      Concordo que foi um tanto forçado, mas gostei de ler o posicionamento, sempre vi a igreja muito silenciosa frente aos movimentos populistas. Fala-se pouco sobre, e vejo muitos irmãos sem muita noção do que acontece por aí.

    • Claudionir Furtado

      Acredito que o autor quis ser abrangente… não específico…

  • Ausberto Castro

    Interpretação POLÍTICA da Bíblia… “Nesse caso, as ideologias de esquerda e seus estados socialistas são aqui retratados com a figura do Egito e do Sul.”…. Daqui a pouco, vai dizer que o Norte é o PSDB e o Sul é o PT……. As esquerdas e as direitas são correntes políticas que só aparecem no parlamento britânico, e não tem NADA a ver com a Bíblia. As páginas da revista Adventista deveriam ser utilizadas para usos espirituais e não políticos.

    • Jailson Passos

      Tudo o que acontece no mundo tem a ver com a Bíblia. Essa ideia de “coisas da Igreja” e “coisas do mundo”, e que devem ser separadas, tem privado muita gente de usar a sabedoria de Deus nas coisas do dia-a-dia nesse mundo. É muito comum essa fala: “Isso aqui não tem nada a ver com a Igreja”. Aí muitos vivem no sábado de um jeito e a semana de outro, não usando a sabedoria de Deus para as coisas do mundo mesmo(afinal vivemos nesta Terra)e não tendo o discernimento necessário para tomar decisões dentro da vontade do Senhor.

    • Olá, Ausberto. Falar sobre religião e política não é nada novo. A Bíblia trata com a política ao longo de seus textos, apesar de nunca encorajar nem endossar os problemas típicos dessa atividade humana. Cada vez que a palavra “rei” é usada está se referindo a um poder terreno de natureza política. Nas profecias, “animais”, “bestas”, “chifres”, “diademas”, “coroas”, “reis” são metáforas para poderes políticos reais. Precisamos entender os movimentos da história à luz da profecia bíblica e mostrar que o povo de Deus é capaz de explicar os fenômenos e os acontecimentos à luz da Palavra de Deus. Daniel exerceu esse papel diante do povo de Babilônia e da Pérsia (ver Dn 5). A religião bíblica não é algo fora do mundo real; trata diretamente com ele, com a proposta da redenção completa do ser humano.

      • Edmundo Marco

        É isso mesmo.

      • Claudionir Furtado

        Perfeita colocação da Revista Adventista… Estava pensando nesse aspecto ao ler o comentário do Ausberto Castro

  • Ítalo Carvalho

    Os seus argumentos foram muito bem colocados e as associações muito bem feitas. Parabéns. Além de o artigo ser muito bem organizado me esclareceu e me deu uma nova perspectiva nesse assunto do qual tenho pesquisado. Gostaria, se possível, de iniciar uma conversa para poder saber mais sobre o o Srº Vanderlei Dorneles conhece sobre o assunto.
    Meu e-mail: carvalho.italo5@gmail.com
    Att,
    Ítalo Carvalho.

  • Antonio Marcos Dantas Mascaren

    Muito boa a matéria, parabéns ao pastor Vanderlei Dorneles pela erudição do artigo. Gostaria de deixar também meu comentário sobre o assunto. A respeito da ICAR, desde o concilio Vaticano II o pensamento esquerdista, aos poucos vem tomando conta de diversos setores da Igreja, principalmente aqueles setores ligados a ordem Jesuíta. No Brasil por exemplo a CNBB é dominada por bispos declaradamente ou veladamente de esquerda. A Igreja na América do Sul é quase toda ela de esquerda. Como diz o artigo do pastor, se existe essa dicotomia entre esquerda e direita nas profecias de Daniel, como a ICAR vai resolver o problema do pensamento esquerdista nas suas fileiras, inclusive tendo um Papa em plena atividade com declarações e atitudes do pensamento esquerdista? Fica a dúvida.

    • Thomas

      Boa indagação! vamos ficar de olho nestes acontecimentos e como eles se darão e não podemos perder o foco na verdadeira pátria, a celeste!

  • Carlos Cursino Duque

    Gostei do que li.Daniel foi um livro selado para entendimento em nossos dias, e o grande conflito norte x sul é claro desde a idade média, sempre um norte dominante se utilizando dos bens do sul. Mas como essas profecias seriam compreendidas somente no tempo do fim, pela exposição do Pr Vanderlei, percebo que o povo separado por Deus não está ao norte, e muito menos ao sul, o Israel espiritual está no centro deste grande conflito.

  • LUTHERO JR

    Muito boa mesmo a matéria, mas para quem não tem um conhecimento ao menos médio sobre as profecias de Daniel e Apocalipse fica meio perdido. Mas quem não sabe é porque não quer estudos tem!
    Gosto de ver a igreja tratando desses temas políticos e econômicos, pois, no geral, o que me parece é que não se importam com isso. E ao contrário de está alheia a esses assuntos as histórias Bíblicas aparecem permeadas desses temas políticos e econômicos.
    Vejamos as histórias dos partriacas como abraão que era o mais ricos de sua região, Jó homem cheio de posses, José que se tornou governador, Moisés que era da corte, e o que falar dos reis de Israel homens influentes. Por essas e por outra devemos está sempre discutindo esses temas que envolvem o povo de Deus.

  • Jailson Passos

    O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua esquerda.

    Eclesiastes 10:2

    E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Mateus 25:33

  • Olá a todos. Acerca do rei do Sul, vejam esses comentários de autoridades no assunto sugeridos pelo Dr. Vanderlei Dorneles:

    Sobre o conflito entre rei do Norte e o rei do Sul de Daniel 11:40-45, Jacques Doukhan diz: “Nós vemos esta luta interminável revelada nos ataques dos neoplatonistas, nas perseguições dos imperadores pagãos (Nero, Diocleciano, Juliano, etc.), nas correntes humanísticas nascidas no Renascentismo, na Revolução Francesa e, finalmente, nas atuais ideologias e formas de governo seculares e materialistas” (Jacques Doukhan, Secrets of Daniel, 175).

    Ángel Rodríguez analisando o mesmo texto: “O Egito [ou rei do Sul] representa as nações da Terra que não consideram o Senhor. Hoje provavelmente se refira às sociedades e nações não cristãs onde o secularismo e o ateísmo prevalecem. No final do conflito, essas nações se juntarão ao rei do Norte em oposição ao Senhor” (Ángel Manuel Rodríguez, “Daniel 11 and the Islam Interpretation”. Biblical Research Institute Release 13, May 2015: p. 17).

    Falando igualmente do rei do Sul e do Egito como símbolos em Daniel 11:40-45, William Shea diz: “Em tempos mais recentes, essa atitude ‘egípcia’ é expressa no racionalismo que, no campo religioso, tem levado ao ateísmo ou agnosticismo. Houve uma mais forte erupção deste tipo de pensamento na Revolução Francesa, exatamente no momento em que a história chegava ao profético ‘tempo do fim’, em 1798. O ateísmo expresso no comunismo marxista é um direto descendente da filosofia desenvolvida no tempo da Revolução Francesa” (William Shea, Daniel: A Reader’s Guide [Pacific Press, 2005], p. 264, 265).

    • Jônatas Pantoja

      Mais erros de interpretação. As três citações reforçam ainda mais os equívocos do dr. Dorneles quanto à falta dos elementos de especificidade, que tornem as esquerdas contemporâneas símbolo profético do Sul. Ainda que não julgue necessário, devo esclarecer que minha discórdia em relação ao artigo em nada diz respeito ao suposto “fim das esquerdas” sustentado pelo autor, mas à fraqueza da articulação dos argumentos.
      Na citação de Doukhan – agora com a página certa -, como se vê, o Sul é tomado como referência a uma variedade de coisas, além das “formas de governos seculares e materialistas”, como: neoplatonismo, perseguição romana, humanismo e Revolução Francesa. Isso porque Doukhan entende o Sul como figura dos “movimentos filosóficos e políticos” (p. 174), o que, para mim, é muito genérico para a interpretação que Dorneles quer dar. Mas, apesar disto, é possível se indagar que o fato de Doukhan ter se referido às “formas de governos seculares e materialistas” em suas generalidades, já autoriza entender o Sul como esquerda. O que é mais um erro. “Governos seculares e materialistas” é um termo usado em relação a Estados ateus.
      É o Sul como símbolo de uma “nação ateísta” que Rodríguez e Shea apresentam em suas citações. Shea se refere ao “comunismo marxista” como exemplo de uma “atitude”, oriunda da Revolução Francesa, de valorização do racionalismo. O que parece até aceitável, haja visto Marx não ter dado qualquer prova contrária. Contudo, fazer disso uma referência que englobe as variantes do movimento esquerdista, como me parece ser a intenção de Dorneles, é um grande equívoco. Proceder assim significa limitar a esquerda ao ateísmo, cedendo a uma visão esteriotipada, pouco justa às própria definição que Dorneles levanta do socialismo, como política que visa o fim das “desigualdades sociais com medidas protecionistas”, antes de ser esquecida em seu texto.
      E apesar do socialismo ter sido associado ao ateísmo, talvez pelo papel de Marx e pela atuação implacável da URSS no fechamento de igrejas e seminários, a esquerda não tem obrigatoriamente um programa ateu para seus governos. Prova isso o fato de nenhum dos governos da esquerda latinoamericana citados por Dorneles terem, até agora, instaurado um combate contra a religião. A propósito, é possível evidenciar o contrario deste pressuposto: Hugo Cháves, chegou a se declarar católico, lia a Bíblia, e tinha em Cristo um exemplo de ação social voltado para os mais desafortunados. Deste modo, fica difícil enquadrar a esquerda numa forma deslocada da própria dimensão do que ela é.
      Os estudiosos citados parecem concordar com fato do Sul representar a negação de Deus, afirmando aquilo que pode ser extraído do capítulo 11 de Daniel. Agora, interpretar o Sul como esquerda contemporânea, parece se constituir uma imposição de leitura que não encontra respaldo nem nos comentadores autorizados, nem, à priori, no texto bíblico. Acho que seria preciso refinar o argumento. Do jeito que está, fica claro a tentativa de ver algo onde não há, o que acaba testemunhando contra a religião e a validade da interpretação profética.

  • Não posso, obviamente, falar de todos os pastores e teólogos brasileiros, porque não conheço a esmagadora maioria deles, mas daqueles que conheço, este é o único que, até agora, já conseguiu conquistar o meu total respeito e admiração: Vanderlei Dorneles.

    Revejo-me a 100% na posição assumida pelo Irmão Vanderlei Dorneles neste artigo! E isto porque é exatamente, mas exatamente isso mesmo, que eu tenho vindo a apresentar, desde 2002 (há 14 anos, portanto!) nas igrejas por onde tenho passado e nos seminários proféticos que tenho realizado!

    Confesso que, humanamente falando, é, por vezes, muito agradável, encontrarmos alguém com quem nos podemos identificar plenamente, e foi essa precisamente a experiência que senti ao ler este artigo, para o qual dou a classificação de 7 estrelas (por “7” ser o número da perfeição 🙂 ).

  • Mateus Borges

    É engraçado. A intenção do texto não é apontar a melhor ideologia, ainda que o autor demonstre ser mais a direita. Contudo, os esquerdas se defendendo atacam o autor, um dos especialistas em profecias na IASD, por outro lado, os de direita, não enxergam que da direita virá aquilo que a Bíblia aponta e acham que é uma defesa a direita e uma reprovação a esquerda. Fosse o fim da esquerda a salvação do mundo, Jesus não precisaria retornar, mas não, ELE virá pois o grande conflito oprime, mata, rouba, humilha , separa e faz tudo de ruim acontecer, seja lá qual for a ideologia.

  • Vinicius Ferreira Miranda

    Ual! Que matéria! 10×0 para as profecias mais uma vez!

  • Edmundo Marco

    Meus queridos leitores, entendam bem o artigo: A questão não é especificamente este ou aquele partido, esta ou aquela ideologia. O Reino do Sul é tudo aquilo ou aquele que negue a Deus. O do Norte é tudo aquilo ou aquele que pretende ser de Deus, mas não é. Ambos esses Reinos aí representados serão abatidos pelo Deus verdadeiro. Agora, se é PT, PSDB, Republicano, Democrata, este ou aquele país, esta ou aquela ideologia, esta ou aquela igreja (se bem que há uma bem definida), este ou aquele líder ou pessoa, isso tudo vai na esteira de que lado onde querem ser colocados. Cuidemos, sim, para que cada um de nós, individualmente, não estejamos em nenhum desses polos, mas estejamos do lado do Verdadeiro Deus, ou seja, no monte Sião.

  • Claudionir Furtado

    Achei coerente e muito interessante para que possamos procurar entender o cenário atual político, econômico e religioso…. Resumindo… Devemos ser um povo fora de todo esse contexto. Não nos preocupemos pois temos a certeza de que um novo Governo (com “G”) está sendo preparado pelo Criador… MARANATA!

  • Sandro

    Caro Professor, não sou a favor do comunismo, nem tampouco de direita radical, me agrada um capitalismo com espaço para as questões sociais, sem radicalismos, mas aqui não vem ao caso a minha postura política… Quero lembrá-lo de alguns pontos que considero muito importantes para uma análise política da Bíblia:

    1 – O partido Nazista, de Adolf Hitler, era de Extrema Direita! Perseguiu comunistas e judeus, e também negros e outras etnias, levando à morte de milhões, naquilo que é conhecido pela história como “Holocausto”!

    2 – A queda do “Muro de Berlim”, sim, foi um fato histórico de imensa dimensão política, culminando com o fim da antiga União Soviética e do que era chamado de Guerra Fria! Mas, nesse caso, onde está o “Reino do Norte” e o “Reino do Sul”?? Não seria mais adequado falar em “Reino do Ocidente” e “Reino do Oriente”???

    3 – Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo em meio a um turbilhão político, numa época em que os judeus aguardavam um Messias libertador das opressões dos romanos. Que decepção para os judeus! O Messias era um rei, sim, mas o Príncipe da Paz! “Meu Reino não é deste mundo!”, declarou Jesus! Lembrem-se que Judas, que traiu Nosso Senhor, era envolvido com movimentos revolucionários naquela época! A igreja de Cristo deve buscar incessantemente a análise do cumprimento das profecias que nos façam estar preparados para a breve volta do Senhor Jesus!

    4 – Existem pessoas cristãs que estão envolvidas no trabalho missionário para atender milhares de pessoas oprimidas por ditaduras financiadas por governos de direita e de esquerda! Tenho admiração pelos Estados Unidos, mas seu governo por diversas vezes financiou guerras e massacres nas últimas décadas, com fins puramente econômicos. Esta nação, que um dia foi erguida por Deus como a Terra da Liberdade, infelizmente vem se transformando no Dragão, conforme a profecia de Apocalipse.

    Agradeço o espaço para comentários e peço mil perdões se estiver errado em qualquer uma de minhas colocações, espero ter colaborado com o debate!

    Para finalizar, coloco duas profecias que mostram, com exatidão, segundo seus analistas, o ano em que foi criado o Estado Moderno de Israel. Essas duas análises, no meu humilde ponto de vista, realmente são de uma precisão milimétrica e revelam toda a grandeza do Nosso Deus! A Ele, toda honra e toda glória, pelos séculos dos séculos! Amém!!!

    Como a Bíblia Predisse, em Duas Passagens Diferentes, o Ano de Fundação do Estado de Israel (1948)

    Autor: Jeremy James, julho de 2010.

    Em um tempo quando o moderno Estado de Israel está
    ficando sob severa pressão de outras nações, tanto árabes quanto
    ocidentais, para ceder parte de seu território soberano para seus
    inimigos, precisamos nos lembrar que o Senhor Deus tem outros planos.

    Em toda Sua santa Palavra, sabemos que esse ato de
    rebelião não será tolerado. Deus disse que iria ajuntar Seu povo do meio
    de todas as nações e estabelecê-lo novamente na Terra Prometida. Não
    somente Deus manteve Sua aliança, mas fez isso no ano predito, 1948.

    Esse ano pode ser calculado a partir de duas
    passagens proféticas na Bíblia, ambas as quais foram enfatizadas de uma
    forma dramática pelo Senhor. A primeira está no livro do profeta Daniel,
    em que Deus escreveu quatro palavras na parede do palácio durante um
    banquete oferecido pelo rei Belsazar. A segunda é em um dos atos
    públicos de encenação profética que Ezequiel foi instruído a realizar à
    vista do povo. Em vez de simplesmente reportar e registrar a profecia,
    Ezequiel teve de ir um passo além e encená-la em um local público.

    Antes de continuar e mostrar como a data pode ser
    calculada de duas formas diferentes, gostaria de dar os créditos a duas
    fontes importantes. A primeira é o livro Temple at the Center of Time
    (O Templo no Centro do Tempo), de David Flynn, que lança muita luz
    sobre o significado das palavras que Deus escreveu nas paredes do
    palácio em Babilônia. A segunda fonte é The Israel Omen (O
    Presságio de Israel), de David Brennan, que apresenta um dos dois
    cálculos proféticos. O propósito deste ensaio é destacar as
    interpretações feitas por esses dois autores e, mais importante, a
    conexão que existe entre elas.

    Alguns Pontos Sobre a Profecia Bíblica

    A Bíblia se refere frequentemente ao ano profético
    como um “dia”. Existem muitas passagens que confirmam isto. Por exemplo,
    quando Jacó teve de trabalhar mais sete anos para Labão para poder se
    casar com Raquel, a Bíblia se refere a esse período como “uma semana”,
    isto é sete dias.

    Os judeus nos tempos bíblicos também usavam o
    calendário lunar, que tem um ano de 360 dias, em vez do calendário
    solar, em que o ano tem uma duração de 365,24 dias. É importante levar
    isto em conta ao interpretar as passagens proféticas. (Veja a Nota A.).

    O Primeiro Cálculo Profético

    A cena no banquete de Belsazar no ano 538 AC é uma
    das mais dramáticas na Bíblia. Como co-regente do Império Babilônio,
    Belsazar ofereceu uma festa extravagante para seus admiradores, usando
    os vasos que tinham sido retirados do templo de Jerusalém. Sem que
    Belsazar e seus generais soubessem, os persas tinham furtivamente
    desviado o rio Eufrates, que passava pelo meio de Babilônia e estavam
    silenciosamente se infiltrando pelo canal esvaziado que passava por
    baixo das grandes muralhas da cidade.

    Durante suas últimas horas de vida, os dignatários
    babilônios — que estavam perpetrando um ato grave de sacrilégio ao
    usarem os vasos do templo do Senhor em Jerusalém — foram confrontados
    por uma mão que escreveu as seguintes palavras na parede do salão onde o
    banquete estava sendo realizado: “Mene, Mene, Tequel, Ufarsim” [Daniel 5:25].

    Todos os presentes ficaram grandemente alarmados. O
    velho profeta Daniel, que provavelmente já tinha mais de 80 anos de
    idade, foi chamado para interpretar aquelas perturbadoras palavras. Que
    mensagem elas tinham para Belsazar? De acordo com Daniel, elas diziam
    que Deus tinha contado os dias do reino babilônio, tinha pesado os
    governantes na balança e os achado em falta, e que o império seria agora
    dividido entre duas nações conquistadoras — os medos e os persas.

    A profecia foi cumprida e Belsazar e seus generais foram mortos naquela mesma noite.

    O autor David Flynn observou que as quatro palavras
    também pareciam conter um significado adicional. Com base no princípio
    que a Bíblia é seu próprio dicionário, ele referencia a seção no livro
    de Ezequiel que descreve o templo do Messias durante o Reino Milenar, em
    particular um verso que se refere aos pesos e medidas:

    “E o siclo será de vinte geras; vinte siclos, vinte e cinco siclos, e quinze siclos terá a vossa mina.” [Ezequiel 45:12].

    NT: Parece que há uma dificuldade de tradução no verso de
    Ezequiel 45:12, o texto parece obscuro tanto na KJV e na Almeida
    Corrigida e Fiel, sugerindo que a mina terá 60 siclos. Mas, na versão
    Almeida Revisada da Imprensa Bíblica, o texto aparece assim:

    E o siclo será de vinte jeiras; cinco siclos serão cinco siclos, e dez siclos serão dez; a vossa mina será de cinquenta siclos.
    [Ezequiel 45:12, Almeida Revisada, da Imprensa Bíblica, disponível em http://www.bibliaonline.com.br/aa/ez/45%5D

    Essas palavras — siclo, jeira (ou gera) e mina
    — eram na verdade caldéias em sua origem e representavam diferentes
    unidades de medição na antiga Babilônia. (Tanto Daniel quanto Ezequiel
    viviam em Babilônia, estavam familiarizados com os costumes e podiam
    falar a língua dos caldeus.). A jeira era a menor unidade de
    valor monetário em Babilônia, muito similar ao centavo nos tempos
    modernos. Assim, as palavras “Mene, Mene, Tequel (Shequel, ou Siclo), Ufarsim” estavam coletivamente descrevendo um valor numérico, onde um mene (uma mina) correspondia a 50 siclos, ou 1.000 jeiras, um tequel correspondia a 20 jeiras, e um parsim correspondia a 500 jeiras (Ufarsim literalmente significa “e uma mina dividida”). Isso dá 1000 + 1000 + 20 + 500.

    Confirmação independente disso, onde as palavras em questão (isto é, mene, tequel e ufarsim) podem ser interpretadas como unidades babilônias tradicionais de medição, pode ser encontrada em The Bible Knowledge Commentary, de Walvoord and Zuck.

    O autor David Flynn faz uma análise dos muitos modos
    impressionantes em que esse número, 2.520 aparece repetidamente na
    história judaica e na exegese bíblica.

    Entretanto, há uma aplicação do número que ele não
    identificou e que parece ser altamente significativa. Do mesmo modo que
    as quatro palavras na parede transmitiam uma mensagem específica a
    Belsazar, elas também transmitiam outra mensagem muito diferente para os
    judeus. Para compreender o significado dessa mensagem precisamos
    colocá-la em seu contexto histórico. Babilônia caiu naquele mesmo dia e
    todo o reino ficou sob o domínio de Ciro, o general persa. No ano
    seguinte, 537 AC, Ciro emitiu um decreto para a libertação de todos os
    estrangeiros cativos que residiam em Babilônia. Isto suspendeu
    imediatamente as restrições de residência sobre o povo judeu e eles
    podiam agora retornar livremente à Terra Prometida.

    Jeremias tinha profetizado que os judeus estariam em
    cativeiro por setenta anos em Babilônia — veja Jeremias 25:11-12. (A
    diferença entre 606 AC, quando os babilônios levaram os primeiros
    cativos de Jerusalém, e 537 AC, quando Ciro emitiu seu decreto, é de 69
    anos solares, ou 70 anos lunares.) Os judeus, que tinham acabado de
    servir setenta anos lunares de cativeiro em Babilônia, continuaram a
    viver sob o domínio de uma sucessão de impérios estrangeiros — Império
    Persa, Império Grego e Império Romano — antes de serem espalhados pelos
    quatro cantos da Terra. Eles somente voltaram a ser uma nação com
    governo independente em 1948.

    A diferença entre essas duas datas — 537 AC e 1948 DC
    — é 2484 anos solares. (Precisamos subtrair um ano, pois um ano do
    calendário é perdido na transição de Antes de Cristo para Depois de
    Cristo. Por exemplo, entre 1 de janeiro de 2 AC até 1 janeiro de 2 DC
    existem três anos, não quatro.) Entretanto, como esses são anos solares,
    eles têm a duração de 365,24 dias. Se os convertermos para anos
    lunares, chegamos a um resultado surpreendente:

    2.484 anos solares = 907.256 dias [2.484 x 365,24 = 907.256]

    907.256 dias = 2.520 anos lunares [907.256 / 360 = 2.520]

    Assim, justamente quando eles estavam prontos para
    completarem seus 70 anos de cativeiro em Babilônia, o Senhor disse ao
    povo judeu que eles ainda tinham mais 2.520 anos lunares para servirem
    antes que a pena por suas transgressões tivesse sido totalmente paga e
    eles pudessem novamente voltar a ter o controle soberano sobre a Terra
    Prometida.

    O Segundo Cálculo Profético

    Examinaremos agora a segunda profecia referente à
    fundação do moderno Estado de Israel no ano de 1948. (Isto segue a
    análise do autor David Brennan, com algumas pequenas modificações.).

    O profeta Ezequiel nos diz que o Senhor o instruiu a
    se deitar sobre seu lado esquerdo em um local público por 390 dias e
    depois se virar para seu lado direito e ficar deitado assim por mais 40
    dias:

    “Tu também deita-te sobre o teu
    lado esquerdo, e põe a iniquidade da casa de Israel sobre ele; conforme
    o número dos dias que te deitares sobre ele, levarás as suas
    iniquidades. Porque eu já te tenho fixado os anos da sua iniquidade,
    conforme o número dos dias, trezentos e noventa dias; e levarás a
    iniquidade da casa de Israel. E, quando tiveres cumprido estes dias,
    tornar-te-ás a deitar sobre o teu lado direito, e levarás a iniquidade
    da casa de Judá quarenta dias; um dia te dei para cada ano.” [Ezequiel 4:4-6].

    Considere o quão extraordinário isto deve ter sido
    para o povo judeu daquele tempo, quando um profeta respeitado
    voluntariamente se prostrou diante de todos de um modo humilhante por
    mais de um ano. Claramente, o Senhor queria que todos recebessem a
    mensagem. Mas, qual era a mensagem?

    Isto é declarado por Ezequiel. Os reinos do norte e
    do sul de Israel (conhecidos respectivamente como Casa de Israel e Casa
    de Judá) estavam sendo punidos por suas iniquidades — seu fracasso
    repetido em fazer o mínimo que o Senhor requeria deles. Por terem sido
    rebeldes e de dura cerviz, por terem se recusado a honrar a aliança com
    Deus, eles iriam sofrer a retribuição. O Senhor já os tinha advertido
    muitas vezes a respeito da punição que seria aplicada se eles
    desprezassem Sua santa lei, mas eles não deram ouvidos.

    Como a passagem acima declara, cada dia representaria
    um ano da punição. Essa punição seria de 390 anos pela rebelião do
    reino do norte e 40 anos pelo reino do sul. Além disso, a sentença seria
    cumprida consecutivamente, com os dois períodos adicionados, pois o
    próprio profeta teve de se deitar em um local público — diante de
    estranhos — durante 430 dias consecutivos.

    O livro de Levítico define detalhes precisos da lei
    que o povo judeu deveria observar. Ele também especifica, quando
    apropriado, as penas que seriam cominadas para cada infração à lei. Em
    particular, conforme David Brennam observa, o livro prevê a
    multiplicação das penalidades quando a atitude de desobediência fosse
    obstinada e persistente:

    “E, se ainda com estas coisas não me ouvirdes, então eu prosseguirei a castigar-vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados.” [Levítico 26:18].

    “E se andardes contrariamente para comigo, e não me quiserdes ouvir, trar-vos-ei pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados.” [Levítico 26:21].

    “E se com isto não me ouvirdes,
    mas ainda andardes contrariamente para comigo, também eu para convosco
    andarei contrariamente em furor; e vos castigarei sete vezes mais por causa dos vossos pecados.” [Levítico 26:27-28].

    Essas advertências, repetidas três vezes, sugerem
    fortemente que o Senhor mais tarde agiu conforme tinha advertido que
    agiria, e multiplicou a punição deles por sete. Aparentemente, isso
    ocorreu quando eles O rejeitaram mais uma vez no fim do cativeiro em
    Babilônia, recusando-se a retornar em número significativo para a Terra
    Prometida. Embora um grupo pequeno tenha retornado inicialmente para
    reconstruir o templo, de um modo geral, o número dos que voltaram foi
    muito pequeno. Por exemplo, em 459 AC, 78 anos após o decreto emitido
    por Ciro, quando havia bem mais de 200.000 judeus em Babilônia, somente
    6.000 decidiram retornar do exílio junto com Esdras (veja Esdras 8).

    Como os judeus já tinham servido setenta anos de sua
    punição em Babilônia, a multiplicação especificada em Levítico somente
    poderia se aplicar ao tempo restante, isto é 360 anos (430 menos 70).
    Quando multiplicado por sete, isso se torna 2.520 anos (360 x 7).

    Temos novamente o número notável de 2.520. Como
    nosso cálculo anterior mostrou, isto se traduz na data de fundação do
    moderno Estado de Israel, 1948.

    Reconhecimentos

    Novamente, gostaria de reconhecer o excelente
    trabalho feito pelos autores David Flynn e David Brennan em seus
    respectivos livros citados anteriormente, ao interpretarem essas
    passagens proféticas fundamentais e relacioná-las com os eventos
    contemporâneos. Espero que este ensaio sirva para enfatizar a conexão
    entre essas profecias e a necessidade de todos os cristãos nascidos de
    novo apoiarem firmemente Israel durante os tempos turbulentos que estão
    por vir.

    Nota A: O Ano Bíblico de 360 Dias

    O ano de 360 dias é usado em toda a Bíblia, desde o Gênesis até o Apocalipse. Por exemplo, em Gênesis, lemos:

    “No ano seiscentos da vida de
    Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se
    romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se
    abriram.” [Gênesis 7:11].

    “E as águas iam-se escoando
    continuamente de sobre a terra, e ao fim de cento e cinquenta dias
    minguaram. E a arca repousou no sétimo mês, no dia dezessete do mês,
    sobre os montes de Ararate.” [Gênesis 8:3-4].

    Estes versos mostram que um período de cinco meses
    corresponde a exatamente 150 dias, dando 30 dias por mês, ou 360 dias
    por ano.

    Em Apocalipse, lemos:

    “E deixa o átrio que está fora
    do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade
    santa por quarenta e dois meses. E darei poder às minhas duas
    testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas
    de saco.” [Apocalipse 11:2-3].

    Isto confirma que, mesmo para o fim dos tempos. o
    Senhor descreve os eventos de acordo com o mês de 30 dias, ou ano de 360
    dias (1.260 / 42 = 30].

    Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu

    Data da publicação: 2/5/2013

    Transferido para a área pública em 7/2/2015

    Patrocinado por: M. G. — Florianópolis / SC

    A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/israel1948.asp

  • Para quem curte.
    https://www.youtube.com/watch?v=VgTymiCSzQo
    Os versículos bíblicos de Daniel 11:40-45 cantados.

  • Franck Biron Desrosiers

    um ponto chama minha atenção: enquanto os EUA seriam o Norte religioso e a Venezuela o Sul ateista e materialista, parece-me dificil considerar Obama ou seus antecessores como mais religiosos do que Chavez e os seus, por exemplo. e por ai vai.

  • Roberto Cassio

    É isso que gosto na IASD, nos força a estudar bastante pra tirarmos a conclusão mais acertada, por isso fica a importante questão do estudo aprofundado pra quem quer se entranhar no mundo das profecias.
    Creio que devemos tomar muito cuidado para que, ao invés de fazermos a leitura dos acontecimento à luz da profecia, não passarmos a moldar as profecias conforme os acontecimentos.

  • Doom Fidel

    Interessante esse assunto, pois o livro de Daniel foi selado para ser entendido só no tempo do fim, em nossos dias, e o grande conflito norte x sul parece mesmo ser entre Direita e Esquerda. O diabo é um esquerdista subversivo sim, tanto que manipula os dois lados da moeda. Agora como vai ocorrer o desenrolar desses eventos, o tempo dirá. Pelo visto para se receber o favor divino é preciso está no centro, fora desses dois polos.
    Então se entendi bem, irá morrer bilhões de pessoas. Isso é assustador!