Adventista centenário

Aos 100 anos de idade, membro da igreja na cidade de Guarulhos (SP) continua envolvido no evangelismo

Adventista-centenárioA casa laranja fica depois da curva, na descida de uma rua pouco movimentada, em um dos maiores bairros da região leste de Guarulhos, na Grande São Paulo. Na pequena notável, vive o aposentado Antônio Avelino de Campos que acabou de completar 100 anos no último dia 1º de julho. Com a saúde firme e sem precisar tomar remédios, apenas tendo a ajuda de uma bengala para melhor se locomover, seu Antônio esbanja disposição e simpatia para contar suas histórias.

Apesar da idade avançada, diariamente ele faz questão de levantar cedo e fazer o que mais gosta: orar, estudar a Bíblia e ler a lição da Escola Sabatina. Só depois disso toma um desjejum reforçado e faz sua caminhada.

Adventista centenárioDono de uma boa memória, ele diz orar diariamente por 100 pessoas entre familiares, amigos, vizinhos e todos aqueles a quem ele já deu estudos bíblicos. Batizado na Igreja Adventista em setembro de 1964, Antônio dedicou todos esses anos a ensinar sobre o amor de Deus e da esperança que Ele revela nas páginas da Bíblia.

Durante sua trajetória religiosa, foi o mentor de pelo menos 35 pessoas que se decidiram pelo batismo. Junto com a esposa, Maria Bertocci, de 88 anos, ele fazia do tempo livre uma oportunidade de ensinar a Bíblia chamando os amigos e interessados para visitar sua casa. Enquanto ficava na sala conversando com os adultos, dona Maria preparava brincadeiras para divertir as crianças.

O envolvimento missionário fez de seu Antônio um conhecedor não apenas da Bíblia, mas também dos livros da escritora Ellen White. “Meus livros de cabeceira foram Vida de Jesus, O Grande Conflito e Caminho a Cristo, obras que usei ao ministrar estudos bíblicos. Aos poucos, eu mesmo preparei um guia de estudos personalizado com 26 temas bíblicos”, conta.

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Juntamente com a esposa, Maria Bertocci, seu Antônio fundou várias igrejas na região da Grande São Paulo.

Apaixonado pelo evangelho, seu Antônio dedicou a vida para testemunhar de seu poder transformador. “Assim como o amor de Deus transformou minha vida, isso também pode acontecer na vida de outros. O que precisamos é de mais amor uns pelos outros e disposição para levar o evangelho”, aconselha o adventista centenário, cujo verso predileto é o que está registrado em João 3:16.

A conversão

Antônio ainda lembra como conheceu a igreja e mudou de vida. Pintor de retratos, ele oferecia seus serviços artísticos numa feira no bairro da Ponte Grande, em Guarulhos, quando teve contato com Ângelo Duarte. O freguês encomendou um quadro e combinou que iria buscar a obra na casa de Antônio.

“No dia que o Ângelo veio buscar o quadro, eu estava terminando de retocar um quadro do padre Cícero. Ao ver a cena, Ângelo me disse que aquela figura não era um santo, mas alguém como qualquer outro. Aquilo me deixou incomodado até o dia em que fui consultar o padre da Basílica de Aparecida e ele não soube me responder”, relembra.

Após voltar da romaria, Antônio de Campos decidiu que não frequentaria mais a igreja. Passou a estudar por conta própria a Bíblia, a fim de saber o que, de fato, era verdade. Durante um ano, ele leu o livro de capa a capa e orou a Deus pedindo que enviasse alguém para esclarecer suas dúvidas. Ele não sabia qual igreja deveria congregar.

Caderno de anotações que acompanha seu Antônio no estudo da Bíblia.
Caderno de anotações que acompanha seu Antônio de Campos no estudo da Bíblia.

Exatamente um ano depois dessa decisão, bateu à sua porta um pastor da Igreja Adventista. “Ele disse que alguém havia me indicado a ele pelo fato de eu necessitar de ajuda para entender algumas coisas. Naquele momento tive a certeza de que minha oração estava sendo respondida”, recorda.

Após realizar os estudos bíblicos, seu Antônio foi batizado na Igreja Adventista do bairro de Vila Matilde (SP), a única existente, na época, na região leste da cidade. Foi a partir daquele dia que ele começou a compartilhar o conhecimento que havia obtido.

Durante esses 52 anos, Antônio ajudou a construir igrejas nos bairros da Penha, Vila Alpina e Vila Cipa, na capital paulista, bem como na comunidade Ponte Grande, em Guarulhos. Em cada época, ele conta que enfrentou diferentes desafios. “A ditadura militar foi o período em que eu mais tive dificuldade de evangelizar porque tudo poderia ser sinônimo de revolta contra o governo. As pessoas tinham medo de se reunir em casa para estudar. Depois, na época das Diretas Já, as pessoas se interessavam mais pelas lições que falavam de liberdade, do Céu. Com a chegada da tecnologia comecei a usar projetor de vídeo na sala, colocar músicas de CD, etc.”, relembra.

Hoje seu Antônio não consegue mais reunir um grupo em sua casa para estudar a Bíblia, mas aproveita cada oportunidade para compartilhar um verso bíblico com alguém, entregar literatura ou mesmo contar alguma história bíblica para suas netas. Ele comenta que, apesar das facilidades que os novos meios de comunicação oferecem para a pregação do evangelho, as pessoas parecem estar perdendo o senso de missão.

“Fico maravilhado ao ver como a Novo Tempo alcança as pessoas, como o celular é funcional, como tem tantos programas na igreja, mas infelizmente parece que nossos irmãos estão tão preocupados com sonhos e problemas pessoais que nem lembram da missão bíblica. Já completei cem anos e não quero mais ficar por aqui, quero ver Jesus voltar! Enquanto tiver força, quero falar do Seu amor”, conclui. [Mairon Hothon, equipe RA]

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