“Netflix” evangélica

Empreendedor adventista cria serviço de assinatura de filmes, séries e programas de TV voltado para o público cristão 

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O desafio de encontrar vídeos apropriados para seus filhos assistirem em canais como o Netflix,  serviço de streaming de vídeo que tem mais de 75 milhões de assinantes em centenas de países, levou Edward Veve, empreendedor adventista norte-americano, a criar um site similar que oferecesse conteúdo cristão. Lançado há um ano, o Morningstar Video hoje oferece on-line centenas de filmes, séries e programas que procuram transmitir valores.

“Decidi criar um serviço de transmissão por assinatura para que os adventistas e outros cristãos tenham um lugar para encontrar conteúdo apropriado para nossas famílias”, afirmou ele em entrevista publicada recentemente no site da revista Visitor, produzida pela União Columbia da Igreja Adventista.

Sua experiência de quase 19 anos na área de TI (Tecnologia da Informação) contribuiu para viabilizar o projeto. “Desenvolvemos alguns softwares muito sofisticados e também compramos tecnologia de ponta usada por algumas das maiores empresas de mídia do mundo”, relata.

Obviamente, o empreendimento não saiu barato. Ele conta que levantou mais de 100 mil dólares para iniciar o projeto. Porém, se forem levadas em conta as horas de trabalho da equipe de profissionais envolvidos, o valor passa de um milhão de dólares. “Mas a resposta tem sido incrível”, comemora o empresário.

Em breve, o criador do Morningstar Video pretende apresentar novidades. Além de ampliar a oferta de conteúdo, o serviço também deve agregar novas ferramentas tecnológicas. “Há milhares de filmes cristãos de alta qualidade lá fora sobre os quais as pessoas nunca ouviram falar. Temos priorizado a aquisição de conteúdo — filmes e programas de TV — dos melhores produtores independentes. Mas também visamos aos títulos mais caros e mais famosos de Hollywood, como A Paixão de Cristo e Quarto de Guerra. Além disso, estamos trabalhando para acrescentar conteúdo relacionado à programação de ministérios adventistas populares, a exemplo de Amazing Facts, 3ABN e Hope Channel”, informa.

Outra novidade é um aparelho que vem sendo desenvolvido com a finalidade de permitir que as pessoas transmitam o conteúdo do Morningstar Video diretamente para sua TV. “Elas não precisarão assistir em seu computador. Essa caixa com [o sistema operacional] Android permite o acesso a dezenas de canais religiosos (como o Morningstar Video, o Hope Channel, o 3ABN, o Amazing Facts, o Parables e o Christian Broadcasting Network) com programações adequadas para as famílias. Também estamos incluindo esportes, notícias, canais de culinária e videogames seguros para crianças. A caixa pode substituir a TV a cabo. Estamos nos estágios iniciais de aquisição de financiamento para essa nova fase”, diz o empreendedor.

Para Edward Veve, o serviço cumpre dois importantes papéis: evangelizar e ajudar as pessoas a filtrar o que a mídia oferece. “Estou convencido de que, no futuro próximo, teremos uma poderosa presença digital que permitirá a proclamação das três mensagens angélicas não somente por meio das opções de conteúdo que oferecemos, mas também de hardwares e softwares que ajudarão os pais a encontrar entretenimento edificante para seus filhos, mantendo a família protegida de conteúdos nocivos”, acredita.

No entanto, para o teólogo e jornalista Allan Novaes, que em sua tese doutoral recém-defendida na PUC-SP estudou a relação do adventismo com a cultura audiovisual, esse serviço pode melhorar em alguns aspectos. “Observei, por exemplo, que, no Morningstar, não existem explicações elaboradas, tanto do ponto de vista teológico, como do comunicacional, sobre os pressupostos e critérios escolhidos para o método classificativo que eles usam em sua plataforma. Esse, sem dúvida, é um dos pontos a se pensar para o futuro imediato”, sugere o doutor em Ciência da Religião.

“Selo” de qualidade

Entrevista com Allan Novaes
Em sua tese doutoral, defendida na PUC-SP, o Dr. Allan Novaes tratou sobre a relação conflituosa entre o adventismo e a cultura audiovisual. As principais conclusões do estudo serão abordadas em entrevista exclusiva com o autor na edição de maio da Revista Adventista. Foto: Márcio Tonetti

Na opinião de Novaes, iniciativas como a “Netflix” evangélica refletem um processo de expansão da indústria gospel que, de um lado, busca pregar o evangelho de forma criativa e inovadora e, de outro, quer atender as demandas de entretenimento de seu nicho de mercado.

Assim, conforme realça o professor do Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP), a indústria televisiva e cinematográfica gospel tem se esforçado para “sacralizar” produções típicas do universo midiático “secular”, criando produtos com roupagem midiática, mas com conteúdo e abordagem cristã para o público evangélico que deseja “consumir produtos da cultura pop sem infringir sua consciência religiosa”.

Porém, Novaes argumenta que mais importante do que oferecer produtos midiáticos com o “selo” de qualidade cristão é desenvolver ações que auxiliem os membros a ter “uma concepção mais crítica e mais adventista dos produtos midiáticos”. No entanto, ele observa que, infelizmente, há pouca tradição nesse sentido por partes dos evangélicos, incluindo aí os adventistas. “A ‘alfabetização midiática’ já é um dos grandes imperativos da sociedade atual. Deveria ser também um dos principais focos de atuação da liderança da igreja em relação aos membros e das ações da membresia em relação à comunidade na qual ela está inserida. Isso é verdade agora, e será ainda mais nos próximos anos, em virtude do perfil tecnológico das novas gerações”, ele reforça. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações de Kimberly Luste Maran]

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  • São em inglês, Gabriel. Abraço

  • Olá, Sergio. Compartilho contigo o link para o contato com os responsáveis pela iniciativa. Abraço!

    http://www.mstarvid.com/index.php/contact-support

  • Muito interessante a proposta do Mornings Star.
    A ideia do criador Edward Veve a princípio deve-se a preocupação com os valores e conceitos que devem ser transmitidos a família, ainda mais dentro do contexto secularizado da sociedade hoje. Eu penso que mesmo dentro dos motivos para essa nobre iniciativa deveria se pensar em inserir esses materiais de cunho teológico dentro da rede Netflix por exemplo, pois estaríamos disponibilizando esse rico material (de abordagem cristã) para outras pessoas que não procurariam por conta própria. Me refiro a uma sessão mais ampla e com muito mais materiais disponíveis. Dessa forma outras pessoas que não são necessariamente religiosas poderiam ter acesso a esse conteúdo.