No santuário do darwinismo

Pesquisadores e educadores criacionistas participam do Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência em Galápagos

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Pesquisadores da CPB escreveram um artigo de 15 páginas como um dos pré-requisitos para o Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência. 

Uma das acusações que os evolucionistas geralmente dirigem aos criacionistas é a de que estes não fazem pesquisa de campo, nem produzem artigos acadêmicos. Isso se trata de uma acusação infundada, apesar de os pesquisadores criacionistas possuírem muito menos recursos e oportunidades do que os evolucionistas quando o assunto é pesquisa séria. Para ajudar a desfazer essa falsa impressão e para promover a capacitação de um grupo de cem educadores adventistas de oito países, a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista está promovendo, entre os dias 18 e 23 deste mês, o Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência, com o tema “História da Vida”.

O local escolhido não poderia ser mais emblemático: a ilha de Santa Cruz, no coração do arquipélago de Galápagos, a cerca de mil quilômetros da costa do Equador, no Oceano Pacífico. Um dos lugares mais importantes para os darwinistas, afinal, Charles Darwin em pessoa visitou, durante cinco semanas, em 1835, quatro das dezenas de ilhas, nas quais pesquisou e recolheu amostras que foram levadas para a Inglaterra a bordo do navio H.M.S. Beagle.

Taylor e Julia são estudantes de biologia da Universidade do Arizona. Crédito: Michelson Borges
Estudantes de biologia norte-americanas ficam encantadas com a Estação Científica Charles Darwin. 

Na ilha de Santa Cruz está a Estação Científica Charles Darwin, fundada em 1959, para onde se dirigem todos os anos milhares de pessoas de todas as partes do mundo a fim de unir turismo com aprendizado, numa espécie de peregrinação. Boa parte desses visitantes se declara fã do naturalista inglês, “pai” da teoria da evolução. Por exemplo, Julia Huls e Taylor Barrios, estudantes de biologia da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. Ambas estavam visivelmente impressionadas e, ao ser abordadas pela reportagem da Revista Adventista, não pouparam palavras como “maravilhoso” e “empolgante”. “Todos os estudantes de biologia deveriam ter esse privilégio que estamos tendo de estar aqui”, observou Taylor.

Para o observador que consegue separar evidências da interpretação delas, é possível ver as “digitais” do Criador e de eventos geológicos descritos na Bíblia, nas ilhas Galápagos, como em qualquer parte do mundo, e até mesmo mudar de opinião com respeito às origens. Foi o que aconteceu com a bióloga Monica Soria. Nativa do arquipélago, ela cresceu em uma família com três biólogos. Fez a mesma faculdade dos parentes e desde adolescente trabalhou na Estação Científica Charles Darwin. Sua cosmovisão começou a mudar quando foi aos Estados Unidos cursar o mestrado. Lá ela conheceu criacionistas, passou a estudar a Bíblia e voltou para casa com outras “lentes”. Hoje, Monica é uma das cerca de duzentas pessoas que professam o adventismo na ilha de Santa Cruz e tem se esforçado para difundir os conceitos criacionistas, falar do amor do Deus Criador e colaborar com o Colégio Adventista Loma Linda, localizado na rua Charles Darwin.

Presença da CPB

Se as lentes conceituais do visitante forem diferentes das de evolucionistas como as jovens norte-americanas, ele poderá enxergar coisas diferentes diante do mesmo objeto de estudo. É o caso do grupo de pesquisadores enviados pela Casa Publicadora Brasileira (CPB): o físico e gerente assistente de livros didáticos Rérison Vasques, a coordenadora pedagógica Doris Lima e os editores David Bernardes e Michelson Borges. Assim como os demais participantes do evento, os quatro tiveram que cumprir vários pré-requisitos para ir a Galápagos, um dos quais consistia em escrever um artigo científico de 15 páginas, que a equipe intitulou de “O que Darwin não viu em Galápagos”. Ao todo, foram produzidos dez artigos científicos que serão publicados posteriormente.

“Darwin deixou de ver muitas coisas por aqui. Não viu evidências de macroevolução; não viu e nem poderia ter visto evidências de design inteligente, nem tampouco de sistemas de complexidade irredutível”, disse Rérison, sintetizando os principais tópicos do artigo que ajudou a escrever. Além de participar do evento como pesquisadores, os quatro, mais a coordenadora pedagógica Nádia Teixeira da Silveira, ficaram incumbidos de, com a ajuda de uma equipe da TV Novo Tempo, produzir 30 videoaulas da Educação Adventista. A ideia é promover um treinamento em criacionismo para todos os professores da rede adventista sul-americana. Foram filmadas aulas apresentadas pelos pesquisadores Nahor Neves de Souza Jr., Marcio Fraiberg Machado, Raúl Esperante e Michelson Borges, em locações como cavernas, praias e na borda da segunda maior caldeira vulcânica do mundo, no monte Sierra Negra, a mil metros de altitude.

Início das atividades

Pastor Edgard Luz: “Aquilo que pensamos com respeito à origem vai determinar a maneira como vivemos e a esperança de futuro que temos.” Crédito: Michelson Borges
Pastor Edgard Luz: “Aquilo que pensamos com respeito à origem vai determinar a maneira como vivemos e a esperança de futuro que temos.” 

Ontem, na abertura do encontro, o diretor sul-americano de Educação, pastor Edgard Luz, frisou que o criacionismo está na base das crenças bíblicas dos adventistas. “Aquilo que pensamos com respeito à origem vai determinar a maneira como vivemos e a esperança de futuro que temos”, afirmou. Ele lembrou também que instituições estabelecidas no Éden e eternas como o casamento e o sábado vêm sendo atacadas justamente por conta da corrosão da crença no relato da criação como histórico e literal.

A primeira palestra foi apresentada pelo biólogo e paleontólogo espanhol Raúl Esperante, um dos pesquisadores do Geoscience Research Institute (GRI), mantido pela sede mundial da Igreja Adventista e sediado no campus da Universidade de Loma Linda. Ele falou sobre o registro fóssil e a evolução, demonstrando claramente, com base em suas pesquisas de campo em várias partes do mundo, que os estratos geológicos contam uma história bem diferente daquela apresentada pelos evolucionistas, como o “surgimento” repentino de complexidade e biodiversidade, além das extinções em massa que apontam para uma catástrofe hídrica.

Também presente ao evento, Lisa Beardsley-Hardy, diretora mundial do Departamento de Educação da Igreja Adventista, ressaltou que é importante que os professores das escolas adventistas tenham bem estabelecida a cosmovisão teísta-criacionista e que saibam defender esse ponto de vista com argumentos sólidos. O encontro prossegue até sábado com palestras, atividades de campo, estudos em grupos e visitas a locais importantes. [Texto e fotos de Michelson Borges, equipe RA]

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