O erro de Darwin

Evidências sugeridas pelo naturalista inglês não têm respaldo na Bíblia e são questionáveis do ponto de vista da ciência
Galápagos
Arquipélago de Galápagos: santuário do darwinismo. Créditos da imagem: Fotolia

Charles Darwin é um ícone para a maioria dos evolucionistas. Falando dele, Will Durant escreveu que seu nome poderia passar para a posteridade “como o ponto de inflexão no desenvolvimento de nossa civilização ocidental”, e completou que, “se ele estiver certo, os homens terão que datar 1859 como o começo do pensamento moderno”. Darwin morreu em 1882, teve um funeral de estado e foi sepultado na Abadia de Westminster ao lado de grandes nomes. Embora Julian Huxley tenha mencionado o “eclipse do darwinismo” na década de 1940, hoje inúmeros cientistas acham que nada faz sentido sem a teoria da evolução.

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Por outro lado, os criacionistas veem Darwin como um pensador atormentado que defendeu ideias infundadas e nocivas. No julgamento de John Scopes, William Jennings Bryan descreveu a cosmovisão darwinista como “um dogma de escuridão e morte”. Tendo estudado para ser um clérigo, Darwin deveria crer firmemente no Criador. No entanto, ele perdeu todo vestígio de fé em um Deus bondoso quando morreu sua adorada filha Annie. Ao tentar tirar Deus da equação da vida e a Bíblia do repertório de explicações do mundo, ele não percebeu a ação do inimigo na natureza.

A partir das ideias darwinistas, a disputa entre criacionismo e evolucionismo se intensificaram, com implicações culturais, políticas e teológicas. Porém, como deve o adventista se portar diante dessa batalha intelectual? Confiar plenamente na Palavra de Deus. A narrativa da criação em Gênesis estabelece várias verdades que são reafirmadas ao longo da Bíblia e oferece respostas para as perguntas mais intrigantes da vida.

Primeiro, o texto indica quem criou: Deus. O destaque em Gênesis é o Criador. Ele planejou, criou e organizou tudo. Kenneth Mathews afirma em seu comentário Genesis 1–11:26 (Broadman & Holman, 1996): “‘Deus’ é o sujeito gramatical da primeira sentença (1:1) e continua como o sujeito temático ao longo do relato.” Sem Deus, o caos seria a máxima possibilidade do mundo. Com Deus, o cosmos é a realidade.

Ciência e fé não são incompatíveis, mas, para o cristão, a autoridade final não é a ciência, e sim a Bíblia 

Em segundo lugar, o relato apresenta o quando: no princípio. A Bíblia não revela a data da criação do Universo, mas assegura que foi no começo. Embora não haja consenso sobre o significado da expressão “no princípio”, há boas razões para acreditar que ela se refira a um tempo muito distante. Ao que tudo indica, Deus criou o Universo e a Terra há milhões de anos e a vida no planeta num período recente.

Em terceiro lugar, o registro descreve o como: criação pela palavra. O evolucionismo ensina que tudo surgiu por meio de uma trindade formada por tempo, acaso e seleção natural. Mas a Escritura revela que Deus falou e tudo apareceu. A expressão “E disse Deus: Haja…” aparece em vários versos (3, 6, 9, 11, 14, 20, 24, 26). Esse fato é reafirmado poeticamente pelo salmista (Sl 33:6, 9). Longe de a vida surgir por meios lentos, caóticos e randômicos, Deus criou por um método rápido, pessoal e dirigido.
Em quarto lugar, Gênesis revela o que: o Universo.

A expressão “os céus e a Terra” é uma figura de linguagem para indicar o cosmos. Ela é diferente da expressão encontrada em Gênesis 2:1 (“os céus e a Terra e todo o seu exército”), que se refere à biosfera terrestre e seus três habitats descritos em Gênesis 1:3-31, como explica Richard Davidson em seu capítulo no livro He Spoke and It Was (Pacific Press, 2015). De acordo com o teólogo, essa expressão de Gênesis 1:1 está em paralelo com a que aparece em 2:4, formando uma estrutura quiástica, muito comum na Bíblia.

Por fim, o relato sugere o porquê: um ambiente proposital para o ser humano. O termo “bom” (hebraico tov), repetido seis vezes em Gênesis 1, foi usado para toda a criação, e, quando o homem foi criado, o mundo ficou completo e passou a ser “muito bom”. O selo de aprovação e qualidade foi conferido pelo próprio Deus.

O relato de Gênesis foi escrito com o objetivo claro de desconstruir as cosmogonias (teorias das origens) e mitologias da época. Trata-se de uma narrativa artisticamente construída, mas seus paralelismos seguem as ações esteticamente planejadas de Deus, o maior Artista do Universo. Confiar nessa narrativa situada no Jardim do Éden ainda é o melhor antídoto contra as ideias elaboradas em Galápagos, tema de capa desta edição.

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

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