Estudo bíblico pelo videochat

Ambiente virtual criado por igreja oferece ferramentas e incentivo para a evangelização
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Ken Norton, pastor da Igreja Adventista Collegedalle, vinculada à Southern Adventist University. Imagem: Divulgação

A internet abre espaço para um novo tipo de evangelista: aquele que, às vezes, não sobe ao púlpito para pregar ou cantar, mas tem o dom de usar a tecnologia em favor da missão. Em países como os Estados Unidos, onde o uso da internet é ainda mais difundido e as conexões muito mais rápidas, algumas experiências interessantes estão sugerindo novas formas de envolver os membros na missão.

A Igreja Collegedale, vinculada à Southern Adventist University, por exemplo, criou o site Flocktoc.com, uma comunidade virtual em que qualquer membro da igreja, no mundo, pode ter sua própria sala de videochat, com capacidade para estudar a Bíblia face a face com até dez pessoas simultaneamente.

O site foi implantado pelo pastor Ken Norton e acabou se tornando o objeto de estudo de sua tese de doutorado defendida na Universidade Andrews, em outubro de 2015. O Flocktoc.com nasceu depois de uma pesquisa com os membros da Igreja Collegedale revelar que somente 14% deles ministravam estudos bíblicos. “Examinando os registros dos batismos realizados entre janeiro de 2011 a janeiro 2014 descobriu-se que 88 dos 92 batizados tinham recebido estudos com um pastor da igreja ou capelão do sistema escolar Greater Collegedale. Os outros candidatos tinham menos de 18 anos, e três estudaram com os pais. Essa informação indicou que os pastores da igreja ou capelães do sistema escolar geravam quase todos os batismos da Igreja, e não os membros”, Norton relata.

O projeto surgiu, portanto, como uma forma de encorajar e ajudar os membros da igreja a estudar a Bíblia com outras pessoas. Em sua pesquisa, o pastor Ken Norton procurou investigar se esse método de evangelismo poderia realmente funcionar. Depois de construir e lançar o website, inicialmente, com membros da igreja, ele chegou a algumas conclusões que foram documentadas na pesquisa. Essas conclusões mostram as possibilidades e os desafios no uso das novas tecnologias.

A primeira delas é que todo e qualquer site deve ser compatível com dispositivos móveis. Uma vez que o Flocktoc.com não foi originalmente projetado para celulares ou tablets, isso reduziu muito o número de interessados em usá-lo para o evangelismo. Com o aumento dos de celulares e a diminuição do uso de desktop e laptop, as pessoas esperam sites amigáveis aos aparelhos móveis. Além disso, o autor também observou que a limitação de recursos técnicos leva os membros da igreja a preferir outros sites que oferecem mais recursos para a realização de videochats.

Um segundo desafio percebido por Norton foi a tecnofobia ou analfabetismo tecnológico. “A experiência de lançar o projeto abriu meus olhos para o grande número de pessoas que têm medo de usar a tecnologia ou simplesmente não sabem como fazê-lo”, disse à Revista Adventista. O pesquisador também conta que, além disso, muitos membros da igreja mais velhos, experientes em estudar a Bíblia com outros, não estavam interessados em aprender a usar a tecnologia para evangelizar.

Um terceiro aspecto apontado por Norton é que a maioria dos membros não sabe como ministrar estudos bíblicos, o que confirmou a grande necessidade de serem treinados a compartilhar a fé e as verdades adventistas.

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Projeto surgiu como uma forma de encorajar e ajudar os membros da igreja a estudar a Bíblia com outras pessoas. Foto: Divulgação

As conclusões do pesquisador levaram a uma série de mudanças. “No que diz respeito à estrutura do site, o layout foi redesenhado para ser amigável a qualquer dispositivo e navegador de internet, além de passar a funcionar integrado a serviços de videochat mais aprimorados”, relata.

Os idealizadores do projeto ainda passaram a promover aulas on-line ensinando a usar o site. Norton conta que o treinamento foi o caminho mais eficaz para lidar com a tecnofobia e o analfabetismo tecnológico verificados ao longo do processo de implementação da ferramenta. “Ao tomar tempo para explicar como funciona esse tipo de tecnologia, descobri que o medo de usar um dispositivo específico diminui à medida que aumenta o conhecimento sobre como ele funciona”, conclui. [Márcio Tonetti, equipe RA]

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