Evangelista nativo

Indígena já levou mais de mil pessoas ao batismo em aldeias na fronteira do Brasil com a Venezuela
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Conrado da Silva, o missionário nativo que tem levado o evangelho às tribos da região da fronteira do Brasil com a Venezuela.

Era para ser uma viagem de gravações rotineiras sobre os eventos da Igreja Adventista do Sétimo Dia na região de Roraima. Jamais passou pela minha mente que aquela região fosse tão rica em belezas e recursos naturais. Entre suas muitas riquezas, o Estado possui, por exemplo, reservas de irídio, mineral nobre usado na fabricação de peças e componentes para aviões, aparelhos eletrônicos e até mesmo na medicina. Outra surpresa foi descobrir que também é nessa região que são formados os chamados ventos alísios, responsáveis por transportar umidade das zonas tropicais para a zona equatorial, influenciando, desse modo, o clima do planeta.

Porém, o que mais me chamou a atenção ao cruzar pelo extremo Norte do país foi uma comunidade que vive na divisa do Brasil com a Venezuela. Decidimos parar para registrar como vivem os adventistas da aldeia Taurepang. De origem venezuelana, esses povos indígenas se instalaram do lado brasileiro formando várias comunidades, entre elas a Sorocaima. Nessa localidade, desde 1911 a mensagem do advento tem sido passada de geração para geração.

O único meio de comunicação da comunidade é um berrante feito de chifre de boi. O som do instrumento é usado para anunciar aos moradores que o culto na igreja está para começar. Embora não fosse dia de celebração quando visitamos a comunidade, os líderes locais tocaram o berrante para mostrar que, em menos de uma hora, é possível reunir toda a aldeia no templo.

Todos os 218 moradores, distribuídos em 58 famílias, são adventistas. O trabalho de conservação e motivação espiritual dos membros é feito de diversas maneiras. A música consiste num desses importantes instrumentos. O jovem Kennedy Filho se mudou para a aldeia sem conhecer o evangelho, mas em pouco tempo foi impactado e aceitou a mensagem bíblica. Frequentou a igreja por alguns anos sem ter nenhuma função de liderança, até o dia em que o regente do coral morreu e ele foi indicado para assumir o cargo.

Mesmo sem ter estudado música nem saber cantar, Kennedy aceitou o desafio. Hoje existem dois corais na igreja. Eles louvam em perfeita harmonia e em diferentes vozes. Fiquei surpreso ao ouvir uma melodia tão afinada entre os nativos.

Além de Kennedy, outros membros da igreja também fazem a diferença na vida de muitas comunidades indígenas nessa parte remota do país. Nascido na aldeia Wapichana, o índio Conrado da Silva decidiu viver como evangelista itinerante. Sua esposa e seus três filhos o acompanham nessa missão.

Há 18 anos pregando o evangelho nas aldeias, ele já plantou igrejas em 25 etnias e levou mais de mil pessoas ao batismo. Conrado também conseguiu realizar o sonho de ter um filho pastor. Em 2013, Alex Alfredo Alves concluiu Teologia na Faculdade Adventista da Amazônia (Faama), se tornando um dos primeiros nativos a exercer o ministério.

Por meio dessas pessoas, o evangelho tem sido levado a toda nação, tribo, língua e povo.

IVO MAZZO é diretor de comunicação da Igreja Adventista para região Noroeste do Brasil

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