Fortes emoções

Os desafios e as celebrações de agosto são uma prévia de realidades mais intensas que virão
Créditos da imagem: Fotolia
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Lembro com carinho das orientações que recebi em minha formação teológica. Uma delas, que não entendi com profundidade quando foi apresentada, ensinava a administrar emoções intensas e conflitantes que muitas vezes acontecem quase ao mesmo tempo na vida de um pastor. Acabei aprendendo isso na prática em um domingo, quando participei de uma festa de aniversário e, em seguida, de uma cerimônia de casamento. O problema foi que, pouco antes da cerimônia, morreu um de nossos jovens e precisei apoiar e consolar a família. Foi muito complicado sorrir e celebrar com os noivos e ao mesmo tempo pensar nos enlutados. Quantas emoções diferentes e intensas acontecendo ao mesmo tempo!

Agosto é um mês com características semelhantes às daquele domingo que marcou meu ministério. Tempo de fortes emoções! A primeira delas está relacionada ao cenário profético, impactado pelos atentados de junho e julho na Turquia, Bangladesh e Arábia Saudita. Terminamos o primeiro semestre amedrontados com a força de um fundamentalismo religioso que usa o terrorismo como seu púlpito.

Nos mesmos dias, a Comunidade Europeia sentiu um abalo com o voto que definiu o desligamento do Reino Unido. Existem muitas incertezas sobre as consequências dessa decisão para o processo de globalização, comércio e política. Profeticamente, porém, não ficam dúvidas sobre a mensagem de Daniel 2, em que os pés de ferro e barro da estátua continuam sem se misturar, apesar dos esforços. A profecia continua firme porque o Senhor é o dono da história.

Paralelamente a esses acontecimentos, surgiu nos Estados Unidos um movimento ecumênico popular, convocando todas as religiões a se unirem em uma celebração, como um passo para uma unidade mais profunda. “Together” (Juntos), tema do encontro, reuniu uma multidão no coração de Washington, com o apoio de líderes cristãos influentes e participação de cantores famosos. É fácil identificar várias peças de um mesmo quebra- cabeças, indicando que é hora de olhar para cima, pois nossa redenção está próxima (Lc 21:28). Este é o momento em que “devemos nos desprender constantemente da Terra e apegar-nos ao Céu” (Ellen White, Perto do Céu, p. 16).

“A igreja precisa estar totalmente envolvida na missão, tornando-se mais profunda, frutífera e feliz”

Mas agosto também é tempo de festa, celebração e superação com os Jogos Olímpicos, realizados no Rio de Janeiro. Nossa participação será bem diferente da maioria. Estaremos com mil jovens adventistas no “Circuito de Campeões”, realizando projetos missionários e comunitários durante os dias dos jogos. Não podemos perder uma oportunidade como essa para compartilhar esperança e cumprir a missão.

O lema olímpico, “Citius, altius, fortius” (Mais rápido, mais alto, mais forte), representa muito bem a visão por trás do outro movimento que acontece em agosto: a multiplicação de pequenos grupos. No dia 6, a Igreja Adventista na América do Sul vai se unir nessa celebração, fortalecendo o discipulado e buscando uma igreja em que as pessoas sejam realmente pastoreadas em pequenas comunidades. Para isso, são fundamentais os pequenos grupos e as unidades de ação da Escola Sabatina, pois é neles que a vida em comunidade tem mais chance de se tornar realidade. Trabalhamos pela multiplicação com base em liderança forte, preparada para coordenar grupos sólidos e com a visão correta.

Como no início do meu ministério, agosto é um mês de fortes emoções que ocorrem paralelamente. Como encarar tudo isso sem dar espaço à desunião, ao engano, à distração ou mesmo à superficialidade? O segredo para manter os olhos abertos e o coração preparado é lembrar que, “quando o Invisível está próximo, o visível perde o poder sobre nós” (Charles Spurgeon). A fórmula continua sendo a mesma: fortalecer a comunhão, aprofundar o estudo da Bíblia e comprometer-se com a missão.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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