Uma igreja para a maioria

No momento em que as estatísticas revelam um crescimento histórico do adventismo no continente sul-americano, o desafio é segurar as novas gerações
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Os jovens representam 55% dos membros da igreja na América do Sul, 70% dos batismos e quase 68% das perdas. Os números mostram que somos fortes para atraí-los, mas fracos para mantê-los.

Há poucos dias, fechamos o relatório do movimento de membros na Divisão Sul-Americana referente a 2015. Temos um sólido sistema informatizado, com dados em tempo real, mas que depende da inclusão de informações por parte de igrejas e instituições. Por isso, trabalhamos intensamente para reunir todos esses dados e ter uma visão clara de nossos números. A expectativa foi grande, e o relatório final foi recebido com gratidão e oração. Tivemos o maior crescimento de nossa história, desde que começamos a registrar detalhadamente os dados de cada novo membro. Antes tínhamos apenas o número de batismos ou remoções. Hoje temos informações mais seguras e o registro de cada pessoa que se torna parte da família adventista.

Nossas estatísticas tinham um histórico semelhante aos dentes de um serrote, com índices positivos num ano e negativos no outro. A partir de 2013, pela graça de Deus, começamos a ter crescimento positivo regular. Foram 227.461 novos membros em 2013, 233.481 em 2014 e 253.869 em 2015. Sei que os números são frios e não mostram toda a realidade, mas nos dão uma visão panorâmica. Por trás deles há histórias de vidas transformadas, lutas para tomar uma decisão, fidelidade a toda prova e forte envolvimento de membros comprometidos com a missão. No entanto, aparece também uma nota de tristeza envolvendo aqueles que foram batizados e abandonaram a fé. Essa é uma forte preocupação dentro de nossa celebração.

Em nossa visão de discipulado, trabalhamos para envolver cada membro com a missão, diminuindo a proporção de membros para levar uma pessoa ao batismo. Em 2013 foram 9,49 adventistas para cada batismo, em 2014 o índice foi de 9,69 e em 2015 tivemos nossa melhor média: 9,17. Apesar de motivar cada membro a preparar uma pessoa para o batismo, nestes últimos dois anos (2014-2015), 9,4% de nossas igrejas e grupos (2.510) não levaram nenhuma pessoa ao batismo. Foram 730 dias com o batistério vazio. Precisamos do envolvimento pessoal, mas em alguns lugares o desafio é muito maior e envolve congregações inteiras.

Terminamos 2015 com 2.329.245 membros batizados e isso me motivou a fazer um cálculo de fé. O que aconteceria se cada adventista, durante um ano inteiro, preparasse uma pessoa para o batismo, com bastante tempo disponível, qualidade e profundidade? Sabe qual foi a impressionante conclusão? Em pouco menos de nove anos todos os habitantes dos oito países da Divisão Sul-Americana poderiam estar batizados e a missão concluída. Sei que essa é uma visão irreal para os homens, mas não para Deus. Mesmo que todos não sejam batizados, pelo menos conheceriam bem a mensagem e teriam a oportunidade de tomar uma decisão. Veja como é tão simples para Deus terminar a pregação do evangelho em nosso continente!

Entre esses dados, uma informação teve destaque: a realidade das novas gerações. Essa é uma das quatro prioridades da igreja em nosso território para o quinquênio, e o relatório estatístico de 2015 evidenciou que precisamos trabalhar mais para ter uma igreja em sintonia com a maioria. Por que maioria? Porque juvenis, adolescentes e jovens são a maioria de nossos membros, a maioria de nossos batismos e a maioria de nossas perdas. Em 2015, eles eram pouco mais de 55% dos membros, 70% dos batismos e quase 68% de nossas perdas.

Precisamos de uma igreja para a maioria. Isso não significa criar um conflito de gerações, mas uma integração mais evidente, em que os jovens se sintam parte da liderança, da liturgia e do planejamento, percebendo que a igreja se interessa em ouvi-los e atender suas necessidades. Tudo isso sem negociar princípios, baixar normas ou tornar superficial a fé. Em outras palavras, uma igreja que estabeleça uma comunicação mais forte com as novas gerações, sabendo modernizar sem mundanizar. [Créditos da imagem: Fotolia]

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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