Encontro de editores

Profissionais adventistas do Brasil e da Argentina participam de evento com o objetivo de discutir os desafios do editor cristão no cenário atual

Editores
Programação reuniu editores que trabalham na Casa Publicadora Brasileira (CPB) e na Asociación Casa Editora Sudamericana (Aces), com sede em Buenos Aires (Argentina). Crédito: Márcio Tonetti

Editores adventistas do Brasil e da Argentina participaram do 3º Encontro de Editores da Casa Publicadora Brasileira (CPB) e da Asociación Casa Editora Sudamericana (Aces) entre os dias 12 e 15 de maio. Realizado na cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, o evento abordou o papel e os desafios desses profissionais no cenário atual.

O doutor Gerald Klingbeil, editor associado da Adventist Review e da Adventist World, um dos palestrantes convidados para falar ao grupo de 67 editores, gerentes e coordenadoras pedagógicas das duas editoras adventistas sul-americanas, lembrou que, historicamente, a função do editor cristão foi “proteger a igreja das heresias e distrações”. Hoje, de acordo com Klingbeil, esse profissional deve continuar trabalhando em favor da preservação da identidade da igreja.

Outro aspecto enfatizado ao longo do congresso foi a necessidade de os editores praticarem uma hermenêutica bíblica a partir da cosmovisão adventista. Ao observar que a interpretação da Bíblia é um dos maiores desafios da igreja na atualidade, o teólogo Elias Brasil, diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica (BRI, na sigla em inglês), órgão ligado à sede mundial adventista, ressaltou que os editores precisam conhecer profundamente os princípios hermenêuticos. “Vocês são os formadores do pensamento da igreja”, frisou.

O pastor Elias Brasil ainda falou sobre os efeitos da cultura pós-moderna na interpretação das Escrituras. “O pós-modernismo torna o leitor uma figura onipotente na interpretação da Bíblia”, afirmou. Para ele, isso tem levado a várias distorções no texto bíblico, influenciando sermões mais sociológicos do que cristocêntricos.

Por outro lado, ele procurou mostrar que há aspectos positivos na cultura que podem ser usados como pontes para conectar e influenciar esse público. Como o teólogo lembrou, nunca foi tão fácil falar sobre a mensagem de saúde. Citando outro exemplo, ele disse que “hoje também é mais fácil falar sobre o santuário porque o pós-moderno está aberto ao rito”.

Ao refletir sobre a relação do adventismo com a cultura, o doutor Gerald Klingbeil acrescentou que o editor precisa compreendê-la para se tornar um tradutor dos princípios bíblicos para determinado contexto. “Precisamos encontrar o equilíbrio correto para conectar as verdades bíblicas com uma sociedade que a cada dia tem menos conexão com o Livro”, advertiu. Nesse sentido, como acrescentou o pastor Marcos De Benedicto, redator-chefe da CPB e um dos organizadores do evento, os editores são seres de dois mundos, pois são intermediadores entre a Verdade eterna e a audiência.

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Outro desafio proposto aos participantes do evento foi o de buscarem uma maior aproximação do mundo acadêmico. “A mensagem adventista é relevante para os grandes temas que preocupam nossa cultura”, disse o palestrante ao considerar que os editores podem exercer maior influência nas universidades seculares.

Ele também aconselhou os editores a ouvir mais. Para Klingbeil, esse é um passo fundamental para que o trabalho do editor continue sendo relevante para a igreja e a sociedade. “Falamos e publicamos, mas escutamos cada vez menos, inclusive a voz de Deus. Escutar nos mostra oportunidades e nos faz ver que nosso ministério não circula ao redor de nossas opiniões”, realçou.

Na mesma direção, o doutor Martin Kuhn, vice-reitor do Unasp, abordou a importância de estudos focados na audiência. Na avaliação dele, durante muitos anos a academia se concentrou em pesquisar os meios (emissor) e a mensagem, mas hoje o desafio é entender como essa nova audiência pensa e é influenciada.

O futuro da profissão

Tendo em vista os desafios da comunicação no contexto atual, o evento também trouxe um panorama do mercado editorial e das tendências de mercado. Afinal, qual será o futuro de quem trabalha com o texto na era digital?

Em sua palestra sobre o assunto, o pastor Marcos De Benedicto mostrou que, embora os livros impressos tenham voltado a ganhar espaço, convivendo com os e-books, por outro lado, revistas e jornais estão perdendo público e precisarão se reinventar. Foi o que fez a Adventist Review, conforme mostrou o pastor Gerald Klingbeil numa das últimas apresentações do encontro. Ao longo de um ano e meio, a direção do periódico ouviu leitores, administradores e membros da igreja. Com base em várias pesquisas, a revista passou por reformulações gráficas e editoriais, além de investir na produção de conteúdo para as redes sociais e para um portal na web. Com isso, o periódico tem ampliado o número de assinantes e conquistado leitores mais jovens, segundo relatou o editor da publicação.

Gerald Klingbeil fala sobre o processo de renovação da Adventis Review. Crédito: Márcio Tonetti
Pastor Gerald Klingbeil fala sobre o processo de reestruturação da Adventist Review. Crédito: Márcio Tonetti

Inovar, como foi enfatizado por ele, é um processo doloroso porque rompe com a tradição. Mas esse é um desafio que se coloca à frente dos editores em cada época. Ao falar sobre o espírito inovador dos pioneiros da área editorial, ele lembrou que Urias Smith, que dedicou mais de 50 anos a esse ministério, chegou a inventar uma perna artificial. “A inovação não tem que ver apenas com o uso de toda a tecnologia disponível, mas é uma questão de atitude, de estar na vanguarda e fazer perguntas incisivas”, sublinhou. [Márcio Tonetti, equipe RA]

A edição de junho da Revista Adventista trará outros detalhes do evento

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