120 anos de ensino

Saiba como a educação adventista iniciou e se desenvolveu no Brasil, tornando-se uma das maiores redes particulares do país

Colégio-Internacional-de-Curitiba
Em 1896, primeira escola adventista aberta no Brasil começou atendendo famílias de imigrantes que chegavam à região Sul do país

Desde que chegou ao Brasil em 1896, a educação adventista foi um importante instrumento na pregação do evangelho e no preparo de futuros servidores para o cumprimento da missão. Seu início, há 120 anos, foi marcado por um forte espiríto missionário em meio a grandes desafios.

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Certamente o avanço expressivo da Igreja Adventista no Brasil, com seus mais de 1,4 milhão de membros é, em grande parte, resultado dos investimentos feitos nesta área.

Origem e organização (1896-1915)

Os missionários que iniciaram a obra educacional adventista no Brasil enfrentaram grandes desafios no seu período formativo. Dentre eles se destacam  Huldreich F. Graf, Guilherme Stein Junior e John Lipke.

O marco inicial da obra educacional no país se deu em outubro de 1895 quando Graf foi enviado ao Brasil. O objetivo do primeiro pastor ordenado a trabalhar nessa parte do continente era estabelecer uma sede administrativa no Rio de Janeiro, a Missão Brasileira (A Educação Adventista no Brasil, p. 32). Já em solo brasileiro, ele tomou a iniciativa de fundar na cidade de Curitiba a primeira escola adventista do Brasil. Para liderar essa instituição, Graf chamou Guilherme Stein Junior, um jovem de 25 anos, filho de imigrantes suíços e alemães que era fluente em diversas línguas e que havia estudado por cerca de cinco anos na Escola Alemã de Campinas (SP).

Guilherme Stein Junior ficou pouco tempo na escola, pois já no ano seguinte, em setembro de 1897, ele e sua esposa, Maria Krähenbühl, mudaram-se para Santa Catarina, a fim de estabelecer a primeira escola mantida oficialmente pela igreja: o Colégio Superior de Gaspar Alto.

Buscando encontrar um substituto, W. H. Thurston fez apelos por meio da revista Foreign Mission Board, na esperança de que novos missionários se dispusessem a vir para o Brasil com o intuito de continuar o trabalho de Guilherme Stein Junior. Na edição de outubro de 1897 da revista The Home Missionary, Thurston mencionou com muito entusiasmo que seu apelo havia sido respondido por um jovem chamado John Lipke e sua esposa, Augusta (The Home Missionary, v. 9,  p. 194).

Escola Missionária de Gaspar Alto
John Lipke (à dir.), acompanhado de uma turma da Escola Missionária de Gaspar Alto em 1900

Para Curitiba, acabou indo Paul Kramer. Por sua vez, Lipke começou o trabalho em Taquari (RS) em 1898 (Review and Herald, 11 de janeiro de 1898). Depois de quase dois anos, no fim de 1899, John Lipke foi chamado para dirigir a Escola Missionária de Gaspar Alto, onde Guilherme Stein havia iniciado os trabalhos em 1897. Diversos líderes da igreja descreveram a primeira escola missionária adventista no Brasil como bonita, calma e afastada de qualquer cidade.

John Lipke foi um fiel exemplo da disposição e dedicação que os pioneiros da área da educação possuíam no Brasil. Além de fundador do colégio missionário, Lipke também era professor, diretor e coordenador de uma escola paroquial em Brusque (SC). Nessa época, era comum até mesmo diretores missionários ajudarem na construção e reparação de suas escolas e acumularem diversas funções durante o ano letivo.

Em 1901, Thurston mencionou o Brasil no boletim informativo da Associação Geral como um país de vasto território e com uma obra evangelística desafiadora. Nesse relatório, ele citou a existência de quatro escolas paroquiais, uma escola “secular” e outra escola preparatória de missionários (General Conference Bulletin, abril de 1901, p. 121). Mais uma vez, Thurston apelou às pessoas que se sensibilizassem com a missão no Brasil.

Colégio Adventista de Taquari (RS)
Colégio Adventista de Taquari (RS)

Dois anos depois desse relatório, a escola preparatória de missionários foi transferida para Taquari (RS). Cabe lembrar que, nessa época, o Rio Grande do Sul era a região do Brasil com o maior número de adventistas. Em relação à escolha de Taquari para sediar o colégio, a proximidade com a capital do estado e várias colônias alemãs foi um fator determinante.

Porém, diante do crescimento adventista nas várias regiões do Brasil, membros da igreja começaram a solicitar que um colégio fosse estabelecido mais ao centro do país. Assim, em 1910 a Conferência do Rio Grande do Sul recomendou a transferência do educandário de Taquari para um ponto mais central (John Boehm – Educador Pioneiro, p. 41).

Em 1º de agosto de 1915 a pedra fundamental do Colégio Adventista Brasileiro (CAB) foi lançada em Santo Amaro (SP). Isso foi fruto de muita oração e também dos esforços do pastor americano John Boehm. “Como os irmãos querem que nossos jovens permaneçam na igreja se não temos um colégio para educá-los?”, ele expressou (ibid, p. 91).

Seguramente, podemos afirmar que aqueles pioneiros não faziam ideia da importância do trabalho que estavam iniciando nem das proporções que essa obra atingiria no Brasil.

Fase de desenvolvimento (1915-1970)

Primeira turma de estudante do CAB, com John Lipke na esquerda e Paulo Hennig na direita
Primeira turma do Colégio Adventista Brasileiro. Ao lado, John Lipke (à esq.) e Paulo Hennig (à dir.)

Na manhã do dia 3 julho de 1915, um sábado, alguns dias antes de sua inauguração, o Colégio Adventista Brasileiro iniciou suas atividades com 12 alunos. Liderados pelo irmão Hennig, os novos estudantes participaram de um culto de ação de graças pela realização de mais um sonho (Revista Mensal, outubro de 1915, p. 5, 6). Conforme conta Hector Peverini no livro En Las Huellas de la Providencia, o pastor John Boehm resumiu a importância do fato afirmando que “naquele dia foi semeada uma semente que se desenvolveu em um forte centro educativo”.

Sob o lema “Rumo ao Mar”, em 1922 formou-se a primeira turma de alunos dos cursos ministerial e normal do CAB. Essa formatura foi um dos marcos mais significativos na história da educação adventista no Brasil. Dos nove formandos, oito trabalhariam direta ou indiretamente em escolas adventistas.

Semelhantemente, a década de 1940 foi de grandes conquistas para a educação adventista brasileira. Em 1943, a primeira turma de Enfermagem (primeiro curso superior de uma instituição adventista no país a ser oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação) iniciou os estudos nas dependências da Casa de Saúde, onde hoje fica o Hospital Adventista de São Paulo (A Educação Adventista no Brasil, p. 71). Essa foi a primeira conquista importante no longo processo de busca de credibilidade governamental para os cursos de nível superior oferecidos pela Igreja Adventista no Brasil.

Naquele mesmo ano, houve também mudanças na estrutura da educação básica, que passou a ter onze anos de duração, sendo quatro anos no Primário, quatro no Ginásio e mais três no Colegial. A partir de então, o CAB se tornou o primeiro Colégio com Ensino Médio Adventista em caráter oficial no contexto brasileiro (ibid, p. 55).

No período em consideração (1915-1970), várias instituições adventistas de ensino surgiram no Brasil. Além do estabelecimento de novas escolas e colégios, houve um crescimento significativo no número de professores, de alunos, de cursos oferecidos, bem como o aperfeiçoamento da própria estrutura dessas instituições. O crescimento foi tão significativo que no fim da década de 1960 havia no Brasil 555 congregações e 341 escolas primárias.

Período atual

A partir de 1970, Deus continuou abençoando a educação adventista no Brasil com novas conquistas, a despeito das crises econômicas enfrentadas pelo país. Graças à abertura de novas instituições de ensino, pessoas de diferentes regiões conheceram a mensagem do advento. Esse crescimento trouxe muitos benefícios, entre eles o fato de a igreja no Brasil passar a enviar missionários e a dar suporte para outros países.

A educação adventista se tornou um exemplo não somente para a igreja em nível mundial, mas para o sistema de educação brasileiro. Hoje com mais de 450 unidades escolares que oferecem do ensino básico à pós-graduação, 10 mil professores, 176 mil alunos e 15 colégios em regime de internato, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é considerada uma das maiores redes particulares de ensino no Brasil.

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Fontes: livro A Educação Adventista no Brasil e Secretaria da Divisão Sul-Americana

Outra conquista foi a produção de livros didáticos próprios. Os materiais produzidos pela Casa Publicadora Brasileira tem ajudado a manter as bases filosóficas da educação adventista.

Atualmente, também existem cinco instituições de ensino superior adventistas no Brasil que formam professores e administradores para servir nos mais variados ramos da igreja e da sociedade.

Hoje com uma estrutura física incomparavelmente superior àquela de suas origens, os ideais filosóficos da educação adventista continuam sendo os mesmos que foram defendidos pelos educadores pioneiros. Desse modo, o sistema educacional adventista visa a oferecer uma educação por excelência em suas escolas, formando pessoas com um caráter nobre nas dimensões física, mental, espiritual e social, preparando-as para um viver pleno nessa Terra bem como para um serviço mais amplo ao Criador.

WILLIAM TIMM é estudante de Teologia no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP)

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