Uma nova geração de criacionistas

Entre os cem educadores que estão num encontro histórico nas ilhas Galápagos, participam profissionais que prometem ainda contribuir muito para a causa  

Biólogos Wellington e Orlando fazem parte da nova geração de criacionistas. Crédito: Michelson Borges
Biólogos Wellington e Orlando fazem parte da nova geração de criacionistas. Crédito: Michelson Borges

Para quem pesquisa ou se interessa por criacionismo, no Brasil, nomes como Ruy Vieira, Orlando Ritter e Nahor Neves de Souza Júnior são referência. Alguns desses e outros ainda estão na ativa, mas é inegável que já contribuíram muito, partilhando seus conhecimentos, os resultados de suas pesquisas em incontáveis palestras e cursos, aqui e no exterior, e, mais importante, a inspiração que sua vida e carreira representam. Para muita gente, uma pergunta que fica no ar é a seguinte: Quem fará parte da nova geração de criacionistas que unirá esforços com os mais velhos e continuará levando avante a causa? Se depender do biólogo Orlando Ruben Ritter Neto, essa nova geração já está despertando.

Ele cresceu em uma família de educadores criacionistas. O avô, Orlando Ruben Ritter, é um dos maiores pioneiros do criacionismo no Brasil e foi o primeiro autor de uma apostila de ciência e religião utilizada no curso de Teologia do antigo Colégio Adventista Brasileiro, hoje Unasp, campus São Paulo. Orlando Neto é um dos cem participantes do Encontro Sul-Americano de Fé e Ciência, com o tema “História da Vida”, realizado de 18 a 23 de julho, na ilha de Santa Cruz, no arquipélago de Galápagos, no Equador. O biólogo ficou incumbido de, com seu grupo, produzir um artigo científico como pré-requisito para participar do evento. Ao todo, os pesquisadores, organizados em grupos, produziram dez artigos que serão publicados posteriormente.

Ritter se considera parte dessa geração de transição, e a participação no encontro foi determinante para essa tomada de consciência. “Esse evento ajudou a nortear o que devo fazer. Encontros como este são fundamentais porque ajudam a despertar nas novas gerações o que é necessário fazer em relação com o que outros já fizeram. Sinto-me muito feliz em fazer parte dessa conexão entre a geração que foi, como é o caso do meu avô, e a geração que está vindo”, disse ele. E concluiu: “Quero fazer pesquisa criacionista. Temos que produzir material de qualidade.”

Wellington Romangnoli é outro nome da nova geração. Também biólogo, ele leciona no Unasp, campus Hortolândia, a afirma que, para um biólogo, ir a Galápagos é algo “muito especial”. Depois de alguns dias de pesquisas e visitas a lugares escolhidos a dedo, ele chegou à conclusão de que simplesmente não existe a macroevolução, ou seja, as mudanças radicais que teriam ocorrido nos seres vivos e que inspiraram a hipótese de Darwin. “Encontrei animais e plantas com adaptações para este local, mas que têm correspondentes em outros países da América do Sul e do mundo. Como criacionista, saio deste encontro ainda mais convicto de que não existem evidências da macroevolução, mas apenas pequenas mudanças, pequenas adaptações totalmente compatíveis com o modelo criacionista.

Educação continuada

Para contribuir na formação dos professores da rede educacional adventista em todas as áreas de ensino e ajudar essa nova geração de criacionistas, foi criada a Universidade Corporativa (UC), órgão de apoio à formação continuada de educadores da rede na América do Sul, com a cogestão da Casa Publicadora Brasileira (CPB), das Uniões (sedes regionais da igreja) e das Instituições de Ensino Superior Adventista.

O objetivo geral da UC é propiciar programas de formação alicerçados em discussões, trocas de projetos, planejamentos, atividades, leituras de textos e artigos pedagógicos significativos, rede de práticas, etc., aos e com os professores/educadores da América do Sul.

 Representantes da UC estão em Galápagos, juntamente com uma equipe da TV Novo Tempo, fazendo gravações para videoaulas do Curso de Criacionismo, o qual será oferecido no segundo semestre de 2017 aos professores da rede, com disciplinas específicas relacionadas ao tema e cerca de 30 aulas apresentadas por especialistas em criacionismo do Brasil e do exterior.

“O criacionismo se constitui na essência de toda e qualquer instituição adventista, por isso a UC também compreende que estar em Galápagos é uma oportunidade única para prover incentivo e mobilização dos professores que devem dominar esse assunto que tem que ver com fé e ciência. Professores reflexivos e críticos fazem toda a diferença, e auxiliam na formação de sujeitos que darão continuidade à reflexão e à criticidade, tão importantes em seres que são criados à imagem e semelhança de Deus”, disse Nádia Teixeira, coordenadora pedagógica da CPB.

Suporte aos professores

Rérison Vasques, gerente associado de livros didáticos da CPB, lembra que “a Educação Adventista tem mais de 10 mil professores que entram em contato todos os dias com 210 mil alunos. Ao olharmos esses números, como a editora que produz os materiais didáticos para a rede, estar presente neste encontro e coordenar a UC juntamente com a sede sul-americana é um privilégio e uma responsabilidade.”

Rérison diz que desenvolver material didático atualizado e de qualidade tem sido uma busca incessante da editora, mas completa que isso não era suficiente. “Entendemos que auxiliar o professor em como melhor usar o livro era também de extrema importância, e por isso a parceria com a UC. Tenho certeza de que o curso de formação em criacionismo para os professores da rede, preparado aqui em Galápagos, poderá trazer ainda mais evidências científicas para, em primeiro lugar, fortalecer sua crença em um Deus criador, e acima de tudo mostrar aos alunos que esse Deus que criou toda a vida na Terra tem um plano maior para os educadores, essa é exatamente a missão da CPB em relação à educação adventista”, finaliza Rérison.

Marcela Calderón é produtora do programa Educação, da TV Novo Tempo, e faz parte da equipe que veio auxiliar a CPB em Galápagos. Ela diz que “capacitar os professores em criacionismo é uma ótima iniciativa. Isso porque, para poder educar as novas gerações com senso crítico em relação à ciência, é preciso contar com ferramentas que serão oferecidas por meio desta capacitação”. [Michelson Borges, equipe RA]

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