Perucas solidárias

Conheça a história da mulher que, depois de vencer o câncer, passou a organizar campanha de doação de cabelo para apoiar outras pacientes em fase de tratamento
Ezeni
Ezeni Miranda: Ex-portadora de câncer de mama desenvolve projeto com o objetivo de ajudar pacientes a recuperar a autoestima. Créditos da imagem: arquivo pessoal

Aos 42 anos, a professora Ezeni Miranda já viveu o drama de perder os cabelos em consequência do tratamento para câncer de mama. “Eu não tenho dúvida de que a queda dos cabelos é um dos sintomas mais temidos por quem faz quimioterapia. Não é fácil! Você se olha no espelho e não sabe mais quem você é. O cabelo faz parte de você”, relembra.

Ezeni morava na cidade de Tupã, interior do estado de São Paulo, quando percebeu um nódulo na mama direita. “No começo eu não fiquei muito preocupada, pois achei que era um nódulo normal. Mas, com o tempo, percebi que era um nódulo diferente”, lembra.

Depois dos primeiros exames de imagem, foi encaminhada para um mastologista oncológico. O médico pediu uma cirurgia para retirada do nódulo e não descartou a possibilidade de câncer. “Foi aí que Deus começou a agir. Ele mandou uma pessoa, mãe de aluno, que sugeriu que eu procurasse outro parecer médico”, conta.

Em Marília (SP), um profissional orientou que primeiramente ela deveria fazer uma biópsia. “Foi muito complicado decidir, porque um médico tinha me dito que eu tinha que fazer a cirurgia e o outro disse que eu tinha que fazer a biopsia primeiro. Nós oramos durante uma semana, pedindo a Deus que Ele mostrasse qual era a melhor decisão a ser tomada”, relembra.

O diagnóstico

“Fizemos uma viagem e, no retorno, paramos em um lugar que dava acesso a dois caminhos: Marília, onde eu faria a biópsia, e Tupã, onde havia sido aconselhada a realizar a cirurgia. Então nós oramos naquele lugar que eu chamo de encruzilhada de oração”, conta.

O casal optou pela primeira opção. O resultado da biópsia saiu em 15 dias, confirmando a doença. “É o momento que ninguém está preparado para receber a notícia, que você está com câncer”, afirma.

Os amigos, novamente, intercederam e incentivaram a professora a fazer novos exames na capital do Estado. “Com isso, eu descobri que não somente estava com câncer, mas que eu tinha um câncer muito raro”, recorda.

A cura

Na capital paulista, o médico a informou que os estudos e tratamentos para esse tipo de câncer eram limitados, mas que havia um estudo em fase experimental que mostrava bons resultados nas pacientes. “Evidentemente, eu disse que aceitava me submeter a esse estudo, já que essa era a melhor opção que eu tinha”, recorda.

Foram vários meses de tratamento com quimioterapia, radioterapia e cirurgia de retirada das duas mamas e ovários, até que a cura chegasse.

Ezeni foi informada que se tivesse passado por qualquer tratamento anteriormente para o câncer, não poderia fazer parte do estudo. “Algumas vezes não entendemos a situação pela qual estamos passando. Queremos respostas muito rápidas. Mas eu tive que esperar um pouco. Foram alguns dias de oração até que Deus mostrasse a hora certa, o lugar certo e o tratamento certo”, ressalta.

Nova vida

Campanha de Mechas 4
Pacientes com câncer e voluntárias que se dispuseram a doar cabelo posam para foto durante uma das ações coordenadas pelas professora adventista. Foto: arquivo pessoal

Hoje, curada do agressivo tumor maligno no seio direito, Ezeni compartilha do sentimento de solidariedade com as pacientes de câncer de mama. Frequentemente procurada por interessadas em doar as “madeixas”, ela resolveu fazer dois dias de programação em parceria com voluntários do projeto Somos Todas Uma, grupo que apoia pacientes com câncer.

No primeiro evento, realizado no fim de agosto, cerca de 40 participantes doaram cabelo. “Percebemos o quanto elas ficaram felizes em fazer isso. O cabelo é muito importante para a mulher. E você saber que aquele cabelo vai ajudar outras pessoas é, realmente, muito bonito. Imagine o significado desse gesto de solidariedade para as pacientes que recebem a peruca!”, comenta.

No dia 5 de setembro, a professora contou com a parceria de um salão de beleza. Mais de 30 mulheres, entre jovens e adultas, deram de espontânea vontade seus fios. Quem não pôde comparecer fez um esforço e mandou entregar a “cabeleira” cortada. Os fios arrecadados serão transformados em perucas, que vão ser distribuídas gratuitamente para as pacientes.

De acordo com a organizadora, a perda dos cabelos afeta diretamente a autoestima de quem perdeu seus fios por causa do tratamento. “Para muitas, a peruca ajuda a reconstruir a autoestima, uma coisa que elas acabam perdendo com a queda dos cabelos. É algo que faz você ter uma vida normal de novo”, ressalta.

MICHELLE MARTINS é assessora de comunicação da Igreja Adventista para a região leste do Estado de São Paulo

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